50 ideias para o Turismo | É necessário aumentar a estada média

Por a 1 de Março de 2018 as 10:04

Em vésperas do fecho do ano mais bem sucedido da história do Turismo português, saímos com forças redobradas para atacar um dos mais antigos cavalos de batalha da hotelaria nacional – a estada média.

O aumento da oferta hoteleira e a proliferação de formas alternativas de alojamento em nada têm toldado a performance da operação, que registou os valores mais altos de sempre1 ao nível de preço (89€), ocupação (71%) e, consequentemente, RevPAR (63€).

O ciclo é, sem dúvida, ascendente e seria seguro dizer que a procura não dará sinais de abrandar nos anos vindouros – não fossem os constrangimentos ao nível da capacidade aeroportuária de Lisboa. A verdade é que o crescimento exponencial do Turismo, verdadeiro motor da recuperação económica no pós-crise, não poderá continuar até à construção do terminal do Montijo.

Então, o que fazer? Nos últimos anos temos ouvido falar muito em qualificar a oferta, e temo-lo feito com inegável sucesso. No entanto, é chegada a hora de qualificar a procura, descentralizando o fluxo turístico e alongando a sua permanência no território nacional.

Passo a explicar: de acordo com o INE, a estada média na hotelaria nacional, de 2,82,8 noites2, continua aquém da de concorrentes como a vizinha Espanha, que ultrapassa as 3,3 – uma questão que impede a optimização da ocupação e da rentabilidade.

A AHP há muito que defende uma estratégia de promoção integrada, assente na diversidade do destino Portugal como um todo – em que as especificidades de cada região são argumentos que servem a heterogeneidade ao invés da atomização.

Nesse sentido, e em articulação com os organismos competentes, a hotelaria pode desempenhar um papel chave, constituindo uma rede integrada de hospitalidade, que convide à mobilidade do crescente número de hóspedes, multiplicando dormidas e proveitos.

Os efeitos multiplicadores são muitíssimos: Se, por um lado, conseguimos esbater a concentração da procura nos destinos mais maduros e de estada longa, como Algarve e Madeira, por outro conseguimos transformar Lisboa ou Porto – cidades com muitos hóspedes mas poucas dormidas – em “âncoras” que canalizem a procura para destinos complementares e tradicionalmente menos explorados, aumentando a estada não na região mas no país.

É sabido, também, que uma estada mais longa é sinónimo de maiores gastos no destino, não só em alojamento mas em todas as atividades complementares, como sejam o comércio, restauração e transportes – investimento que as regiões menos turísticas do país de muito carecem.

Somos, de resto, o país ideal para aplicar este modelo:

·         A espantosa diversidade que a nossa reduzida dimensão comporta, aliada à completíssima rede rodoviária que nos serve, permite facilmente capitalizar sobre o esforço de captação de turistas, que a promoção dos últimos anos tão bem cumpriu, aumentando o retorno sobre o custo de aquisição.

·         A nossa oferta hoteleira é cada vez mais dinâmica e competitiva, com uma relação preço/qualidade dificilmente igualada noutros destinos europeus, e com unidades de altíssima qualidade que muito bem nos representam.

·         Temos hoje ferramentas e know-how cada vez mais sofisticados, que permitem comunicar com os nossos hóspedes de forma eficaz, e iniciativas como o Stop-Over da TAP bem o demonstram.

Em suma, por cada noite adicional na estadia, garante-se um dia a mais de investimento no país, que terá tanto mais peso quanto menos maduro for o destino. A AHP tem as ferramentas, a disponibilidade e a vontade necessárias para ajudar a uma promoção para prolongar as estadias, em colaboração com o Turismo de Portugal. Esta será com certeza uma forma sustentável de mitigar os constrangimentos impostos pela limitação das infraestruturas aeroportuárias, promovendo ainda a diluição da procura, com todos os benefícios que lhe estão associados.

Somos o Melhor Destino do Mundo e temos o Melhor Organismo Internacional de Promoção: este é o momento de agir. Fica a Ideia.

1 AHP Hotel Monitor, dados provisórios de 2017

2Acumulado a novembro de 2017.

Raul Martins, presidente do Grupo Altis e da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP)

Nota de editor: No âmbito da celebração do seu 50º aniversário, o Publituris convida, todas as semanas, uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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