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ANA mantém prazo de conclusão do Aeroporto do Montijo em 2022

Por a 19 de Dezembro de 2017


Enquanto se aguarda a abertura do aeroporto do Montijo, Carlos Lacerda, presidente-executivo da ANA – Aeroportos de Portugal, numa entrevista por email ao Publituris, afirma que é possível fazer crescer a actividade do Aeroporto Humberto Delgado, mas é preciso “que haja um esforço conjunto de diversas entidades para que as condições deste crescimento estejam reunidas”.

Os operadores turísticos portugueses dizem que a estrutura aeroportuária de Lisboa foi responsável por grande parte dos atrasos verificados no Verão passado nas operações charters, mas também nas regulares. Reconhece que houve dificuldades de operação de Verão no Aeroporto Humberto Delgado?
Nos últimos quatro anos o Aeroporto de Lisboa cresceu 7,2 milhões de passageiros. Até ao final do ano iremos atingir 26 milhões de passageiros no Aeroporto Humberto Delgado. Lembro que nos oito anos anteriores o incremento tinha sido de 4,6 milhões de passageiros.
Temos vindo a fazer investimentos significativos no sentido de aumentar a capacidade para poder receber mais passageiros e responder à procura crescente.
Conhecendo aquela que tem sido a capacidade de evolução e adaptação do aeroporto, e antecipando períodos de maior tráfego, as equipas operacionais do aeroporto preparam com antecedência as fases de maiores fluxos.
Considerando as condicionantes, podemos dizer que a operação correu muito bem, com os ajustes normais de uma operação desta dimensão e com uma utilização como tem o Aeroporto de Lisboa, e que as equipas no terreno souberam reagir e adaptar os seus planos aos imprevistos que naturalmente ocorrem em períodos de grande afluência como o Verão.

Quais foram as medidas de contingência levadas a cabo no Verão?
Foram realizados vários investimentos e tomadas várias medidas, que não se cingem apenas ao Verão.
Para responder à procura de tráfego da tipologia ponto-a-ponto foi concebida e implementada uma solução que permitiu aumentar a capacidade de processamento do Terminal 2 em 33%.
Para reduzir os tempos de transferência de passageiros e bagagem, aumentando assim a eficiência do hub, foi criado um novo stand que permitiu que a “ponte aérea” possa ser feita de modo mais eficiente.
Foi ainda criada uma via de serviço entre stands que permitiu reduzir os tempos de deslocação do equipamento de assistência em escala entre plataformas centrais e o Terminal 1, resultando na redução de dois terços do tempo do percurso entre as plataformas centrais na zona das pistas e o terminal de bagagens para veículos que transportam passageiros, bagagem e outros serviços que impactam na rotação de aeronaves.
Adicionalmente, foi temporariamente encerrada a pista 17/35 respondendo à necessidade de espaço de estacionamento de aviões de maior porte, fundamentalmente para poder acolher a procura actual de tráfego no aeroporto de Lisboa.
Por fim, para aumentar a capacidade de processamento de bagagens em transferência foi criada uma nova linha de injecção de bagagem, o que permitiu aumentar a capacidade de processamento em 1.000 bagagens/hora.

Confirma que este ano, devido à saturação da capacidade do Aeroporto de Lisboa, irão ser recusados dois milhões de passageiros?
O Aeroporto Humberto Delgado está a operar perto do limite máximo de capacidade, com 90% dos slots ocupados. Mas o limite da capacidade de um aeroporto depende de vários factores. Para cada slot atribuído é avaliada a disponibilidade de pista, que reflecte a capacidade do espaço aéreo, mas também a capacidade dos espaços de estacionamento para os aviões, do check-in dos serviços de segurança, e serviços de fronteiras, entre outros.
Há que compreender que a capacidade de um aeroporto depende do nível de saturação de todas as partes e o que verificamos actualmente em Lisboa é que, dos slots recusados, o motivo quase exclusivo é por limitação de espaço aéreo. Este espaço aéreo por sua vez depende do volume de espaço disponível, da configuração do mesmo e das ferramentas disponíveis para o gestor do espaço aéreo, sejam sistemas e tecnologia, sejam recursos humanos.
O papel da ANA, enquanto parceiro privado de utilidade pública, é o de responder ao aumento da procura e da disponibilidade criada. Vamos estar disponíveis, como temos feito nos últimos anos com uma participação relevante do know-how que ampliámos com a VINCI Airports, para actuar no sentido de aumentar a capacidade aeroportuária na região de Lisboa.Enquanto decorre o processo de expansão aeroportuária da região de Lisboa, qual é o plano de contingência para fazer face à procura crescente?
A proposta da ANA Aeroportos de Portugal e VINCI Airports para a expansão da capacidade aeroportuária da região de Lisboa vai no sentido de desenvolver o Aeroporto Humberto Delgado e construir um novo aeroporto no Montijo. O calendário aponta para que o aeroporto do Montijo esteja operacional em 2022.
Durante este hiato temporal existe possibilidade de fazer crescer a actividade do Aeroporto Humberto Delgado relativamente ao que temos hoje até à abertura do aeroporto do Montijo, mas é preciso que haja um esforço conjunto de diversas entidades para que as condições deste crescimento estejam reunidas. Com essa expectativa, estamos desde já a adaptar a infraestrutura às necessidades que irão surgir no crescimento potencial de capacidade do espaço aéreo.
Para o futuro próximo estão já projectados investimentos, que deverão estar disponíveis já no Verão IATA 2018. É o caso da duplicação de canais de embarque de todas as portas Schengen do Terminal 1 que ainda não possuem esta facilidade.
É também o caso da criação de duas novas portas de embarque Não Schengen ou da instalação em curso de linhas automáticas no controlo de segurança, que permitirão aumentar significativamente o processamento de passageiros e a qualidade do serviço prestado. Dos investimentos previstos faz igualmente parte a renovação da zona de check-in.
Estes investimentos antecipam a necessidade de capacidade nos diferentes sistemas do aeroporto que decorrerá da disponibilização de mais espaço aéreo por parte das entidades responsáveis.
Estas necessidades demonstram claramente que o factor “tempo” é um elemento chave do projecto do Aeroporto do Montijo. Estamos constantemente a procurar soluções para responder ao que conhecemos sobre, entre outros, a evolução das frotas, das ligações e dos parâmetros operacionais das companhias aéreas (tempo de rotação médio dos aviões).

Aeroporto do Montijo
Na assinatura do Memorando de Entendimento entre o Estado e a ANA para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa foram referidos estes prazos: Até Novembro de 2017, serão completados os estudos ambientais já iniciados. Na primeira metade de 2018, serão concluídas a avaliação ambiental e a negociação contratual com a ANA. A minha questão é se estes prazos vão ser cumpridos? Em que fase se encontram?
O prazo final de conclusão do projecto mantém-se e a previsão é que o aeroporto entre em funcionamento em 2022. O calendário é o que já tinha sido definido anteriormente e não tem alterações. As partes envolvidas estão todas a fazer o seu melhor esforço no sentido de manter os prazos do projecto, e neste momento nada nos faz acreditar que estes prazos sofrerão alterações. A construção de um aeroporto é um projecto de grande complexidade que obriga ao cumprimento sequencial de inúmeras fases. O calendário provisório que aponta para o início de 2022 já está completamente optimizado.
Para já decorre a realização do estudo de impacto ambiental e só no final do mesmo – no primeiro semestre de 2018 -, se for favorável ao projecto e com a decisão política favorável se projectarão as intervenções necessárias na Base Aérea e na sua envolvente.

Quais os principais aspectos da proposta entregue pela ANA e pela VINCI Airports ao Governo para a extensão da capacidade aeroportuária de Lisboa?
A ANA Aeroportos de Portugal acredita que a proposta de aumento da capacidade aeroportuária serve os melhores interesses do País, da cidade e região de Lisboa, e da região a Sul de Lisboa, bem como os interesses dos passageiros e companhias aéreas. Desenvolvemos esta proposta inspirados por 3 grandes motivações.
A primeira tem a ver com o impacto económico no País. Um novo aeroporto, que aumente substancialmente a capacidade aeroportuária, é um catalisador de desenvolvimento económico, social e de inovação.
A nossa segunda motivação foi o poder da tecnologia. O comportamento dos consumidores mudou com a chegada da era digital. Estamos atentos à forma como podemos fazer parte desta realidade, tirar partido da mesma, e promovê-la. Queremos que este projecto materialize todas as oportunidades de evolução, aprendizagem, literacia e inclusão digital, tornando a vida de todos os que usam ou trabalham no aeroporto mais fácil e agradável e que o aeroporto promova empregos de maior qualificação, redefinindo o tecido social na sua área de inserção e estimulando a inovação tecnológica nacional. A terceira motivação tem a ver com o entendimento do impacto que causamos no meio que nos rodeia. Tudo o que fazemos tem consequências, pelo que estamos atentos e conscientes do resultado da nossa actividade e procuramos de forma activa ampliá-lo quando é positivo, e minimizá-lo quando é negativo. Esta atenção estende-se aos campos ambiental, social e económico.
Entendemos que a proposta de aumento da capacidade aeroportuária de Lisboa com o desenvolvimento do Aeroporto Humberto Delgado e um novo aeroporto no Montijo constitui a melhor solução porque combina a capacidade de endereçar as necessidades de “especialização” das operações hub e ponto-a-ponto viabilizadas em cerca de 4 anos, apresentando-se como a melhor resposta às necessidades prementes dos operadores.
Por outro lado, a solução Montijo será mais barata que qualquer outra solução e poderá ser financiada sem esforço dos contribuintes, ou seja, o financiamento será totalmente privado e assegurado pela via das taxas aeroportuárias que vierem a ser implementadas e comportadas pelos utilizadores do Aeroporto. A solução Montijo é também a mais rápida de todas as outras possíveis, desde logo porque no Montijo já temos uma pista e é mais rápido adaptar as condições daquela Base Aérea militar do que construir um aeroporto de raiz. Por outro lado, o facto de ficar mais perto de Lisboa, diminui em muito os investimentos necessários em acessibilidades.
Os próximos passos envolvem um trabalho de aprofundamento e detalhe das várias dimensões da proposta: vectores económico, técnico, de enquadramento geográfico, ambiental, entre outros. A proposta é só o primeiro passo do que sabemos que será um trabalho conjunto entre todas as entidades envolvidas, que continuará a correr com total empenho e com a atitude positiva que temos sentido até agora na solução, com vista aos objectivos da região e do país.

Resultados
Qual será o desempenho dos aeroportos portugueses em 2017? Quantos passageiros receberão no total?
No final do ano, o conjunto dos aeroportos portugueses deve ultrapassar pela primeira vez os 50 milhões de passageiros processados. No Aeroporto Humberto Delgado a estimativa até ao final do ano aponta que serão processados mais de 26 milhões de passageiros (mais 4,5 milhões do que em 2016). O Aeroporto do Porto está a crescer 16% e, no final do ano, ultrapassará os 10 milhões de passageiros, no Aeroporto de Faro o crescimento será superior a 15% tendo recentemente ultrapassado os 8 milhões de passageiros. Já o Aeroporto do Funchal ultrapassará, no final do ano, os 3 milhões de passageiros e os Aeroportos dos Açores apresentarão um crescimento de 20%.

Qual é o balanço que faz da operação da Beijing Capital Airlines entre Lisboa e Pequim? A operação começou com três voos semanais, com passagem a quatro no Inverno? Isso aconteceu?
O balanço é positivo. Temos trocado impressões com a companhia aérea e os resultados da operação estão em linha com as expectativas. Tratando-se de uma rota nova, para um mercado também ele novo, os primeiros sinais são animadores, mas importa não esquecer que estamos apenas no início e ainda longe de poder considerar esta operação como consolidada. Este é o momento em que será necessário trabalhar muito ao nível da promoção turística para garantir o crescimento da rota. Estamos a trabalhar em conjunto com os nossos parceiros do Turismo de Portugal e da BCA neste sentido. Está a ser analisada a possibilidade da evolução para 4 frequências, mas ainda não há uma data para avançar.

Foi noticiado que a ANA tinha interesse qua a companhia voasse também para o Porto? Isso poderá vir a acontecer?Acreditamos que o Porto tem um grande potencial e temos vindo a promover activamente o Aeroporto do Porto como destino para novos voos intercontinentais. Um exemplo deste trabalho é o recente anúncio da United que vai operar uma nova ligação diária a Nova Iorque. Temos apresentado o business case do Porto a várias companhias, entre elas a BCA, e temos vindo a falar com eles nessa possibilidade.

Como decorreu a operação charter com as japonesas Japan Airlines e All Nippon? Há possibilidade destas companhias terem voos regulares para Portugal?
Tal como foi anunciado a operação foi um teste pontual. O feedback que temos do operador é positivo. Gostaríamos de passar do teste para uma operação charter com uma duração mais alargada e estamos a trabalhar nesse sentido. A ideia é aumentar as operações, mas, de momento, não existem planos para voos regulares.

De que forma as operações turísticas charters podem vir a ser afectadas pelo crescimento da operação das companhias regulares?
Depende muito do contexto em que estamos a falar – Que mercados, com que nível de maturidade, que tipo de oferta turística no destino, etc.. A nível intraeuropeu assistimos, nos últimos anos, a uma evolução para um modelo cada vez mais híbrido entre a operação turística convencional e os voos regulares operados pelas low cost, resultando num modelo que vai ao encontro daquilo que o mercado procura. Ambas as partes têm vindo a adaptar os seus modelos de negócio. Mas não podemos esquecer que, em determinados mercados, as operações charter vão continuar a ter um papel relevante, veja-se o exemplo do Japão.

O que é que a ANA está a fazer para substituir os slots deixados pela Ryanair, com o cancelamento de voos, e pela falência da Monarch?
O negócio de gestão aeroportuária que a ANA Aeroportos de Portugal desenvolve passa por uma grande proximidade às companhias aéreas sendo determinante para a nossa actividade a colaboração estreita com todas as companhias aéreas. Mais que um cliente, as companhias aéreas são nossas parceiras e, necessariamente, o desenvolvimento da sua actividade tem impactos na nossa própria actividade. Naturalmente que acompanhamos com muita atenção estes movimentos que, até certo ponto, se podem considerar como uma parte na vida das empresas. Entendemos que estes movimentos acontecem nas companhias aéreas como noutros sectores, e respondem ao normal funcionamento do mercado. Tratam-se de ajustes de mercado e de medidas de gestão das companhias, e que têm a ver exclusivamente com os seus modelos de gestão e condições de mercado. Penso que estas medidas não produzirão efeitos a prazo na procura e desenvolvimento das regiões na sua globalidade. Pela parte da ANA, a nossa principal preocupação nestes casos é garantir que conseguimos minimizar os efeitos negativos para a nossa actividade, quer a nível operacional, quer a nível comercial.

Qual é o tempo médio de espera no SEF no aeroporto de Lisboa? Reconhece que é preciso haver uma melhoria do tempo de espera à entrada da fronteira?
Houve um reforço de efectivos do SEF e a situação tem vindo a melhorar. A ANA Aeroportos de Portugal e a VINCI Airports continuarão a desenvolver esforços no sentido de trabalhar com o SEF para serem atingidos os níveis de serviço que acreditamos serem os que devem ser praticados no Aeroporto Humberto Delgado.

Qual é o impacto da saída da easyjet do aeroporto de Ponta Delgada?
Tratou-se de uma medida de gestão da easyjet. Acredito que o eventual efeito será absorvido e normalizado sem prejuízo do desenvolvimento a prazo do Aeroporto João Paulo II e da Região Autónoma dos Açores.O Algarve está muito dependente das acessibilidades aéreas para diminuir a sazonalidade do destino. Neste campo, o que a ANA está a fazer?
Está em curso uma diferenciação de taxas aeroportuárias no sentido de acompanhar e reforçar os esforços para a atenuação da sazonalidade tão característica daquela zona.
A ANA está a colaborar activamente com as entidades regionais no sentido de promover o destino “Algarve” em mercados maduros e potenciais e a desenvolver e diversificar o produto turístico na medida da intervenção possível enquanto gestor de infraestruturas aeroportuárias.

*Entrevista publicada no jornal Publituris  (edição 1356, de 24 de Novembro)

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