Turiscópio: Ano Novo e programas para 2018 com Portugal ao largo

Por a 19 de Janeiro de 2018 as 9:45

No primeiro texto de cada ano é costume fazer-se um resumo do ano que passa e antever as principais mudanças para o ano seguinte, mas creio que já basta a vaga de notícias e reportagens sobre os pesados acidentes provocados pelas tempestades e incêndios que sofremos entre Junho e Outubro. Muitos dos nossos destinos turísticos foram poupados mas algumas metrópoles europeias sofreram forte redução de turistas, devido a graves atentados terroristas.
Nestas alturas não é muito apropriado falar-se de Turismo, mas os autarcas pediram aos portugueses e estrangeiros para visitarem as localidades e zonas que sofreram mais incêndios, entre Junho e Outubro, para ajudarem as respetivas populações, juntando-se à simpatia do Presidente Rebelo de Sousa que foi passar as noites festivas a Pedrógão Grande e outros municípios próximos onde os estragos foram maiores. Mas as iniciativas que conduziram à organização de eventos de solidariedade não se fizeram esperar, de Norte a Sul e incluindo a diáspora, atraindo auxílios valiosos às pessoas que ficaram sem casas e sem meios de subsistência, incluindo empresários madeireiros, etc. A maior parte dos nossos destinos turísticos foram poupados do fogo, com excepção da seca extrema que atingiu cerca de 85% dos municípios, esperando-se que o que resta deste Inverno traga em 2018 chuva suficiente para encher as albufeiras e os depósitos de água.
À primeira vista, não temos ainda planos capazes para enfrentar as condições climatéricas em que sempre vivemos. Os nossos governantes dizem uns que os milagres de Fátima não se repetem, e outros que o Governo está atento às contrariedades criando medidas para atenuar as consequências, mas fogos e inundações repetem-se todos os anos, sem que hajam ainda meios para minimizar tais fenómenos, contrários a qualquer promoção de destinos turísticos. É verdade que estrangeiros não têm faltado no Inverno, mas resta saber se ficaram com vontade de voltar? Ou se o pós-fogo pode atrair turistas.

A VISITAR – Como os leitores sabem, frequento os portais concelhios de promoção turística, nacionais e estrangeiros. Hoje, 29 de Dezembro, chamou-me a atenção DUSSELDORF por ter tido três eventos desportivos Top em 2017: o campeonato europeu de trialto, o campeonato mundial de ténis de mesa e a partida da volta em bicicleta a França. E o que o Turismo alemão promove para 2018 nesta cidade são 28 opções desportivas, de espectáculos, festivais, exposições de arte, feiras e programas nos feriados municipais.

VISIT LISBOA: Vi recomendações de três hotéis centrais, restaurantes e animação local, visita às galerias subterrâneas das Águas Livres, nas Amoreiras, sem um evento datado; o portal ilustrado abre com uma bela foto dos passeios pedonais de Lisboa, muitos deles a precisar de alisamento horizontal e buracos tapados.

VISIT PORTO: uma proposta para descobrir a cidade em três dias, com diversos itinerários para famílias, etc., incluindo as maravilhas gastronómicas, provas de vinhos, diversão noturna, visitas a pé, bicicleta ou de barco pelo Douro. Sem eventos datados.

VISIT ALGARVE: Abre com uma bela foto do Parque Natural no litoral sudoeste, recomendando, no fim de Dezembro, as praias da Rocha e dos Pescadores; mas a maratona de Monchique e a experiência de automobilismo nas pistas do autódromo e dos circuitos desportivos, destacando ainda o festival de observação de aves em Sagres, no início do Outono; e o Programa Algarve 365 que se mantém em 2018 com um evento cada dia.

ROTA DA SEDA – Como os leitores sabem não é meu costume ignorar erros políticos cometidos no nosso País. Ora o Presidente da China continua a promover a reintrodução da nova rota de seda para o Ocidente (One Belt, One Road), seguindo o que os navegadores portugueses fizeram desde o séc. XV quando chegaram à China por via marítima, e trazendo depois para a Europa a seda e outras preciosidades e iguarias chinesas que negociaram com as autoridades e mercadores chineses, ganhando o estatuto de primeiros aliados ocidentais da China. Na edição de 24 de Novembro para o Congresso da Apavt em Macau, escrevi A Nova Rota da Seda China-Europa Interessa a Portugal. Fiquei admirado por ver que nos primeiros mapas da nova rota da seda, nem Lisboa nem Sines fazem parte dessa antiga cintura comercial que os chineses estão a reabrir por terra: em novas linhas férreas para a Europa, tendo já a funcionar uma para Barcelona, e outras em curso para a Alemanha, Áustria, Itália, Benelux, França, Grã-Bretanha, e Espanha. Mas a OBOR também integra a crescente frota de navios porta-contentores (incluindo o grupo chinês COSCO) que garantem o transporte de mercadorias nos dois sentidos: da China para a Europa, América e África, e vice-versa. Entre os portos europeus destacam-se Hamburgo, Roterdão, Antuérpia, ou Marselha (para as linhas que usarem o Canal de Suez), pois para a linha da China para a Europa pela canal do Panamá, serão preferidos os portos franceses de Havre, Calais, Brest ou Rouen. E depois do Brexit veremos qual será o porto britânico preferido.
A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, foi à China em Outubro negociar com as autoridades chinesas a participação de Portugal na nova Rota da Seda, vindo de lá com contactos positivos para Sines. Não se sabe se o desfecho do independentismo catalão vai ou não ser um entrave ao uso do porto de Barcelona no projeto OBOR, mas a linha pode ser estendida a outro porto e outra metrópole espanhola. Para os navios chegados ao Atlântico através do Canal do Panamá, a Espanha tem o porto de Algeciras. E pelo Canal do Suez tem Valência. Mas como é possível um acordo entre a China e Portugal ? Se não temos armadores nem navios para integrar tal linha, e também não estamos ligados a nenhum grupo marítimo internacional nem fazemos parte dos projetos de investimento europeu em linhas férreas em construção para tornar a linha OBOR um facto a ponderar pelos exportadores e importadores ocidentais e chineses à medida que forem abrindo essas vias férreas. Custa-me também entender a moderação de Bruxelas face a este projeto chinês dirigido à Europa. Aliás Bruxelas e Portugal parecem articulados nesta matéria, até porque o comissário Europeu da Inovação é Carlos Moedas. Como tal, nós seremos o último país europeu a integrar eventualmente a rede TGV, e a reconverter a bitola ferroviária para o modelo europeu, quando a Espanha já opera a terceira maior rede TGV (depois do Eurotunel, e das redes Francesa e Alemã).

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