Turiscópio: A experiência portuguesa entre os primeiros empreendedores do Turismo europeu

Por a 3 de Maio de 2018 as 12:36

Para assinalar 50 anos de publicação ininterrupta do quinzenário de turismo Publituris desde 1968 escrevi três textos sobre a evolução do turismo em Portugal e descobri a vasta experiência dos nossos antepassados nas actividades que ainda movimentam e modernizam o turismo internacional. Por exemplo acabam de ser divulgadas as tendências do turismo para uma nova fase a iniciar em 2030, enquadrando viagens e turismo num sector mais smart: vocábulo tecnológico que define a vida nas próximas décadas com base em instrumentos e aplicações tecnológicas bem diferentes da minha experiência mista, entre um ambiente cultural e informativo avançado pelo cinema, teatro, literatura, e televisão, e que apoiou bastante a vontade de viajar da minha geração através de diferentes e avançados meios aéreos, terrestres, e marítimos, prevendo-se que serão transformados no futuro com trocas em tertúlias experimentais e universitárias de novos instrumentos mais portáteis e acessíveis.

 Onde acabo de ler que o Turismo Smart vai ser mais competitivo e sustentável com 17 eixos ainda não revelados, excepto as tarifas aéreas secretas através de apps-celulares.

Ora francamente o que me levou a apreciar mais o turismo desde 1955 foi a organização das empresas aéreas filiadas na IATA com regras fixas e abrangendo todos os países. Não gosto de segredos. Mas nos últimos anos algumas empresas deixaram de cumprir as normas.

DO FUTURO PRÓXIMO À ANTIGA ELEGÃNCIA – Aqui divulgo as datas dos primeiros empresários de viagens e de hotéis e iniciativas turísticas, no comércio, cultura e desporto, onde muitos portugueses colaboraram e encontraram bons negócios com ingleses, franceses, espanhóis, e outros europeus mais experientes.

1764 – Abre em Sintra o Hotel Lawrence e um dos primeiros hóspedes é Lord Byron, que ali escreveu parte de Childe Harold, uma das suas obras mais conhecidas. Este hotel ainda funciona.

1771 – O comerciante Domingos Pinto Basto abriu no Porto uma agência de navegação e viagens. Terá visto pelos contactos com ingleses que os navios que iam ao Douro carregar vinho eram agenciados por empresas que facilitavam as relações entre o comandante e as autoridades locais, além de servirem os produtores e fabricantes do Douro que viajavam para se inteirarem das novidades em Inglaterra, França e outros países mais avançados. Portanto a agência Pinto Basto no Porto prestava assistência aos navios e comandantes e vendia viagens aos clientes portugueses e estrangeiros residentes.

1830 – A empresa marítima inglesa P & O (Peninsular e Orienta)l abre a linha de Inglaterra para portos peninsulares com destaque para o Douro e Lisboa, onde já operava a agência Pinto Basto. O Douro tinha a vantagem das exportações de vinhos e outros produtos, além da ligação de aristocratas e de negociantes entre o Norte de Portugal e a comunidade britânica. Mas em 1837 expandiu a sua acção para o Mediterrâneo e os portos espanhóis passaram a beneficiar de escalas e negócios, embora o Douro continuasse a ser uma linha lucrativa para mercadorias e passageiros.

1884 – Organiza-se a primeira volta de Portugal à vela, da qual não existe informação suficiente, mas admite-se uma estreita colaboração com residentes ingleses no Douro, Cascais, Algarve. e Madeira, e um evento com interesse turístico. Trata-se de um evento apreciado na maioria dos clubes náuticos internacionais, se ganhar um patrocinador como a Volvo, etc.

1889 – Fausto Figueiredo cria a Estoril Sol para gerir o recente ramal ferroviário Cascais-Pedrouços, incluído no projecto de valorização de vilegiatura residencial na zona Estoril-Cascais. E em 1923 cria a Sociedade Estoril e a Estoril Plage com projectos de animação turística, desportiva e cultural com a marca Costa do Sol. O Estoril foi o primeiro destino luso a comemorar 100 anos de turismo e desportos activos, entre os quais se destaca o Clube  o Estoril Praia

1902 – A família Pinto Basto funda o CIF – Club Internacional de Futebol no alto de Belém, introduzindo torneios internacionais de para turistas. Este clube continua a promover torneios de ténis para vários escalões etários.

1903 – É fundado o Automóvel Clube de Portugal com grande impacto nas relações entre automobilistas de outros países e da inscrição de pilotos portugueses em provas internacionais. O ACP já teve intervenção no turismo europeu, que foi impulsionado no século passado pelos clubes automóveis e ferroviários, dois grupos europeus abertos a viajar e praticar as modalidade de turismo que iam sendo promovidas na Europa. Em Portugal foram as revistas do ACP e a Gazeta dos Caminhos de Ferro, esta dirigida por Leonildo de Mendonça, que lançaram os eventos de turismo mais populares e frequentados. Com destaque para o Clube Naval de Cascais que mantém fortes laços com a Confederação Internacional de Vela em Inglaterra, e com várias classes de veleiros internacionais, e os organizadores da America Cup nos Estados Unidos, que vêm sempre treinar em Cascais.

1936 – AERO PORTUGUESA –  O empresário António Medeiros de Almeida, importador dos automóveis britânicos Morris, fundou a empresa aérea que lançou a rota Lisboa-Tânger, a qual foi destacada no filme Casablanca de 1941. interpretado por  Humfrey Gobart e Ingrid Bergman. A empresa foi mais tarde absorvida pela TAP. O comandante João Júdice de Vasconcelos foi o responsável técnico deste investimento de António Medeiros de Almeida, três anos antes do início do segundo conflito mundial mas cuja repercussão se prolongou até ao renascer do turismo europeu após  1945, demonstrando até à actualidade a exigência promocional do turismo. Aliás a promoção turística portuguesa com maior impacto internacional, nestes 50 anos, continua a ser a canção Abril em Portugal no filme Capas Negras.

VOCAÇÃO LUSA – Outra curiosidade é o facto de ao longo da vida ter encontrado nos cinco continentes  destacados empresários portugueses em muitas áreas de negócios, talvez poucos no turismo, a não ser restauração e alimentação. Positiva porém é a experiência que passa de pais para filhos e de empresários para estagiários na maioria das áreas, em especial no turismo, onde o mercado exige alojamentos, animação e transportes de alta qualidade e segurança.

Por isso nestes três textos divulgo algumas qualidades e novidades do antigo e actual investimento luso, colocando Portugal em certas actividades entre os primeiros exploradores desta agradável actividade económica que tem crescido com a aviação, cruzeiros, eventos culturais, desportivos, e profissionais pelos cinco continentes, pelo que importa avaliar o perfil mais indicado e mais apreciado pelos estrangeiros que repetem as suas visitas a Portugal, certos da nossa experiência e simpatia.

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