50 Ideias para o Turismo: Investir e fazer, não depender; exigir, não pedir

Por a 18 de Janeiro de 2018 as 11:27

Claro que poderia sugerir a resolução do problema do aeroporto, fundamental para o desenvolvimento do turismo em Portugal, das viagens dos portugueses, e das exportações.
Poderia escrever sobre a persistente, e por isso mesmo irritante, desigualdade fiscal internacional, que teima em prejudicar a realização de eventos no nosso País.
Poderia preocupar-me com a necessidade de se harmonizar a vida dos habitantes e visitantes de Lisboa, sem prejuízo da operação turística, porque nenhum desenvolvimento económico está garantido se não for diariamente acarinhado.
Poderia clamar por mais dinheiro para a promoção, sabendo que a criação de procura tem enorme efeito multiplicador, sendo dos investimentos mais rentáveis que poderemos desenvolver.
Sim, inúmeras ideias me ocorreram assim que a Carina Monteiro me telefonou a desafiar para ser a primeira pessoa a apresentar uma de cinquenta ideias para o turismo português.
Depois, foi-se solidificando a ideia de que, sendo o primeiro, poderia tentar lançar uma ideia forte, uma ideia base, que pudesse ser apoiada por todas as outras, e que, de certa maneira, pudesse anteceder e justificar todas as outras.
Toda a gente sabe que defendo uma organização económica com primado da iniciativa privada, com intervenção estatal apenas nas esferas de estrito interesse público e de regulação / fiscalização. Eu e a maioria do povo português. Eu, e a esmagadora maioria dos empresários portugueses.
Porém, vá lá perceber-se porquê, também aqui, infelizmente, são mais as vozes do que as nozes, mais acreditar no que se diz, do que no que se faz. Conheço inúmeros empresários portugueses que sempre preferiram pedir do Estado o que podem (e devem, já agora) fazer por si próprios, porque sempre preferiram menor risco, mesmo que com menor rentabilidade e, sobretudo, mesmo que com menor independência.
Ao longo do ano, desfilarão por este jornal, mais 49 boas ideias para fortalecer o turismo, a maioria delas, estou certo, dirigindo a solicitação ao Estado (e uma boa parte delas, concedo, fazendo parte da esfera de intervenção do Estado).
Ora, sucede que eu penso que o subsector das agências de viagens é bem um exemplo inspirador, com empresários que têm o seu próprio capital nos projectos que iniciaram, uns há poucos dias, outros há mais de cento e setenta anos, e que, há muitos anos, tomam em próprias mãos a promoção dos seus negócios, a execução dos seus projectos, e a remuneração dos seus colaboradores.
Empresários que não priorizam a relação com o Estado, porque sempre se focaram nos seus clientes e nos seus colaboradores.
Escrevi esta minha contribuição no último dia do ano, o que, de certa maneira, me chama para um “desejo de ano novo”: Absolutamente ciente da importância para o bem-estar social, dos tomadores de risco, desejo que este tipo de empresários se multiplique, cresça, e dinamize os negócios, quer no Turismo, quer no País.
É quem investe e faz que não depende de mais ninguém. E não dependendo de mais ninguém, pode exigir do Estado, em vez de constantemente pedir!

Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT)

Nota de editor: No âmbito da celebração do seu 50º aniversário, o Publituris convida, em todas as suas edições de 2018, uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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