50 ideias para o Turismo | O Produto Touring por Portugal

Por a 12 de Fevereiro de 2018 as 12:01

Ao lançar-me profissionalmente no início dos anos 90, assisti à polémica da transferência das funções da promoção turística internacional do IPT para o ICEP, e deparei-me com a extraordinária existência de cerca de três dezenas de entidades regionais e locais de turismo, entre regiões e juntas de turismo, para a cobertura do nosso curto território nacional. Era a génese da regionalização turística vigente e do nosso actual modelo de promoção turística internacional. Ciente que o somatório das partes conferia maior atractividade e valor ao destino Portugal, o ICEP assegurava a articulação de todas essas realidades para congregar as valências do nosso Portugal turístico, pugnando pela subsidiariedade e complementaridade territorial como forma de potenciar a actividade turística transversalmente por todo o País. Num quase registo da “Viagem a Portugal” do Saramago, o touring, para a descoberta de Portugal, era um produto de eleição para a diferenciação e afirmação da versatilidade, autenticidade e carácter da nossa riqueza cultural e paisagística. Tal conceito de circuito por Portugal adequava-se perfeitamente à procura induzida pelo ICEP além-fronteiras, e turistas internacionais faziam por descobrir e usufruir ao máximo o nosso País. Nos dias de hoje, não obstante o indiscutível mérito das ERTs e das ARPTs em termos regionais, mas naturalmente disfuncional em termos nacionais, a nossa promoção turística internacional divulga basicamente regiões diferenciadas, mas não articuladas entre si, e produtos turísticos diferenciados, tendo praticamente desistido de promover o touring por Portugal. O próprio Visitportugal também já não o destaca enquanto produto. A tendência do mercado global para consumir o conveniente turismo urbano, a necessidade de ser rentabilizada a forte concentração de investimentos realizados em Lisboa, no Porto e no Algarve, e o facto, e facilitismo, de cerca de 90% da nossa actividade económica se concentrar no nosso litoral, fazem esquecer o território interior. Mas mercados emissores apetecíveis, e de forte aposta, tais como o norte-americano, o brasileiro e outros intercontinentais, que aproveitam viagens para conhecer países ou macro-regiões, são tradicionalmente seus consumidores ávidos, e não “skipam” uma rede viária de excelência para a descoberta de uma oferta turística inspiradora e única, como a nossa, se esta for bem promovida enquanto um todo. Como sucede que o mundo actual apenas consome produtos turísticos se estes existirem e forem devidamente divulgados para o mercado, importará, agora mais do que nunca, retomar a promoção do touring integrado e articulado por Portugal, pois que este também de muitos vive e para todos produz.

Alexandre de Almeida, presidente do Grupo Alexandre de Almeida

Nota de editor: No âmbito da celebração do seu 50º aniversário, o Publituris convida, todas as semanas, uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

 

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