Mão-de-obra é a principal ameaça à Hotelaria em 2018

Por a 7 de Fevereiro de 2018 as 14:32

Raul Martins (Altis), Manuel Proença (Hoti Hotéis), José Theotónio (Pestana), Ricardo Martins, (Turim) e Gonçalo Rebelo de Almeida (Vila Galé). Foram estes os nomes que protagonizaram o 2.º Business Breakfast da Publituris Hotelaria, que, esta edição, levou a debate os desafios e perspectivas no sector hoteleiro em 2018.

Durante cerca de 60 minutos, os cinco responsáveis dos principais grupos hoteleiros falaram sobre as expectativas para 2018, concluindo que vai ser novamente um ano muito positivo. Porém, foram igualmente unânimes ao salientarem a necessidade de precaver o futuro e consolidar o crescimento do Turismo e do sector. É nesta consolidação que surgem os grandes desafios que a hotelaria enfrenta, sendo o número um, considerado pelos diversos CEO’s e administradores como a principal ameaça em 2018, a falta de mão-de-obra.

A solução para este problema que tem vindo a adensar-se nos últimos anos não é fácil, nem imediata, mas serviu o debate para os responsáveis avançarem com algumas ideias, nomeadamente a urgência em valorizar as profissões do sector, a necessidade de formação adequada e a requalificação de pessoas em situação de desemprego para ter uma oportunidade na hotelaria, que carece de mão-de-obra.

O 2.º Business Breakfast da Publituris Hotelaria permitiu, ainda, aos CEO’s e administradores desmistificarem a ideia dos baixos salários no sector, com os cinco responsáveis a recusarem essa realidade. Aliás, Raul Martins, que participou nesta iniciativa enquanto presidente do Grupo Altis, recordou a análise realizada pela AHP, da qual também é presidente, de que o salário médio na Hotelaria é superior aos mil euros.

* Leia a reportagem sobre esta iniciativa na edição de Fevereiro da Revista Publituris Hotelaria.

** Esta iniciativa contou com o apoio da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

10 comentários

  1. Augusto Fernandes

    20 de Fevereiro de 2018 at 17:38

    Para colaboradores do front e back office, o patamar salarial deixa a desejar referente a outras categorias.

    O salario de mil Euros geralmente é nível de gerencia para cima.

    Conheci diversos profissionais que trabalhavam no front/recepção onde as grandes redes exigem ou pelo menos preferem recepcionistas que fale 3 idiomas, mais eles não ficavam muito tempo.

    Eram ótimos profissionais, super atenciosos com o cliente e falavam inglês fluentemente, italiano e até alemão.

    Algumas destas pessoas acabaram saindo para outros ramos ou foram oferecer cursos de idiomas e o motivo da sua saída ?….. Salário não compatível!.

    Se faz necessário lembrar que muitos salários em hotéis é feito por categoria e padronizado onde querendo ou não, um dia todos irão saber quanto ganha cada departamento, ao menos uma media .
    Estas informações geralmente circulam pela “rádio dos funcionários”.

    Na pratica fica uma situação bem delicada de administrar e argumentar porque uma pessoa que fala 3 idiomas e com Pos, ganha 15% a mais de uma pessoa que só fala português e terminando a faculdade.

    Hotelaria já foi movida muito somente pela paixão de trabalhar no ramo, havia um certo “glamour” e acredito que ainda tenha, mais hoje o profissional do front e back office avaliam também salário, benefícios, condições de trabalho e plano de cargo e carreira.

    A competitividade do mercado hoteleiro hoje é focada mais em satisfação do cliente e redução de custos e o desafio é equilibrar esta “balança”.

    Será que hotéis de luxo ( 5 e 6 estrelas ) enfrentem problemas de falta mão de obra qualificada ?.Creio que não.

  2. Rui da Silveira Cruz Ventura

    14 de Fevereiro de 2018 at 12:12

    Parece que o problema é generalizado – a maioria dos empregadores quer currículos que eles mesmo não têm, ou seja eles não serviriam para desempenhar as funções. Depois não sabem colocar em prática uma escala de cargos e salários que coloque os colaboradores em condições de permanecer na profissão – Claro que têm problemas com mão de obra. E essas atitudes tendem a piorá-los, principalmente publicando mentiras sobre o que todos conhecem remuneração.

  3. Vanda

    13 de Fevereiro de 2018 at 22:10

    Convinha apenas que o Sr Raul Martins deixasse explícito que a média de salários que rondam os mil euros pertencem apenas a chefes de sectores ou administração. No que diz respeito a funcionários de front office, Back office, administrativos, F&B e Housekeeping, não há qualquer salário que chegue a esses valores. Então, concluímos que, quem realmente trabalha e veste a camisola para que um hotel renda e possa funcionar, recebe extremamente mal e a valorização que têm é igual a nada!
    Tudo isto é excelente para a evolução de um país e dos seus habitantes quando se enche o pulmão para orgulhosamente dizer que o turismo é uma das principais fontes de receita que nos enchem os cofres do estado.. e dos proprietários hoteleiros!
    Temos então, nós, licenciados e mestres em Turismo, que deixar o nosso país para que lá fora, os outros, valorizem os nossos conhecimentos, não nos coloquem a trabalhar com uma equipa em que 70% não tem formação e para recebermos o suficiente para que assim algum dia possamos sentir que, ao lado de um técnico de turismo a executar funções públicas, possamos receber o mesmo – 1200€.. mas tudo isto, há lá fora. Em Portugal, se a visão que os srs administradores têm se mantiver, nunca vai realmente haver orgulho no turismo por quem entende do que fala!

  4. Suzane Halfoun Tyszler

    13 de Fevereiro de 2018 at 14:40

    As exigências de currículo não são compatíveis com os salários oferecidos

  5. Joao X.

    12 de Fevereiro de 2018 at 21:05

    Essa do salário médio na Hotelaria ser superior aos mil euros é de rir…..

  6. João Bernardo

    12 de Fevereiro de 2018 at 11:18

    A média salarial nos 1000.00 euros??
    Essa média deve-se aos salários obscenos que os ceo’s que se reuniram auferem.
    Não é de certeza a média salarial da massa trabalhadora que faz essa média.
    A crise ja lá vai, mas apenas para alguns, em especial para aqueles que fazem com a média salarial seja de 1000 euros, pois quem trabalha a sério e mantém a indústria não aufere com certeza um salário que contribua para esssa média anunciada seja real…

  7. Bruno D.

    11 de Fevereiro de 2018 at 21:31

    Muito normal a falta de mão-de-obra… Grande parte destes grandes grupos sucede-se o mesmo problema.. Falta de progressão.. horas extradordinarias nao renumeradas e maioritariamente esuqecidas.. ordenados no patamar minimo possível ( sei de casos em que trabalham no mesmo local ha 10 anos e ordenado 600 euros )… claro que profissionais da área nao queiram trabalhar nestas condições.. Escravidão foi abulida mas nesta e outras áreas ha uma parecença enorme.. por esta e outras razões existem inúmeros profissionais que emigram ou escolhem outras profissões.Melhores condicoes, melhores ordenados e consequentemente melhor qualidade de vida. Viva Portugal ! E viva os comentarios destes senhores ” o salário médio na Hotelaria é superior aos mil euros ” … e mais não digo

  8. Álvaro Andrade

    10 de Fevereiro de 2018 at 21:51

    Se queremos mais mão de obra e profissionais qualificados devemos apostar principalmente na dignificação de algumas profissões ligadas a áreas de Hotelaria e Restauração e Bebidas. Por outro lado, estas profissões devem ser mais valorizadas e mais respeitadas, no que concerne aos horários trabalhos que são em grande parte abusivos e horas extras que na maioria dos casos não são pagas. Só com profissionais valorizados e motivados se pode ter um serviço com melhor qualidade e uma maior procura e gosto por profissões ligadas ao Turismo. Muito ainda há por fazer no nosso país pela dignificação destas profissões e pelos profissionais ligados à formação profissional.

  9. Fernando Rebelo

    9 de Fevereiro de 2018 at 12:24

    As grandes vagas de turistas que entraram em Portugal nos últimos anos pode estar em perigo devido aos altos preços praticados para o corrente ano especialmente no Algarve. É preciso não embandeirar em arco e não deitar foguetes antes da festa. A hotelaria Portuguesa tem de ter em conta que sol e praias também existem em outros países. Isto pode ser uma repetição do que aconteceu no início dos anos 80.

  10. Teresa Isabel

    8 de Fevereiro de 2018 at 23:33

    Sem dúvida, que esta profissão deve ser valorizada e mais respeitada, o que não acontece. Os horários abusivos e folgas a não existirem , empresários a não respeitarem. Afinal o que se passa??? Era o Iva, era a falta de turista…. É nada muda! E formo profissionais da área, e poucos são os que ficam , pelos motivos atrás referidos. Hà Turista , mas profissionais não. As entidades competentes têm de rever, para que o Turismo continue a aumentar e Portugal continue em crescimento é a ser um destino eleito.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *