CTP: “Precisamos de mais anos como este”

Por a 25 de Novembro de 2017 as 6:12

2017 está quase a terminar e os últimos resultados dos vários indicadores confirmam que vai ser um ano recorde no Turismo.
Mas Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português, no encerramento do XLIII Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), deixou um aviso: “As receitas de 2017 são neste momento equivalentes às de 2007, ou seja, não nos podemos esquecer do período muito atribulado pelo qual passámos. Período esse que atingiu e muito as nossas empresas”. Neste âmbito, para o presidente da CTP são necessários muitos mais anos como 2017 para “consolidar as nossas empresas que estão bastante depauperadas”.
Apesar das perspectivas gerais do sector serem positivas para o próximo ano, a CTP demonstra alguma preocupação, sendo bastante crítica em relação às medidas do Governo no Orçamento de Estado para 2018. “Estamos preocupados com o Orçamento de Estado. Pensamos que se perdeu mais uma oportunidade de se fazerem importantes reformas”. Para o responsável da confederação não se está a ter em conta uma das principais regras da economia “só se pode distribuir aquilo que se tem”, fazendo alusão ao aumento das pensões e ao descongelamento de carreiras na função pública: “estamos a falar num aumento de despesa de mais mil milhões de euros”. “Penso que seria mais ajuizado conseguir primeiro conseguirmos ter os resultados e depois então distribuir”, sublinha.
Calheiros relembrou ainda que não está prevista qualquer reforma do Estado: “Somos empresários e sabemos bem o que temos feito nos últimos dez anos nas nossas empresas, as alterações profundas que as nossas empresas têm vindo a sofrer e o que é que vimos no Estado? O que alterou na Justiça? Na Segurança Social? Na Educação?”
“A única alteração que vislumbrámos no Orçamento de Estado é que a velha regra de quando saem dois funcionários públicos entra um, aumentámos e agora já podem entrar dois quando saem três, já podemos aumentar a despesa”, exemplificou.
No que diz respeito ao apoio às empresas, o presidente da CTP destacou que as confederações tentaram mas “muito pouco se conseguiu”, havendo mesmo medidas, como a descida do IVA, que não obtiveram eco. Francisco Calheiros alertou que as empresas não têm capacidade para fazer face a aumentos fiscais, sobretudo quando o índice do investimento está a ter uma performance negativa. “Para haver investimento, estar a aumentar a carga fiscal, é exactamente o contrário do que devíamos dar que é o desagravaremos da carga fiscal”, releva.
Quanto ao IVA sobre o MICE (Meetings, Incentives, Congress and Events), Calheiros frisou que esta é “uma luta que não podemos perder”, realçando que a confederação relembra sempre o tema aquando de cada reunião de Concertação Social. “Na última reunião, onde esteve o ministro Mário Centeno tivemos mais uma vez a insistência de dizer e explicar o que é o erro de não haver esta dedutividade do IVA no MICE e a falta de competitividade que isto é para o nosso País”, reforçou.
Quanto às últimas notícias que dão conta da possibilidade do aumento do salário mínimo nacional, o presidente da CTP salientou a preocupação dos empresários sobre este tema.

*Em Macau a convite da APAVT

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