Conversas à Mesa | Sónia Regateiro

Por a 12 de Fevereiro de 2018 as 12:00

No mundo da distribuição, Sónia Regateiro é uma figura incontornável. São poucos os agentes de viagens e até operadores concorrentes que não lhe conhecem o carácter e o profissionalismo.
Nascida em Setúbal, em Maio de 1974, Sónia Regateiro viveu na “terra do carapau e da sardinha” até aos 14 anos, altura em que, devido à profissão do pai, teve de migrar para o Alentejo. Foi em Almodôvar e, posteriormente, em Castro Verde que passou a sua adolescência. Afastar-se de Setúbal, onde lidava diariamente com o mar, para o interior do Alentejo foi um momento custoso, confessa. “Foi difícil, até porque a mudança foi em pleno Agosto”. Conta que devido ao calor, nos primeiros dias em que chegou ao Alentejo, costumava encher a banheira de água fria e deitar-se lá dentro. “Não conseguia estar de outra maneira”.
Os primeiros tempos foram complicados, e ansiava regressar a Setúbal para casa dos avós que por lá tinham ficado. “O meio era fechado e quando somos raparigas temos um período de adaptação mais complicado”, algo que acabou por ser mais facilitado com as amizades que o irmão mais novo dois anos ia fazendo.
Sónia Regateiro descreve-se como uma aluna aplicada, mas uma criança “muito extrovertida”. “Sempre gostei de estar rodeada de amigos, tinha uma vida social muito activa. Gostava muito de estar em festas, em programar eventos, em estar sempre ocupada e com muitas actividades extra-curriculares, fosse desporto, cultura, fosse a igreja”.
Chegada a altura de ingressar na Universidade, foi Faro a cidade que a acolheu, onde entrou no curso de Turismo. Refere que foi graças ao pai que acabou por ingressar em Turismo, pois as suas ambições levavam-na para as opções de Relações Internacionais ou Comunicação Social. Recorda o debate que teve com o pai: “Sempre foi hábito debatermos em casa tudo que influenciasse a vida de cada um, o meu pai disse-me “porque é que não vais para Turismo? Um dia mais tarde o nosso País pouco mais vai ter para dar sem ser o Turismo”.
Ao fim do primeiro ano de curso, apaixonou-se pela área do Turismo. Relembra os “óptimos tempos de faculdade”, a “cidade maravilhosa” de Faro com as suas temperaturas amenas, o ambiente universitário. Foi também em Faro onde se apaixonou pelo marido. “A cidade de Faro só me trouxe coisas boas”.

Percurso profissional
Depois de concluir o bacharel em Turismo, regressou a Setúbal, onde estagiou na agência de viagens Sadotour de António Pedro, com a Margarida Robalo (actual Top-Atlântico), Cândida Clemente (TUI) e a Susana Alverca. Acabou por estar um ano a trabalhar na agência de viagens, onde se iniciou no atendimento ao público. Ao fim desta experiência, candidatou-se a um lugar na operação turística, tendo enviado currículos para o Club 1840, Embaixador Tours, Club Vip e para a Soltrópico. Armando Ferreira, director-geral do operador turístico Soltrópico, chamou-a para “uma entrevista curta… de duas horas” e acabou por contratá-la em Novembro de 1997. Fazia o caminho diário para os escritórios da Soltrópico de autocarro, o que a obrigava a levantar mais cedo. “Era um tormento. (…) Chegava a casa tardíssimo”.
Há 14 anos surgiu a primeira e única filha de Sónia Regateiro – Soraia. Recorda que deve ter sido das poucas mulheres que partilhou a licença de maternidade com a sua mãe: “Dividi a licença de maternidade para poder fazer a época alta”. Considera que foi devido ao seu sentido de responsabilidade que tomou esta decisão. “Não sei se é defeito ou feitio”.
Em finais de 2009, surgiu a saída da Soltrópico. Sónia Regateiro fala desta situação com algum desgosto. “Sempre estive na Soltrópico, e em todos os projectos que entro, de corpo e alma. Sempre vesti a camisola e era como se fosse meu”. Relembra que houve um choque relativamente a “como as coisas foram feitas”. Com a saída de Armando Ferreira e, posteriormente, de Nuno Mateus, bem como alguns problemas de saúde, Sónia entregou a demissão. “Tinha uma situação financeira estável o que não me levou a ter que engolir sapos e simplesmente disse ‘vou embora”. Meses mais tarde, em Fevereiro de 2010 abraçou juntamente com o Nuno Mateus e o Bruno Pereira o projecto do operador Solférias. “Contávamos com uma equipa que já se conhecia há uns anos. Foi desafiante e muito benéfico para todos”.
“Na Solférias conseguimos reunir um grupo de dez pessoas, em que mais do que colegas tínhamos uma grande relação de amizade. Havia uma grande cumplicidade. Ter o privilégio de montar um projecto com pessoas que gostas e que todos os dias vais trabalhar com prazer, estás a criar uma coisa nova no mercado, tivemos muitas lutas pela frente… foi um desafio fabuloso”.
“Ninguém acreditava que era possível montar um projecto em dois meses”, recorda, “mas em dois meses montámos uma operação para Cabo Verde”. Relembra o esforço do primeiro ano do operador, onde dormia em média 3 a 4 horas por noite, “para realmente fazer valer o projecto da Solférias. Tanto eu, como os restantes elementos da equipa.”
Sete anos depois do lançamento do projecto, diz que a primeira palavra que vem à cabeça ao referir-se à Solférias é “vitória”.

Ser mulher no Turismo
Questionada sobre como é ser mãe numa área profissional que não tem propriamente horário de trabalho, tendo de haver uma maior disponibilidade, Sónia Regateiro admite que já existiram “alguns momentos penalizadores no papel de mãe”. “Há sempre uma grande dualidade entre a responsabilidade na área profissional e o ser mãe. Sempre tentei compensar e estar presente o mais possível nas duas áreas. Nem sempre é possível e temos de fazer escolhas na nossa vida. A minha carreira profissional sempre teve um grande peso, mas não maior do que a Soraia”. No papel familiar, Sónia Regateiro conta com o apoio incondicional da família e do marido que, refere, “abdicou da carreira profissional, sem nunca deixar de trabalhar, mas podia ter ido mais além, em prol da família e da minha carreira”.
Com o percurso pessoal e profissional, Sónia Regateiro realça que só se arrepende do que não faz. “Tenho tido uma carreira que é o que gosto de fazer, trabalho com as pessoas que gosto de trabalhar, com uma equipa maravilhosa e consigo ter a minha família bem estável”.
Há mais de 20 anos a trabalhar no Turismo, na área da distribuição, há uma pergunta que se impõe: Como é ser mulher no Turismo? “Não é nada fácil. Primeiro porque todos os cargos mais altos são muitas vezes ocupados por homens e o Turismo requer sempre uma grande disponibilidade. As mulheres quando têm de ser mães, esposas e domésticas, no Turismo não têm uma vida facilitada porque não conseguem ter a disponibilidade que o Turismo o exige”.
Assume-se como feminista e defende que as mulheres devem ter “as mesmas obrigações, mas os mesmos direitos e regalias que os homens. Julgo que continua a haver descriminação nas várias áreas de trabalho. Somos capazes de fazer tanto ou mais do que eles”.
Foi no pai que foi beber aquilo que considera ser os princípios base de qualquer ser humano: verdade, transparência e honestidade. “Tenho esses princípios muito bem vincados e acima de tudo, a justiça. O meu pai sempre foi uma pessoa muito justa e a injustiça é uma coisa que lido muito mal”.
Considera-se completamente diferente do âmbito profissional para o pessoal. No ambiente profissional descreve-se como uma pessoa com regras e exigente. “Sou muito exigente, porque exijo de toda a gente, o mínimo que dou. Gosto de ajudar, sou muito organizada e metódica”. Já no campo pessoal é o oposto. “Não sou nada organizada, sou muito descontraída e de bem com a vida. Gosto de viver e de desfrutar os bons momentos”. Depois do falecimento de Bruno Pereira, admite que começou a encarar a vida com outro olhar, sobretudo a dar valor às pequenas coisas. “Consigo ser mais descontraída, mas sou uma mãe muito exigente. Ao nível pessoal, mesmo com os que me são mais próximos, exijo deles porque quero que eles sejam melhores”.
Nos planos futuros está, pois claro, viajar mais. Mas também, daqui a uns largos anos, passar os dias de reforma na sua segunda casa, Cabo Verde. “Tenho uma grande afeição pelo destino, pelas pessoas. Tenho amor e paixão por Cabo Verde e não sei explicar porquê”.
“A minha grande intenção é poder passar o resto dos meus dias de chinelo no pé ou com o pé na areia em Cabo Verde e sair da área do Turismo e dedicar-me por inteiro à área social, a ajudar aquele país”, conclui.


Restaurante Olivier

O restaurante antes designado por “Olivier Avenida” reabriu, em Maio de 2017, com um novo conceito. O espaço foi completamente renovado, para criar um ambiente moderno e exclusivo e a carta revela uma inspiração mediterrânica com forte associação à cidade de Lisboa e à sua vocação cosmopolita. E chama-se agora apenas “Olivier”, para assinalar o mais antigo espaço de Olivier da Costa. Situada numa das mais emblemáticas zonas de Lisboa, no AVANI Avenida Liberdade Lisbon Hotel (antigo Hotel Tivoli Jardim), esta é ‘a casa do Olivier’, o espaço reflete o ambiente trendy e cosmopolita da capital portuguesa. Aqui é possível degustar a cozinha de autor do chef. O espaço inclui agora uma esplanada, bem ao gosto dos lisboetas, o que permite desfrutar de um almoço descontraído ou de um final de tarde relaxado.

Um comentário

  1. lucinda Carvalho

    12 de Fevereiro de 2018 at 12:46

    a vida é mesmo assim só que as vezes temos ver as coisas de outra porque as pessoas não conseguem dar valor á nossa dedicaçao mas quando corre por
    gosto não cansa

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *