Reportagem| Costa Rica: uma lufada de ar fresco e muito mais

Por a 13 de Março de 2018 as 17:46

A partir do próximo dia 4 de Maio, a Costa Rica fica mais perto de Portugal com um voo charter à partida de Lisboa, todas as sextas-feiras até 13 de Julho. É uma aposta do operador turístico Jolidey para este Verão, que já está ganha, pelo menos pela diferenciação, já que coloca no mercado português um destino completamente diferente daquilo a que estamos habituados na América Latina.

O operador turístico preparou diversos pacotes que combinam Natureza, Praia, Aventura e, claro, a cultura dos “ticos”, nome pelo qual são conhecidos os costa-riquenhos. O difícil será mesmo escolher.
A porta de entrada da Costa Rica é o Aeroporto Internacional Juan Santamaría que fica na cidade Alajuela, a 18 quilómetros da capital San José. Foi pela capital que começou a viagem de imprensa a convite da Jolidey no passado mês de Janeiro. Embora latina, San Juan não é uma capital típica desta região, está muito longe das gigantes metrópoles como Bogotá. Afinal, o país tem apenas cinco milhões de habitantes e a maior parte da população (60%) vive no Vale Central, onde fica situada San José. Contam-se pelos dedos de uma mão os edifícios altos no país e estão concentrados na capital. Há uma explicação para isso, a actividade sísmica. Com uma influência americana bem presente nas ruas, pelas lojas e restaurantes, a cidade tem um centro histórico onde se encontra a catedral e o Teatro Nacional. É no visita breve à capital que recebemos a primeira lição sobre o país e começamos a perceber o porquê da sua diferença. A Costa Rica não tem exército desde 1948, sendo esse investimento canalizado para o serviço social. O país tem índices de desenvolvimento acima da média na América Latina e a sua grande bandeira é o Meio Ambiente e percebe-se porquê. A Costa Rica alberga 5% da biodiversidade em todo o mundo.

Parque Tortuguero
No dia seguinte, o tão esperado contacto com a Natureza enfrenta a primeira adversidade. As chuvas não permitem a realização do voo com destino ao Parque Tortuguero, uma das principais atracções do país, localizado a Ocidente Norte de San José, na Costa do Caribe. Como país tropical, a Costa Rica não tem estações, mas temporadas de chuva e temporadas secas. Embora, na teoria, estejamos na época seca, na prática, o clima estava a ser influenciado pela frente fria proveniente dos EUA. A contrariedade foi facilmente resolvida e não ficámos a perder. Seguimos de carro pelo Vale Central, aproveitando para atravessar Llano Bonito de Naranjo, as plantações de café, o Parque Braullio Carrillo e passar ao lado do Parque Nacional do Vulcão Poás, que, por estar activo desde Abril 2017, não é possível visitar. Quando visitável, o Vulcão Poás é o local mais procurado pelos turistas pela proximidade à capital San José. Pelo meio, paragem para o pequeno-almoço no restaurante El Ceibo e a primeira grande surpresa, um encontro inesperado com uma preguiça. Um conselho: não vale a pena criar grandes expectativas face aos animais que se vão encontrar na Costa Rica, o mais provável é encontrá-los sem que se esteja à espera ao longo da viagem. Os guias estão despertos e prontos para avisar.

Seguimos caminho para o Parque Tortuguero, ainda nos esperava uma hora e meia de barco até chegarmos ao hotel Pachira, em pleno parque. Tortuguero foi criado com o objectivo de proteger a zona da desova da tartaruga verde, mas é habitat de mais de 500 espécies animais, entre répteis, mamíferos e aves. A Costa Rica é um país muito diverso, com diferente flora e fauna em várias províncias. Tortuguero é conhecido como a Amazónia da América Central, com os seus canais, rios, lagoas e vegetação densa. Só não existem piranhas e anacondas. Os passeios no Parque Nacional de Tortuguero custam 15 dólares, podem ser feitos de barco, canoa ou caiaque e são organizados pelo hotel. São acompanhados de um guia, caso contrário a frustração de não conseguir identificar os animais pode arruinar o passeio.
Devido à chuva que caiu durante o período da nossa viagem, avistámos sobretudo aves, garças-tigres e garças-reais. Quem viaja para a Costa Rica deve estar preparado para enfrentar as vontades da Natureza e precisa de ter sempre em mente que a Costa Rica é um dos países com políticas ambientais muito rigorosas. Os parques naturais não são jardins zoológicos e aqui ninguém contraria a natureza, ela está lá para ser vista e apreciada em todo o seu esplendor. “Pura Vida”. Se fosse de outra forma, não era Costa Rica, seria outro qualquer destino. Além dos passeios de barco, pode usufruir da visita ao pequeno povo de Tortuguero, para conhecer a praia onde desovam as tartarugas.

Vulcão Arenal
Despedimo-nos de Tortuguero para conhecer outro destino turístico, a reserva Florestal de Monverde, onde se encontra o Vulcão Arenal, em constante actividade desde 1968. A viagem faz-se novamente de carro e leva meio-dia para chegar à Cordilheira de Tiláran, onde fica situado o vulcão. Ainda mal saídos do Parque Tortuguero, passamos pela plantação de bananas que fica em Carmen. Dole, Chiquita ou Del Monte são produtoras das bananas que compramos nos nossos supermercados e que são da Costa Rica. A par do Turismo, a Agricultura é a principal fonte económica do país. A Costa Rica exporta bananas, ananás, café, mas também outras frutas como melancia ou manga. O país também é conhecido pela produção de equipamento médico e, dependendo dos ciclos económicos, a indústria dos serviços também pode ganhar peso na Economia. Um exemplo é a instalação de call centers internacionais no país.

Na reserva Florestal de Monverde não faltam locais para visitar e actividades para explorar. Sendo uma região de actividade vulcânica, os amantes dos spas e das águas termais podem usufruir, em alguns hotéis da região, de piscinas termais com temperaturas a 38/39º graus.
É o caso do Tabacon Resort & Spa localizado no coração da floresta, ao pé do Vulcão Arenal. Este resort de cinco estrelas possui um complexo termal com mais de 20 piscinas e cascatas com temperaturas que variam entre 25 e 42 graus, rodeadas por exuberantes jardins tropicais. Depois de uma tarde relaxante, o dia seguinte é dedicado à aventura. Para chegar ao vulcão Arenal atravessa-se a cidade de El Fortuna, um pitoresco local e zona turística que alberga dezenas de hotéis e restaurantes. Sendo o Vulcão Arenal uma das principais atracções turísticas do país, é fácil perceber que El Fortuna se tornou um dos centros turísticos mais importantes da Costa Rica. Coberto pelo nevoeiro, o Vulcão Arenal não se deixou ver durante a nossa estadia, podemos apenas imaginar o seu esplendor. Na região é possível fazer diversas actividades desde caminhadas, passeios a cavalo ou, para os mais aventureiros, visitar um dos parques de aventura. O Sky Adventures Park proporciona diversas aventuras no meio da floresta tropical, com as suas pontes suspensas, tirolesas e teleféricos. O melhor é reservar uma manhã para a aventura no parque. O que não se pode mesmo perder é a visita à Catarata Rio Fortuna. Localizada numa reserva biológica com uma área de 210 hectares de floresta húmida que integram o Parque Nacional do Vulcão Arenal, para observar esta cascata de 70 metros de altura, o visitante terá que descer 530 degraus. Quando chegar lá baixo vai ficar sem fôlego, não só pela quantidade de degraus mas pela imagem que é de cortar a respiração. Se o tempo o permitir ainda pode dar um mergulho.

Guanacaste e as Praias
É tempo de abandonar a província de Alajulela, onde fica situado o vulcão Arenal, e seguir caminho para a província de Guanacaste, cuja capital é Liberia. A Costa Rica tem sete províncias (aquilo a que chamamos distritos em Portugal): San José, Limon, Heredia, Cartago, Alajuela, Guanacaste e Puntarenas. Estas duas, situadas na zona da costa pacífico da Costa Rica, ficaram para a segunda parte da viagem que começa agora.
Guanacaste é a zona mais seca do país, por isso não foi de estranhar que encontrássemos uma vegetação bem diferente da que tínhamos visto até aqui e o tempo, esse, melhorou substancialmente. Menos exuberante, mais tropical seca, Guanascaste é um destino turístico por excelência com as suas mais de 100 praias. Mas já lá vamos, porque Guanacaste não tem só praias como cartão-de-visita. É nesta província que fica o Parque Nacional Vulcão Ricón de la Vieja, dividido em dois sectores: Santa Maria e Pailas. Localizada junto ao Parque, a Fazenda Guachepilin é o local de partida para explorar este destino. Há várias opções, desde actividades de aventura, passeios na Natureza, passeios a cavalo, de bicicleta ou usufruir das termas. O passeio a cavalo foi a opção escolhida e durou cerca de uma hora até à zona vulcânica. Acompanhado de dois guias, o passeio por entre a floresta é agradável e sem grandes sobressaltos. Depois do almoço, e de forma a retemperar forças, as Termas Rio Negro são a próxima visita. Rodeadas por uma densa floresta tropical seca, as Termas Rio Negro ainda fazem parte do complexo da Fazenda Gauchepilin. As piscinas termais foram construídas nas margens do rio e estão ligadas através de pontes suspensas. A grande atracção deste local são os banhos de lama. Quem lá chega improvisa um tratamento à base de lama vulcânica. Com um pincel cobre o corpo e deixa secar. Uma vez a lama seca, é hora de um banho de água fria seguido imediatamente de um mergulho nas piscinas de águas quentes termais. Há vestiários na entrada das termas, a partir daí são 350 metros ao longo de um caminho na floresta até chegar às fontes termais. Depois do “spa” é tempo de seguir viagem até à costa, para pernoitar pela primeira vez num resort, na verdadeira assunção da palavra.
Guanacaste é a única província onde se encontram hotéis resort de grande dimensão junto às praias. No resto das províncias, encontram-se hotéis mais pequenos e lodges. O Riu Guanacaste, um complexo de cinco estrelas tudo incluído, situado na linha da costa na praia Mata Palo, é um bom exemplo.

Se for caso de escolher este hotel, os clientes podem avistar de manhã bem cedo pelo menos uma das quatros espécies de macacos existente na Costa Rica, os macacos de cara branca. Na verdade, é mais do que avistar, os macacos estão habituados ao contacto humano na praia e vão em busca de comida. Mas atenção, a Costa Rica é altamente rigorosa com a protecção do ambiente e da vida selvagem, não sendo aconselhável de todo que alimente animais selvagens. Tamarindo é o destino que segue, ainda na província de Guanacaste. Pequeno paraíso para surfistas e para, dizem, os mochileiros. Na realidade, é um típico destino de praia com hotéis para todos os bolsos, lojas e restaurantes. A praia é idílica, sobretudo ao fim do dia, para avistar o pôr-do-sol.

Puntarenas e Parque Manuel António
A última província a visitar nesta viagem é Puntarenas, a maior do país. Com uma zona costeira grande, uma das principais actividades económicas da região é a pesca (marisco e atum, sobretudo), possuindo um dos portos de mercadorias e cruzeiros mais relevantes do destino. No caminho para chegar a Puntarenas dá-se a passagem pela ponte Amistad de Taiwan, que atravessa o rio Tempisque. A ponte foi financiada e projectada por Taiwan, assumindo particular importância para a província de Guanacaste por facilitar o acesso à capital San José. Mas o dado curioso sobre esta ponte é que passou a ser vulgarmente chamada de Puente de la Apuñalada, já que o ex-presidente da Costa Rica, Óscar Arias, cortou as relações com Taiwan a favor da China. Voltando à estrada, Tárcoles é a próxima paragem, uma paragem muito curta e somente para tirar fotos aos crocodilos que estão debaixo da ponte. É a grande vantagem de fazer 1500 quilómetros de estrada, há sempre uma paragem mais ou menos inesperada para tirar fotos aos animais. Neste caso, já contávamos, uma vez que o guia havia prometido.

O destino final é Quebos, pequena localidade costeira de Puntarenas cuja principal atracção é o Parque Manuel António, actualmente o local mais visitado do país. Quebos foi o primeiro porto marítimo do lado Pacífico da Costa Rica, criado para os americanos exportarem bananas. A pequena cidade ficou conhecida por ser a porta de entrada do Parque Manuel António. Na zona há pequenos boutique hotéis, como aquele em que ficámos, o Parador Resort & Spa, que além de charmoso e com personalidade, tem a grande vantagem de ficar a poucos minutos a pé de uma praia paradisíaca, a praia Bisanz, que naquele fim de tarde foi o melhor que nos podia acontecer. Se na sua cabeça a imagem que tem da Costa Rica são as praias de areia branca e vegetação exuberante, então é disto que escrevo. Este roteiro foi uma viagem em crescendo, com o ponto alto guardado para o dia seguinte: o Parque Manuel António. Criado em 1973, estende-se por uma área de dois mil hectares, onde se encontra floresta húmida e praias de areia branca. Se à flora exuberante juntarmos uma fauna diversificada, que inclui desde os peresozos (preguiças) até aos monos congo, carablanca e titi (três espécies de macacos), iguanas, borboletas, rãs e guaxinins, Manuel António incorpora aquilo que a Costa Rica tem de melhor, a Natureza no seu esplendor. Depois de um passeio na floresta, nada melhor do que mergulhar nas águas quentes da praia Manuel António enquanto desfruta da paisagem. Por ser o local mais visitado do país, o melhor é chegar cedo. O parque abre às 7h00 e fecha às 16h00. Chegámos cedo e o parque estava praticamente vazio, fomos os primeiros a mergulhar na praia. Às 10h, hora em que saímos, já havia uma fila considerável, o que me levou a pensar que aquele amanhecer cedo foi o amanhecer mais recompensador dos últimos tempos. Aliás, toda a viagem.

Um comentário

  1. alexander

    14 de Março de 2018 at 12:43

    Sean bienvenidos a Costa Rica, la tierra del “pura vida”.

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