Especial 2017| Eleições APAVT e nova directiva. O mundo da distribuição em revista

Por a 29 de Dezembro de 2017 as 12:00

Estávamos em Janeiro e a rede de agências de viagens Geostar decidiu começar o ano com a abertura de duas novas lojas no Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Tudo normal até aqui, não fossem estas duas lojas representativas de um novo conceito que pretende apresentar uma experiência “mais visual e interactiva” aos seus clientes.
Gonçalo Salgado, CEO da Geostar, explicou na altura que o objectivo do novo design passava por “reforçar o posicionamento de marca jovem, inovadora e dinâmica que queremos que a Geostar seja”.
Ainda em Janeiro, António Loureiro deu a sua primeira entrevista do ano ao Publituris. Este foi um ano especial para a Travelport já que comemorou 25 anos no mercado português. O ano foi de festa que culminou com uma gala de aniversário e entrega de prémios no Casino Estoril, em Setembro.
Em Fevereiro foi anunciado Macau como o local que receberia em 2017 o 43º congresso nacional da APAVT, após oito anos em que a associação deu preferência a destinos nacionais. O congresso, com o tema “Turismo: A Oriente, tudo de novo!”, acabou por ser um dos mais concorridos de sempre, contando com cerca de 700 inscritos.

Novidades dos operadores e agências 
A Soltrópico não perdeu tempo e apresentou, logo no início do ano, várias novidades ao mercado. Tendo em vista a criação de uma relação de maior proximidade com os agentes de viagens baseada na tecnologia e na formação, o operador anunciou o lançamento da Academia Soltrópico com início no mês de Março. A plataforma permitiu dar formação através de ‘webinars’ a 700 agentes de viagens.
Quem também apostou na tecnologia foi a Solférias, que, em Fevereiro, lançou uma nova ferramenta de vendas no seu site para facilitar o processo de reservas de pacotes combinados. Com uma nova imagem associada à pesquisa, o utilizador passou a poder definir o número de noites que pretende ficar em cada local, bem como indicar quais os hotéis que deseja reservar, tornando o processo de reserva mais dinâmico. Segundo o operador, este lançamento faz parte da sua estratégia de aposta na tecnologia.
Consolidador.com Hotels by TOR é o nome da mais recente área de negócios do Consolidador.com e que começou a estar disponível para as agências de viagens a partir de Maio. Além do segmento de aviação, o Consolidador.com passou a disponibilizar a venda de hotéis através de uma parceria estabelecida com a central de reservas B2B TOR Travel, criando assim a marca Consolidador.com Hotels by TOR.
Em 2017, o Grupo GEA passou a estar presente no Peru, contando já com 10 agências de viagens no país, onde Pedro Gordon, director-geral do Grupo GEA Portugal e América Latina, acredita que a rede de agências de viagens independentes pode vir a alcançar um rápido crescimento.
“Pensamos que podemos ter um crescimento rápido no Peru porque não há concorrência, não há grandes redes”, explicou Pedro Gordon aos jornalistas, à margem de um almoço em que o Grupo GEA Portugal deu a conhecer as principais novidades.
Este também foi o ano em que a divisão de viagens do Grupo Barceló, Ávoris Reinventing Travel, relançou a marca Iberojet convertendo-a numa OTA (agência de viagens online), segundo avança a imprensa espanhola.
A Amadeus celebrou, em Outubro, o seu 30º aniversário num jantar que juntou clientes e parceiros do GDS. Cláudio Santos, actual director-geral da Amadeus Portugal, que substituiu Miguel Angel Puertas no cargo há dois meses, saudou os presentes agradecendo a presença num “momento marcante” para a empresa que é a celebração dos 30 anos.

Eleições APAVT 
O agrupamento de agências de viagens Go4Travel, que elegeu agora João Matias (Cosmos) como presidente, decidiu realizar, pela primeira vez, uma convenção e o local escolhido foi Viseu. O evento ocorreu em Março e foi nessa altura que o presidente da Go4Travel, Vitor Filipe, anunciou que o agrupamento iria avançar com uma lista concorrente às próximas eleições dos corpos sociais da APAVT, agendadas para o final deste ano.
À excepção do que se dizia nos corredores, era a primeira vez que se falava oficialmente num candidato às eleições da APAVT.
Mas tudo mudou em Julho, quando Pedro Costa Ferreira, através de um comunicado, anunciou a sua recandidatura à presidência da APAVT para o triénio 2018-2020. No documento, Pedro Costa Ferreira afirmava que, após dois mandatos, era sua intenção “abandonar a presidência” da associação. No entanto, terão sido as solicitações do sector para que continuasse que o fizeram mudar de decisão.
Vinte dias depois, Miguel Quintas entrou na corrida às eleições. O administrador do Consolidador.com e fundador da Parcela Já apresentou a sua candidatura sob o mote “A APAVT é de todos”.
Numa conferência de imprensa, o responsável salientou que esta era “uma candidatura independente”, que pretende defender os interesses de todas as agências de viagens associadas.
Entretanto, a candidatura de Pedro Costa Ferreira continuava a divulgar vários apoios de dentro e fora do sector da distribuição. Em Setembro, Miguel Quintas desistiu da sua candidatura à presidência da APAVT, alegando “pressões de vários quadrantes”, segundo comunicado enviado à imprensa. “Desde o anúncio da minha candidatura que tenho sentido pressões de vários quadrantes, inclusive de entidades que não estão directamente ligadas à APAVT, para desistir”, justificou Miguel Quintas.

Em Setembro, a poucos dias do prazo final para apresentação de listas concorrentes à presidência, Pedro Costa Ferreira deu uma entrevista ao Publituris. O responsável fez o balanço dos seis anos à frente da associação e disse “ter sido o presidente de todos”. Sob o mote ‘Juntos pelo Futuro’, Pedro Costa Ferreira apresentou uma lista que classificou de “credível, de gente conhecida e transversal”. “Temos DMC’s, Incoming, Operadores Turísticos, Lazer e Corporate. Temos Micro e PME’s. Todos à volta desta ideia de ‘Juntos pelo Futuro’, porque estamos a falar dos próximos anos e para olharmos para esses anos com algum optimismo temos, antes de mais, de estar juntos”, afirmou na altura.
A lista de Pedro Costa Ferreira acabou por ser a única na corrida às eleições e foi eleita a 12 de Dezembro deste ano, já depois da realização do congresso da associação em Macau.

Congresso da APAVT 
Foi durante o congresso da APAVT, realizado entre os dias 23 e 27 de Novembro, que foram conhecidas as conclusões do estudo que a APAVT encomendou à consultora Augusto Mateus & Associados sobre o peso das agências de viagens na economia. O sector da distribuição turística em Portugal contribui com 3240M€ para o PIB, ou seja, 2,1%. Mas o congresso ficou também marcado pelos discursos. Primeiro de Pedro Costa Ferreira, que disse, na abertura do evento, existirem condições para fazer “uma boa transposição” da nova directiva das viagens organizadas. Pedro Costa Ferreira elogiou o trabalho realizado em conjunto com a DECO e a Secretaria de Estado do Turismo. Sobre a lei, disse estarem asseguradas as duas principais preocupações apresentadas no congresso do ano passado. “Por um lado, a mais expressiva fatia das viagens profissionais ficam de fora do âmbito da directiva; por outro, as nossas empresas não terão que realizar novas entregas para o mecanismo financeiro de protecção do consumidor”. A secretária de Estado do Turismo aproveitou o momento para anunciar que está concluído o projecto-diploma de discussão sobre a transposição da Directiva 2015/2302, cujo diploma vai ser publicado até ao final deste ano em Diário da República para entrar em vigor a 1 de Julho de 2018. Ana Mendes Godinho garantiu que solução final resulta de um “permanente diálogo” entre a Associação, a DECO e a Direcção Geral do Consumidor, mas também de “cedências mútuas” para garantir que a transposição não impacte negativamente na vida das agências de viagens.
Pedro Costa Ferreira criticou ainda os gigantes da indústria da aviação, assim como a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA). As preocupações dos agentes prendem-se desde logo com a instituição de “taxas discriminatórias de reserva nos GDS`s pelos gigantes da aviação”, afirmou o responsável. Para o presidente da APAVT, “estamos perante a tentativa de construção de um oligopólio”. Oligopólio esse, que está “a tentar afastar a distribuição independente porque quer evitar a comparação directa de preços”.
A esta crítica acrescentou ainda outra à IATA, cujo regulamento, diz Pedro Costa Ferreira, “devia ser já uma peça de museu”, por “total inadequação à realidade da relação económica existente entre as agências de viagens e as companhias aéreas”.
O responsável foi mais longe e questionou o porquê de algumas medidas que são um retrocesso no sector. “Num mundo onde se assiste a uma revolução na área dos pagamentos, que sentido faz impor um único modo de pagamento? E que grau de ridículo está subjacente à decisão de escolher um único banco para receber os pagamentos ao BSP, por parte das agências de viagens portuguesas, numa conta sediada na Alemanha”.
Recorde-se que a propósito desse tema, APAVT interpôs em Julho uma providência cautelar para suspender a imposição da IATA, que obriga todas as agências IATA a fazerem o pagamento do BSP para uma conta sedeada no Deutsche Bank, na Alemanha.

Nota de editor: artigo publicado na edição nr. 1357, de 15 de Dezembro de 2017

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