Quando a exclusividade é um luxo

Por a 22 de Dezembro de 2017 as 11:08

Um produto de luxo é raro, mas não é necessariamente caro. Esta parece ser a máxima associada ao turismo de luxo actual, em que os consumidores procuram acima de tudo qualidade, exclusividade e experiências diferenciadoras, mais do que ostentação. O Publituris fez uma viagem pelo turismo de luxo disponível em Portugal e desvendamos alguns dos factores que fazem a diferença neste mercado.

O turismo de luxo é um mercado em constante crescimento, mesmo nos tempos da crise, foi dos que registou melhores índices de crescimento e mantém a tendência, com as viagens de luxo a crescerem 18% desde 2014 a nível global, o dobro das viagens tradicionais. Só no ano passado, a população mundial realizou 54 milhões de viagens de luxo internacionais, segundo o mais recente ITB World Travel Trends Report. Em Portugal, os indicadores apontam no mesmo sentido. No ano passado, o turismo de luxo cresceu na ordem dos 20% em hóspedes e dormidas na hotelaria portuguesa, o que mostra que Portugal tem condições para competir com os principais destinos de luxo do mundo e da Europa, contando com uma oferta que, actualmente, vai muito além da hotelaria. Segundo Carlos Ferreirinha, especialista em luxo e uma referência neste mercado na América Latina, que foi o principal orador do curso executivo Luxury Tourism Management, promovido pelo ISEG, a 16 e 17 de Outubro, Portugal tem um potencial “muito grande e muito maior do que se imagina” neste mercado. É, desde logo, um país “com muita história e tradição, elementos essenciais ao luxo”, oferecendo, ao mesmo tempo, “a exclusividade de um destino ainda pouco explorado pelos viajantes de luxo internacionais”. O especialista em luxo, que trabalhou para marcas como a Louis Vuitton, destaca também a gastronomia, o clima, a grande quantidade de hotéis de luxo e as boas estradas nacionais como atractivos para os turistas de luxo, que, diz, continuam a apreciar a exclusividade. “O luxo sempre foi, é e será associado ao nobre, raro, único”.

Experiências à medida

Locais e visitas únicas é o que promete a Tours For You, DMC que é procurada por um cliente com um “alto nível de exigência”, que pretende “um acompanhamento personalizado na consultoria e na viagem”, diz ao Publituris Nuno Tavares, proprietário e CEO da Tours For You. Nuno Tavares salienta que os clientes da Tours For You têm, normalmente, muita experiência em viagens e a “plena noção do que devem obter como serviço de qualidade”, motivo pelo qual esta DMC procura “oferecer locais de visita mais desconhecidos do público”. “Conhecimentos pessoais e pesquisa prévia de soluções alternativas são muito importantes no momento da apresentação de uma proposta, à medida dos interesses do cliente. E oferecer isso (personalização), aliado a um sentido de criatividade dos nossos consultores e, uma resposta (muito) rápida ao cliente, são factores muito importantes, decisivos mesmo”, explica o responsável. No fundo, diz Nuno Tavares, os clientes da Tours For You procuram essencialmente “a unicidade da experiência”, o que leva a empresa a construir propostas à medida de cada cliente. “A tendência é cada vez menos preocuparmo-nos com “produtos pré-desenvolvidos” e cada vez mais, sermos fortes e preparados (em escala) para propostas 100% à medida, em que cada uma delas é realmente única”, refere o CEO da Tours For You. A maior parte dos clientes que procura a Tours For You é proveniente dos EUA e Brasil, mercados emissores fortes em turismo de luxo, ainda que a DMC receba também clientes de “um pouco por todo o mundo, da América Latina à Ásia, da Europa à Austrália”, o que exemplifica bem o interesse dos turistas internacionais pela oferta portuguesa. Mas, para Nuno Tavares, essa descoberta de Portugal pode vir também a ser um problema, uma vez que a popularidade do destino corre o risco de levar à sua massificação. “Quando tal existe, mas os recursos disponíveis não acompanham em quantidade, sejam recursos humanos de excelência, sejam infraestruturas de luxo (e não basta ter cinco estrelas para ser considerado um produto deste segmento), poderemos ter um problema no mercado de luxo, a prazo. Além de que o cliente de luxo, gosta de exclusividade, o que é desafiante com esta popularidade actual”, conclui.

Hotelaria com localização cinco estrelas

Como dizia Nuno Tavares, não basta ter um hotel de cinco estrelas para que seja considerado de luxo. Também na hotelaria o luxo é associado à exclusividade e, nos dias de hoje, há outro aspecto que tende a ser tão valorizado pelos turistas de luxo como a qualidade do serviço ou a dimensão dos quartos: a localização. A localização é, precisamente, um dos trunfos do Intercontinental Porto – Palácio das Cardosas, que se posiciona “no segmento de turismo de cidade, pois é o único hotel cinco estrelas de uma cadeia internacional no centro do Porto”, explica Eric Viale, director da unidade hoteleira. “O cliente InterContinental Porto – Palácio das Cardosas é aquele que procura destinos culturais e de cidade, que se quer deixar contagiar pelo espírito do destino”, refere o responsável, acrescentando que o facto do Porto ter sido eleito, já por três vezes, como melhor destino europeu, “tem gerado muita curiosidade internacional sobre a cidade, daí os clientes quererem conhecer o Porto”. Além da localização, o Intercontinental Porto – Palácio das Cardosas aposta também no serviço e no cuidado para com o cliente, sempre com o objectivo de “proporcionar uma experiência inesquecível” e até porque se tem vindo a notar que há “cada vez mais, uma atenção ao detalhe do serviço”. “Há vários factores que nos distinguem, mas é no nosso serviço e no cuidado para com o cliente que, sem dúvida, nos destacamos. Prova disso é que estamos nomeados para o prémio Condé Nast Johansens Awards na categoria de “Best Service”, refere. A localização é também um dos aspectos destacados por Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé, grupo hoteleiro nacional que, em 2013, inaugurou o seu primeiro hotel de cinco estrelas, o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, em Paço D’Arcos. “No grupo Vila Galé, este foi o primeiro hotel a ter a submarca Collection, que se aplica a unidades com localização premium, instaladas em imóveis históricos ou com um conceito diferenciador, mais requintado, personalizado e de elevada qualidade. E isso também diferencia esta unidade”, afirma. De acordo com o responsável, “quem escolhe esta unidade valoriza um serviço de qualidade e personalizado e pretende ter uma experiência diferente durante a estadia”, refere, explicando que são várias as motivações que se conjugam nesta unidade. “Desde logo, a localização do hotel, junto à Marginal, próximo de praias e que em 15 minutos permite chegar tanto ao centro histórico de Lisboa como a Cascais, tirando partido das boas acessibilidades”, destaca.

Edifício com história

Reza a história que foi da varanda do Palácio dos Arcos, onde está instalado o cinco estrelas da Vila Galé, que D. Manuel I viu partir as naus e caravelas portuguesas para os Descobrimentos. O edifício, que foi residência real noutros tempos, tem um passado histórico que, segundo Gonçalo Rebelo de Almeida, “é outro factor de atracção”. “A história do edifício, que resulta da reabilitação de um palácio do século XV e que está muito associada aos Descobrimentos, é outro factor de atracção. Nesta unidade, quisemos recuperar a tradição e, por isso, algumas peças do espólio original como pinturas, mobiliário, lustres e candeeiros foram restauradas e integradas na decoração”, explica o responsável. Na opinião de Gonçalo Rebelo de Almeida, é a junção de vários “aspectos diferenciadores”, como “a história do hotel e o sucesso do processo de reabilitação, o serviço de cinco estrelas, a localização e a atenção ao cliente”, que tornam o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos num hotel de luxo único. E único é também o Vidago Palace, unidade de cinco estrelas em Vidago, que se encontra igualmente instalada num edifício com história, um palácio com mais de um século, que foi totalmente reabilitado e que funciona actualmente como uma característica que diferencia o Vidago Palace “de todos os outros produtos de luxo a nível nacional”, segundo Jorge Almeida, director da unidade. “É um hotel com 107 anos de história totalmente renovado, mas mantendo a traça tradicional de um hotel de luxo “dos antigos””, sublinha o responsável. Segundo Jorge Almeida, os clientes do Vidago Palace “procuram descanso e tranquilidade num ambiente de luxo”. “O Vidago Palace sendo um ícone da hotelaria nacional e localizado geográfica e estrategicamente numa magnífica região, os seus hóspedes procuram a tranquilidade, explorar a beleza natural da região e a sua gastronomia”, considera, destacando ainda a “riqueza tremenda” que é o parque centenário que envolve o edifício, o Spa de águas termais e o Championship Golf Course como outros dos factores que tornam o Vidago Palace numa referência na hotelaria de luxo nacional.

Viajar em estilo

Mas o luxo chega também pelo ar. Com o início da operação da Emirates para Lisboa, em Julho de 2012, Portugal ganhou um novo factor de atracção para os turistas de luxo. A companhia aérea do Dubai é conhecida por oferecer um serviço de excelência a bordo e por contar com uma primeira classe digna de destaque. “A primeira classe da Emirates tem como inspiração o viajar em estilo, como se viajava há uns anos, quando havia companhias que realmente primavam por esse tipo de serviço a bordo. A Emirates pensa tudo ao pormenor e é exactamente esse sistema de qualidade que se destaca”, começa por dizer ao Publituris David Quito, country manager da Emirates em Portugal. Para a Emirates, “a qualidade define-se através de detalhes”, resume o responsável, dando como exemplo de detalhes que fazem a diferença “o catering a bordo, o serviço e a cabine privada”. A Emirates é, aliás, a única companhia aérea a operar em Portugal que oferece cabines totalmente privadas em primeira classe, num total de oito lugares por voo. David Quito considera que são “esses valores acrescidos à tarifa aérea que agregam valor à experiência de viajar em primeira classe”. “É, realmente, algo inesquecível porque aquilo que fica de uma viagem são exactamente os detalhes, os pormenores, a atenção, o facto da tripulação se dirigir aos passageiros pelo próprio nome, ter produtos de primeira qualidade e a própria cabine em si, que é algo completamente exclusivo”, acrescenta. O responsável revela que a companhia tem “tido muitos passageiros de primeira classe” na rota para Lisboa, para onde voa com um avião B777, que ainda não disponibiliza o bar e os duches a bordo, como acontece nos A380 da Emirates, espaços que fazem a diferença a bordo. “Nos A380 temos duches e a primeira classe tem capacidade para 14 passageiros. Temos duas cabines de duches, as pessoas têm um tempo limitado para tomar o duche, mas é uma experiência inesquecível. Além dos duches, o A380 também oferece um bar que é fantástico. Percebemos que há muitos passageiros que procuram este bar, até a nível de networking para conhecer outros passageiros. É uma experiência social muito engraçada”, explica o responsável.

Luxo também no mar

Viajar em estilo é também o que promete o MSC Yacht Club, um conceito exclusivo da MSC Cruzeiros, que funciona como “um espaço para quem procura um serviço de 6 estrelas”, para clientes que “desejam serviços diferentes e com níveis de exigência superior” e que está disponível em muitos dos navios da companhia que, em 2018, vão estar em Portugal. Introduzido em 2008, o MSC Yacht Club é, segundo Eduardo Cabrita, director-geral da MSC Cruzeiros Portugal, “uma área distinta e privada, localizada nos decks prestigiados no topo da proa dos navios e pretende oferecer aos viajantes uma experiência de cruzeiro de luxo, única e incomparável dum clube privado”. Actualmente disponível nos quatro navios da classe Fantasia da MSC Cruzeiros, no novo MSC Meraviglia, lançado em Junho, e no MSC Seaside, que estará disponível a partir de Dezembro, bem como nos restantes nove mega navios que a companhia vai receber até 2026, o MSC Yacht Club foi concebido para corresponder aos “viajantes que procuram exclusividade e privacidade”. “Os viajantes podem desfrutar de serviço personalizado com a maior elegância e luxo em alto-mar, desde suites luxuosas um serviço de mordomo 24 horas e um concierge dedicado a uma experiência exclusiva e privada que eleva a experiência de cruzeiro a um nível superior”, refere o responsável. Segundo Eduardo Cabrita, entre as características do MSC Yacht Club que mais agradam aos passageiros estão a “exclusividade e privacidade”, o que se traduz no check-in e check-out prioritários numa área dedicada, nas suites luxuosamente decoradas, no mordomo disponível 24 horas e no serviço de concierge exclusivo. Nas suites, os detalhes fazem a diferença e, por isso, a MSC Cruzeiros disponibiliza “lençóis de algodão egípcio e colchões com espuma de memória, para além de um menu de almofadas com uma extensa variedade”. Os passageiros MSC Yacht Club têm também acesso a áreas reservadas, como um restaurante privado, sem esquecer o The One Sun Deck e o Top Sail Lounge, o solário exclusivo e panorâmico dos navios da MSC Cruzeiros, que conta com piscina privativa e banheira de hidromassagem, bebidas ilimitadas em todas as áreas do MSC Yacht Club ou do mini-bar, e uma selecção de bebidas complementar em todos os bares e restaurantes a bordo. Prioritário para estes clientes é também o acesso ao MSC Aurea Spa, que conta com entrada directa na Área Termal dos navios, onde está disponível uma sala exclusiva MSC Yacht Club para massagem e tratamento. “Queremos proporcionar aos nossos clientes uma experiência de luxo, privacidade e conforto numa área exclusiva, ao mesmo tempo que possibilitamos o acesso a todo o entretenimento que acontece no navio”, explica Eduardo Cabrita. Por ano, a MSC Cruzeiros conta com cerca de duas centenas de passageiros portugueses a viajar no MSC Yacht Club, com o responsável a revelar que a companhia tem “registado um aumento da procura” desde que abriu escritório em Portugal, em 2010. “O mercado potencial para este nível de qualidade de serviços é cada vez maior em Portugal e no resto do mundo. É a derradeira experiência em exclusividade e privacidade”, considera o responsável. ¶

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