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“A identidade cultural de Marrocos é uma riqueza em que vamos continuar a apostar”

Por a 9 de Abril de 2018


Os portugueses gostam de Marrocos, como provam os mais recentes números das chegadas lusas a aeroportos marroquinos, que já voltaram aos níveis anteriores à crise. Em entrevista ao Publituris, Abdellatif Achachi, director do Turismo de Marrocos para Portugal e Brasil, destaca a importância do mercado português, fala das parcerias com a TAP e com os operadores turísticos, e mostra-se confiante quanto aos resultados de 2018.


A secretária de Estado de Turismo de Marrocos, Lamia Boutaleb, esteve recentemente em Marrocos e revelou que, no ano passado, Marrocos recebeu 87 mil turistas portugueses. Podemos dizer que o mercado português já recuperou os números de antes da crise?
É verdade, foi um aumento de 26% e batemos o recorde do ano de 2011, em que recebemos 73 mil portugueses. Depois, veio a crise e aconteceu uma quebra grande das chegadas portuguesas em Marrocos, até atingir, em 2012, 54 mil portugueses. Felizmente, posso estar orgulhoso do trabalho que fizemos com os nossos parceiros, os operadores turísticos e a TAP. Conseguimos, juntos, retomar o crescimento. Portugal é um mercado importante para Marrocos. Em termos absolutos, o nosso principal mercado é o francês e o mercado interno vem em segundo lugar. Depois, temos a Alemanha, o Reino Unido, Espanha e Itália, mas fiz uma matriz com três entradas – número de vendas, mercado emissor e chegadas em Marrocos – para demonstrar que, em termos relativos, o mercado português fica em terceiro lugar, depois do francês e do espanhol. Ou seja, em termos relativos, Portugal é o terceiro mercado para Marrocos.

Estes números mostram que os portugueses continuam a gostar de Marrocos. O que é que os portugueses mais apreciam em Marrocos?
Este desempenho é muito subtil. Os portugueses gostam muito de Marraquexe, as chegadas mostram isso, mas é uma procura muito de city-break, para as chamadas escapadinhas. Em 2017, foram cerca de 25 mil os portugueses que chegaram a Marraquexe, mas as dormidas na cidade corresponderam a apenas 15% das dormidas do mercado português em Marrocos. Comparativamente, as chegadas a Agadir foram sete mil, mas as dormidas foram também 15% do total, igual a Marraquexe. Em Saïdia, os portugueses são já os principais clientes, já constituem 40% das dormidas, com mais de 110 mil dormidas.

Isso quer dizer que os portugueses já estão a descobrir outros produtos turísticos de Marrocos, como a praia, além da vertente cultural?
A praia é um produto turístico muito procurado e conhecido no mundo inteiro, mas a identidade cultural de Marrocos é uma riqueza em que vamos continuar a apostar para atrair mais turistas. Foi isso que fizemos no mercado alemão, que começámos a conquistar há 10 anos, de uma forma diferente da Turquia e da Tunísia, que apostaram muito no produto mar e praia. Nós quisemos marcar a diferença e, por isso, desenvolvemos um produto cultural, partindo de Marraquexe. Dois anos antes, fizemos um estudo de mercado e percebemos que 92% dos alemães conheciam Marraquexe, sem conhecerem Marrocos. Em Portugal também faz sentido que, além do produto de praia – que estamos a desenvolver e que tem uma boa rentabilidade -, destaquemos o produto cultural. Foi por isso que nos aliámos à TAP para desenvolver a rota directa entre Lisboa e Marraquexe, que tem muito bons números. Este Inverno, o aumento de capacidade da TAP para Marraquexe foi de 180% e no próximo Verão vai ser de 67%. Num ano IATA, a TAP quase duplicou o número de assentos programados, são quase 80 mil assentos, só de ida. Além de Marraquexe, queremos desenvolver em Portugal o destino Tânger, que está muito associado à praia, como um produto cultural. No Verão passado, Tânger teve um crescimento de quase 25% nas dormidas, que não foi acompanhado pelas chegadas no aeroporto, mas não nos podemos esquecer das chegadas terrestres, que aumentaram 27% e constituíram quase 30% das chegadas portuguesas em Marrocos. Para Saïdia e Agadir são essencialmente viagens de operadores turísticos e quero fazer agora uma aposta em Marraquexe, em parceria com os operadores turísticos, juntando o sul, onde temos três cidades famosas e muito interessantes – Erfoud, Zagora e Ouarzazate. Fizemos há pouco tempo uma famtrip para esta região que foi um sucesso total, com chegada em Errachidia, via Casablanca. É um programa que gostávamos que os operadores turísticos venham a lançar, porque é um produto muito giro, com muitos combinados possíveis.

Parceria com a TAP

Recentemente, a TAP abriu também uma rota para Fez. Qual é a expectativa do Turismo de Marrocos para este destino?
Fez é a capital espiritual de Marrocos, tem 12 séculos de existência e foi fundada pelo primeiro rei de Marrocos, no século VIII. É uma cidade com uma riqueza inesquecível e com a rota da TAP, as dormidas portuguesas já subiram cerca de 25% em dois meses. O Turismo tem uma relação incrível com a parte aérea, sem os voos, um destino não se consegue desenvolver. Por isso, agora que há o voo da TAP, acredito que Fez vai conhecer um crescimento no mercado português, e também no brasileiro, porque a TAP traz muitas pessoas do Brasil.

A parceria do Turismo de Marrocos com a TAP também se estende às rotas brasileiras da companhia?
A TAP está a desenvolver este produto, também com a Abreu, que tem uma divisão no Brasil, e faz sentido para os clientes brasileiros. Estamos a ver a possibilidade de fazermos uma parceria com a Abreu para o mercado brasileiro para atrair um maior número de turistas através do hub de Lisboa. Os brasileiros viajam entre 10 a 15 dias e faz sentido combinar Portugal com Marrocos, até Portugal, Espanha e Marrocos. Para nós, é suficiente que os turistas fiquem três a quatro dias em Marrocos, quase como um stopover. Mesmo sem essa parceria ainda oficializada, qual é a importância que as rotas do Brasil da TAP já têm para Marrocos, quantos passageiros brasileiros já fazem essa ligação a Marrocos, via Lisboa? O mercado brasileiro conheceu um crescimento exponencial a partir de 2013, quadruplicámos as chegadas. Em 2013, foram três mil, no ano passado foram 46 mil. Mas, além da TAP, temos também a Royal Air Maroc, que tem voos diários do Rio de Janeiro e de São Paulo para Casablanca e que foram os principais responsáveis por este grande aumento dos turistas brasileiros, que se notou, sobretudo, quando a companhia colocou a voar o Dreamliner, em Outubro de 2017. A Royal Air Maroc voava para o Brasil com um Boeing 767, um avião mais antigo, mas agora com o Dreamliner a viagem é realmente um ‘dream’ [sonho].

Da parte da TAP, há interesse em lançar novas rotas para Marrocos? Que destinos se podem seguir a Fez, que foi o último destino de Marrocos para onde a TAP abriu uma rota?
De momento não temos mais nenhuma rota prevista. Tive há poucos dias uma reunião ao mais alto nível com a TAP, mas a prioridade, neste momento, é aumentar a capacidade, porque a TAP voa para Marrocos com aviões de pequena dimensão. O problema é que a TAP não tem aparelhos disponíveis, vai comprar. Este é também o problema da Royal Air Maroc. Vamos esperar, mas acredito que a TAP vai apostar mais em Marrocos e vai desenvolver estas rotas com aviões de maior capacidade.

Promoção e apoios

Em 2016, o investimento do Turismo de Marrocos no mercado português sofreu um corte. Como está, actualmente, este investimento, ou seja, já voltou a haver apoio financeiro às operações aéreas e turísticas?
O problema que levou a essa redução do investimento, em 2016, teve a ver com as eleições em Marrocos, que ocorreram em Outubro de 2016, mas o Governo só foi nomeado em Março de 2017 e isso fez com que o orçamento tivesse uma quebra. Neste momento, o orçamento já voltou aos níveis normais e podemos retomar as parcerias que temos em Portugal com os operadores turísticos e com a TAP. Com a TAP, estamos agora a finalizar a sétima parceria, vamos assinar o acordo para o Verão de 2018 no próximo mês. A partir de 2014, temos estabelecido uma parceria com a TAP a cada estação, foi isso que aconteceu para desenvolver Tânger e Fez. Prova de que retomámos o investimento é também a campanha de promoção online que estamos a lançar, com a palavra-chave ‘Marrocos Especialistas’ e que conta com uma página de Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest e Google. Fizemos uma parceria com a Abreu, para que nas pesquisas por Marrocos apareça de imediato um site da Abreu exclusivamente dedicado a Marrocos. Esta campanha está a correr muito bem, vai manter-se até dia 11 de Março e, num dia, tivemos um aumento de mais de mil seguidores na página do Facebook. Além destes apoios, vamos retomar também as acções de e-learning, como fizemos no ano passado, em Portugal e no Brasil, onde tivemos um sucesso que foi muito além da nossa imaginação. O nosso objectivo era termos três mil agentes de viagens inscritos no Brasil e 800 em Portugal, mas ultrapassámos largamente. Em Portugal, foram mais de quatro mil agentes inscritos e no Brasil mais de cinco mil.

A cidade de Dahkla é um dos novos destinos que o Turismo de Marrocos tem vindo a promover. Que tipo de oferta podemos encontrar em Dahkla?
Dahkla é uma cidade de praia, muito conhecida por receber uma etapa do campeonato mundial de kitesurf. É uma cidade que está a apostar muitos no alojamento. Em 2020, vamos ter 15 mil camas, quadriplicaremos a capacidade de hospedagem. Temos vindo a promover Dahkla, já fizemos famtrips e soube ontem que um operador português especialista em surf fez, no mês passado, uma viagem para um grupo de 50 pessoas para Dahkla. Acredito que Dahkla se vai tornar um produto turístico em Portugal, porque é um produto espantoso. Dahkla quer dizer “a entrada”, é uma pequena cidade no sul de Marrocos, mas tem também uma grande praia e uma lagoa, onde se pode fazer praia, pesca, kitesurf e permite também tours pelo Sahara. Já há operadores a trabalhar o surf e acredito que vai ser um sucesso brutal, até porque Dahkla tem um aeroporto e, actualmente, há um voo directo e diário de Casablanca.

Dahkla poderia ser uma porta de entrada para programas no deserto, um desejo seu desde há muito, mas que os operadores portugueses continuam sem atender?
Estamos a realizar um programa com dois objectivos, um no Norte de Marrocos e outro no Sul, para desenvolver estas regiões e para que o Turismo não fique concentrado em Marraquexe ou em Casablanca. Por isso, estamos a promover o Norte e o Sul em todos os mercados, também para variar os produtos, mas o meu primeiro objectivo é desenvolver o produto de Erfoud, Zagora e Ouarzazate. Também gostava – e já fiz essa tentativa em 2012 com os líderes dos maiores operadores turísticos portugueses – de apostar na herança portuguesa. Fizemos uma famtour pela costa atlântica de Marrocos, para mostrar a riqueza dessa herança, mas infelizmente os portugueses não se mostraram interessados. Quero agora retomar essa ideia, vamos fazer uma nova famtour.

Marrocos costuma também promover iniciativas para o público, como a Semana Marroquina, no Centro Comercial Colombo. Esta iniciativa vai decorrer também este ano?
Não. Inicialmente, o nosso ‘business plan’ tinha a Semana Marroquina prevista, mas o orçamento não permitiu, tivemos que escolher entre fazer a campanha digital e a Semana Marroquina, mas a campanha digital teve mais sucesso noutras edições e, por isso, decidimos retomar esta campanha, que segue a nossa estratégia de apostar nos meios digitais. Vamos fazer a Semana Marroquina no Brasil, em São Paulo, que tem um orçamento distinto. Já tínhamos organizado uma edição em 2015, que foi um sucesso, com mais de 600 mil visitantes.

E para este ano, quais são as expectativas do Turismo de Marrocos para o mercado português?
Queremos sempre aumentar o fluxo de chegadas e das dormidas, mas vamos ver, estou confiante. Sei que não nos falta notoriedade em Portugal, mas temos que reforçar a nossa posição perante os turistas portugueses, para convencer as pessoas a viajarem para Marrocos. Vamos aproveitar a BTL para isso, queremos passar uma imagem positiva de Marrocos. Vamos ter muitas acções para mostrar Marrocos, neste primeiro semestre, como a BTL, onde vamos estar como país convidado. Temos também o Mundo Abreu, a convenção da Airmet, o roadshow com a Solférias, no início de Abril, e estamos com a campanha digital, vamos fazer o e-learning e organizar famtrips e presstrips. Portanto, temos muitas iniciativas para mostrar Marrocos.¶

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