50 ideias para o Turismo | Vamos criar um grupo de missão para resolver problemas do sector

Por a 11 de Maio de 2018 as 14:59

O sector dos Congressos, Eventos e Animação Turística tem tido uma enorme evolução nas últimas décadas. É o reflexo da alteração da sociedade e das necessidades do turista. Este já não viaja só para ver e conhecer, mas para sentir, desfrutar e viver. À medida que a digitalização e robotização avançam, mais a dimensão humana se torna determinante para o turista. Este não quer perder tempo em reservas, deslocações e outra tarefas repetitivas, hoje quer sentir os ritmos, emocionar-se e viver com as pessoas locais.

Esta área é caracterizada por ter micro e pequenas empresas, permeáveis a tudo o que sejam entraves. Esta dimensão deve-se principalmente às características do negócio, que tem de ser muito flexível, criativo e adaptado às necessidades e interesses do cliente. São negócios sustentáveis, que têm pouca possibilidade de massificação por um lado e quando são massificados não têm uma regularidade que lhes permita um grande crescimento.

Apesar dos esforços realizados nos últimos 10 anos, para simplificar a vida às empresas, a verdade é que a maioria das entidades que, também, interferem com o turismo, não têm uma visão estratégica, onde o desenvolvimento sustentado deveria ser uma prioridade, estando ainda muito centrados na sua própria visão e necessidades, sem atender aos impactos negativos que muitas vezes trazem aos sectores conexos.

A falta de planeamento, as barreiras burocráticas, as autorizações em duplicado para a mesma situação, a decisão discricionária sem critérios claros, o NÃO sem qualquer fundamentação, baseado no não querer ou ter medo de decidir, os interesses corporativos que não querem a mudança, são um enorme constrangimento para este sector que tem de competir no mercado internacional, onde os nossos adversários jogam sempre para ganhar, captando turistas e eventos que poderiam vir para Portugal.

Uma das soluções é claramente agilizar e facilitar a vida às empresas, fazendo com que estas consigam investir o seu capital de negócio e criatividade, com regras e planeamento, mas sem entraves desnecessários. A estratégia seria criar um pequeno Grupo de Missão, liderado pelo Turismo, com representação quando necessário do governo e das instituições do estado que interferem na vida do turismo, assim como, as principais associações do sector e a CTP. Não pretende ser um ministério da reforma administrativa que é mais estruturante, mas algo mais flexível e operacional. Teria como objetivo, analisar e resolver casos práticos de falta de articulação, burocracia e atraso em respostas, que muitas vezes não cabem no âmbito da intervenção regulatória de um ministério.

É preciso coragem e determinação para pôr as instituições centradas na solução e não no constrangimento.

António Marques Vidal, Presidente da Direcção da APECATE

Nota de editor:  No âmbito da celebração do seu 50º aniversário, o Publituris convida, em todas as suas edições de 2018, uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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