Opinião| A oportunidade e a oportunidade perdida

Por a 8 de Março de 2018 as 16:30

Com a abertura do Fórum Braga (rebatizado que foi e bem, o PEB), cria-se uma nova oportunidade para a Meetings Industry, desta vez a Norte. A louvável ambição revelada pela InvestBraga e pela Câmara Municipal está bem expressa na qualidade do projeto e no posicionamento. Falta agora tirar partido e para isso, ao contrário do que se possa pensar, o mais difícil está ainda por fazer.
À semelhança de outros destinos, Braga necessita com urgência de formar todos os agentes económicos envolvidos e prepará-los para uma nova realidade. Na Meetings Industry, mais do que um bom espaço de congressos, o que é determinante é a capacidade de integrar a oferta. Reunir, fazer trabalhar bem e em conjunto, hotéis, restaurantes, transportes, animação e um conjunto vasto de outros serviços. Porque é sempre neste ponto que a articulação é deficiente, importa pensar quem fará esse papel agregador. A Câmara Municipal sem esse know-how e com outras prioridades? Uma Entidade de Turismo à distância? Ou uma InvestBraga como forma de garantir o resultado do seu investimento? E ao nível da captação, quem irá potenciar o envolvimento de entidades como a Universidade de Braga ou o Iberian Nanotechnology Laboratory (só na área da Nanotecnologia são realizados mais de 100 congressos internacionais)?
Formação, integração da oferta e estratégia de captação, são aspetos vitais que condicionam o sucesso de muitos projetos e nos encaminham para oportunidades perdidas. Coimbra e o magnífico Convento de São Francisco preparam-se para ser disso um exemplo.
Entusiasmei-me, eu e muitos, com a abertura do Convento de São Francisco. Dizia-se então e com toda a legitimidade, que “o Convento de São Francisco vai alterar a vida e a dinâmica de Coimbra e da região Centro”.
Anteviam-se por isso novas e melhores oportunidades de negócio para o setor. Esperava-se uma contribuição para a internacionalização da região e das suas empresas. Era obrigatório afirmar ainda mais, dois dos maiores polos de conhecimento do país – o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Universidade de Coimbra.
Não obstante a excelência do equipamento, passados que estão praticamente dois anos, não se compreende a gestão deficiente e errante feita pela Câmara Municipal. Passados que foram dois anos não há vislumbre de uma ideia que nos permita pensar que os Hospitais, a Universidade, o Instituto Pedro Nunes, o Biocant, o ICNAS e tantas outras Entidades da região, vão ser finalmente motivadas, apoiadas, convencidas de que o seu papel é importante muito para além do core da sua atividade.
Congressos e outros eventos, sobretudo internacionais, abrem portas à economia, geram riqueza, mudam de facto a vida das pessoas.
Coimbra tem o que mais falta a outras regiões, não aproveitar é mais uma oportunidade perdida. E porque não vejo outra entidade, dinâmica e transversal, desafio a Turismo do Centro a tratar o tema, da forma empenhada, criativa e com inegável mérito, com que tem tratado outros produtos turísticos. Coimbra e a região Centro precisam.
Escrevendo na coluna sobre a Meetings Industry, não posso deixar de felicitar a Fundação AIP e a equipa da BTL pelos magníficos 30 anos da nossa maior feira de Turismo. Sem a BTL, o nosso Turismo não seria o mesmo!

*Por João Paulo Oliveira, managing partner da Leading

Um comentário

  1. Rui da Silveira Cruz Ventura

    8 de Março de 2018 at 18:00

    Formação de mão de obra e capacitação de gestores em nossa área é uma dificuldade em muitas partes do Mundo.

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