destaque

Aumento de oferta no interior na mira da Luna Hotels

Por a 24 de Novembro de 2017


Ao longo dos últimos anos, a cadeia hoteleira liderada por José Lourenço dos Santos, que celebra 25 anos em Janeiro de 2018 e já tem cinco mil camas, tem incorporado vários hotéis no seu portefólio um pouco por todo o País. Nos próximos tempos promete três novas integrações e uma nova incursão internacional, concretamente em Marrocos.


Actualmente, a Luna Hotels & Resorts conta com 15 unidades hoteleiras em Portugal, com especial destaque para a região do Algarve onde se encontra a maioria e uma em Angola. José Lourenço dos Santos, presidente do conselho de administração da cadeia hoteleira, explica ao Publituris a estratégia da Luna Hotels para os próximos tempos.

Que balanço faz destes 25 anos que celebram em Janeiro de 2018?
Tem sido gratificante e trabalhoso também, como é óbvio. São 25 anos dedicados, com grande empenho, no qual também tenho uma grande equipa que me acompanha, muito profissional. Tenho profissionais que me acompanham ao longo desses 25 anos. Tentamos sempre melhorar e encontrar oportunidades de negócio que vão engrandecendo a empresa, apesar de, existirem ciclos como os que vivemos há relativamente pouco tempo, também já temos atravessado dificuldades. Como sabemos o Turismo é uma actividade muito vulnerável e há situações, principalmente no Algarve, em que é muito sazonal, e temos altos e baixos, mas o saldo é positivo. Estou bastante satisfeito por tudo o que tem sido feito até hoje.
Nos últimos três anos, a Luna Hotels integrou várias unidades hoteleiras no seu portefólio. Como surgiram estas oportunidades?
Houve uma estratégia que definimos que era melhorar o nosso produto. Tínhamos unidades já com alguma idade e antiquadas, remodelámos aquelas que entendíamos que tinham potencial e que, devido à sua localização, também eram produtos interessantes. Algumas unidades que temos são nossas, somos proprietários, outras são arrendamentos, que fazemos gestão. Fizemos também uma opção, incorporámos outras unidades que entretanto também apareceram no mercado, até mesmo fora dos grandes centros urbanos, mesmo no Algarve. Neste momento temos um hotel em Arcos de Valdevez e em Abrantes também, onde recuperámos o emblemático Hotel Turismo de Abrantes, que estava fechado há alguns anos e reabriu em Junho. Estamos também a estudar possibilidades noutros pontos do País. Tem sido notória a procura que tem ocorrido para o interior. Conhecia mais o litoral, mas por esforço de todos estes negócios que temos feito nos últimos anos tenho viajado pelo interior e realmente há um potencial incrível para o Turismo no interior do País. Ficámos também com um contrato de exploração dos hotéis da Serra da Estrela. Somos dos poucos no País que tem produto neve no nosso portefólio (quando há), mas está muito composto. Estamos, inclusive, neste momento, a negociar outras unidades no interior do País. Obviamente, que Lisboa e o Porto são os pontos mais interessantes, mas também são aqueles que estão extremamente caros. Tivemos oportunidades no passado de fazer alguns negócios, só que julgámoss que seria sempre aquela opção para mais tarde ver e adiámos. Quem aproveitou, fê-lo bem e é uma coisa pela qual nos penitenciamos, não termos feito essa opção.
Apesar de Lisboa e do Porto estarem com preços mais elevados, mantêm intenções de ter um hotel nestes destinos?
Sim, estamos em contacto, mais em Lisboa. É algo que estamos a equacionar e poderá acontecer nos próximos cinco anos. Ao longo destes 25 anos, tivemos sempre uma opção de ou comprar unidades que estavam quase prontas ou mesmo concluídas e algumas já a funcionar. Não temos nenhuma vocação, contrariamente ao que acontece noutros grupos hoteleiros, de construção, é mais da operação hoteleira. Construir um hotel não é o que me desperta mais interesse, prefiro operar o hotel do que construí-lo. Chegamos à conclusão de que realmente ou compramos feito e por um preço extremamente elevado; ou aproveitamos uma estrutura, que se adapte, ou um terreno e construímos de raiz, é sempre mais barato.
Quantos dos 15 hotéis são em propriedade?
Temos oito em propriedade e sete em gestão. Há unidades em que temos uma parte e em que os proprietários estão integrados na exploração hoteleira também, como o caso dos aparthotéis.

Interior

O Governo lançou um repto para os empresários investirem mais no interior do País. Considera que existem oportunidades? Por onde é que poderá passar o futuro da Luna Hotéis no interior do País?
Quando fizemos a inauguração do Hotel de Abrantes, o primeiro-ministro fez esse destaque e realmente era um hotel que estava ali abandonado. Está numa localização muito boa e Abrantes precisava de uma unidade, pois temos de entender que as pessoas só se deslocam para um sítio onde tiverem condições para ficar, para se hospedarem. Hoje em dia, muitas das zonas do País onde as pessoas não se fixam por algum tempo é porque não têm esse tipo de acolhimento, de facilidades. Obviamente que se for uma unidade de uma empresa isolada terá alguma dificuldade em sobreviver, se for um grupo terá sinergias. Nota-se que alguns dos principais grupos hoteleiros portugueses que estão a encarar e a ir por essa linha de estratégia. Temos já em andamento a recuperação do hotel de Tábua. Trata-se de uma unidade que está fechada há cerca de dois, três anos. Creio que as obras de recuperação poderão iniciar-se durante a Primavera do próximo ano. Há também a possibilidade de outros hotéis, mas estamos em contactos e negociações, por isso ainda é prematuro. Mas haverá pelo menos mais três hotéis que irão entrar entre 2018/2019, mais no interior do País, no Centro de Portugal.
No que diz respeito ao hotel Turismo de Tábua, como surgiu esta oportunidade e no que vai consistir?
Este era um hotel que pertencia ao Turismo Fundos e que negociámos um arrendamento por 25 anos com opção de compra, como o que aconteceu com o de Abrantes. A ideia é recuperar o hotel e a seguir adquiri-lo. O arrendamento será o primeiro passo, o segundo a aquisição. Em Abrantes, o hotel é um edifício antigo e está um hotel muito agradável. O de Tábua será um hotel mais tradicional, iremos posicionar nas quatro estrelas e terá 75 quartos, será uma unidade corporativa, mas também de lazer. Não será um hotel estilo boutique, porque as características do hotel não o permitem.
Com estes investimentos a Luna Hotels fica com uma presença em quase todo o território nacional?
Sim, a nossa estratégia é ir instalando unidades ao longo do País, onde as oportunidades surgirem.

Remodelações

Ultimamente, têm apostado muito na remodelação das unidades existentes?
Sim, apostamos muito em melhorar o produto, porque o cliente de hoje é bem exigente. Há poucos anos existia alguma escassez de procura e os hotéis vendiam mais barato, mas com taxas de ocupação mais elevadas. O cliente aí tinha requisitos de menor rigor, menos exigência. Hoje em dia, temos um cliente mais exigente, as unidades têm de estar mais preparadas. Há aqui uma alteração de paradigma, procuramos que o nosso produto seja comercializado em segmentos e nichos de mercado, mas com preços mais elevados e que haja também uma correspondência do produto. Isso obriga-nos a reformular todo o produto, daí a necessidade de remodelar as unidades e colocá-las a um nível superior ao que estava anteriormente. O cliente antigamente preocupava-se com o preço, hoje já há clientes que não procuram só preço, procuram também qualidade e, como tal, também pagam mais, logo exige mais e estamos a analisar permanentemente tudo isso. O entendimento que o cliente tem sobre cada um dos produtos também obriga a adaptá-los, a monitorização desse tipo de reacção do cliente em relação ao produto é o que nos ajuda a direccionar-nos ou a mudar o produto para ir ao encontro daquele segmento que o procura.
Quanto estão a investir em remodelações e quantas unidades estão nesse processo?
Renovamos praticamente todos os anos, particularmente aquelas que estão no Algarve, que têm um maior desgaste. Em Junho adquirimos uma unidade hoteleira, o Solaqua, que apesar de ser recente não nos identificamos com aquele tipo de unidade, logo fechou para ser remodelada. Encerrou no dia 15 de Novembro e irá funcionar a partir de meados ou finais de Fevereiro. Além dessa, temos o Miramar, que já sofreu uma remodelação ao nível de zonas públicas e vamos entrar na remodelação ao nível de apartamentos e da zona da piscina e toda a zona envolvente. Será feita uma remodelação bastante grande. Em Vilamoura, no Olympus também será feita uma remodelação. Vamos optando por aquilo que entendemos que é de maior necessidade. No ano passado, fizemos nas áreas públicas e este Inverno vamos encerrar a unidade para fazer essa remodelação mais profunda. É um investimento de 2,5 milhões de euros, só em remodelações.
Relativamente às unidades da Serra da Estrela, cuja gestão acontece há um ano, vão sofrer alguma remodelação?
Sim, são unidades que já têm alguns anos e necessitavam. Fizemos algumas alterações no Luna Hotel dos Carquejais, fizemos toda a pintura e recuperação do hotel, como alcatifas. No Luna Hotel Serra da Estrela, está para aprovação na Câmara Municipal a construção de uma piscina que faz falta para haver captação de clientes também no Verão, para tentar que aquele seja um produto que se adapte tanto ao Verão como ao Inverno, porque também é agradável passar o Verão na Serra, mesmo sem neve. Está em estudo, já fizemos uma remodelação, desde alcatifas, a questão da Internet, entre outras.
As unidades da Serra da Estrela saem um pouco do perfil de unidades que integravam o vosso portfólio, porquê este novo produto dentro da Luna Hotels?
Foi um contacto que tivemos, perguntaram-nos se estávamos interessados. Quem estava a fazer a gestão das unidades era a Turistrela, que não tem vocação hoteleira. Consideraram que todo o negócio das pistas era mais interessante e que a parte hoteleira era muito trabalhosa e que não tinham vocação para ela. Então contactaram-nos e chegámos a um entendimento.
E a nível internacional, por onde passa o futuro da Luna Hotéis?
Eventualmente, por Marrocos, concretamente Marraquexe. Já há alguns anos que temos tido alguns contactos e pensamos que muito provavelmente nos próximos meses poderemos fechar um negócio. É um país que não é fácil, mas tivemos algumas intenções. Angola e Moçambique também nos ocuparam durante algum tempo, mas creio que nos próximos meses possa acontecer isso.

Balanço

A nível operacional, que balanço faz da operação das unidades em Portugal este ano? E quais as que mais se destacam dentro do vosso portefólio?
Crescemos muito acima dos dois dígitos. Houve, efectivamente, uma procura superior aos anos anteriores, temos vindo a crescer e isso é transversal a todo o País. A operação do Algarve foi bastante positiva, só que o positivo que foi não pode ser medido apenas por aquilo que facturámos, mas por tudo aquilo que acabamos por gastar e principalmente pelo desgaste, que é a falta de qualidade que não conseguimos dar ao nosso cliente. Um dos grandes problemas, e já referi a pessoas responsáveis até pelo Turismo de Portugal, que estamos a atravessar e, a meu ver, penso que se irá agravar, é a situação dos recursos humanos.
É esse um dos grandes desafios do sector hoteleiro?
Não temos mão de obra disponível para satisfazer neste momento a procura. E começa a haver já alguma disputa entre os grupos hoteleiros para recrutar o mais cedo possível, só que o problema é que depois há uma migração muito grande entre a própria época alta em que as pessoas começam a dar formação e a contratar cedo, mas, depois, quando chega a Abril/Maio, acabam por ter ofertas de trabalho superiores ou até de bares ou restaurantes que abrem por um mês ou dois meses e acabam por levar as pessoas para aí. Também já houve aqui uma tendência que penso que terá de ser repensada no futuro, que são as empresas de trabalho temporário, que vieram de certa maneira satisfazer aqui uma vontade, que me parece a mim que não é muito lógica, da mão de obra disponível. As pessoas hoje em dia não se fixam numa empresa para fazer um contrato de trabalho de seis ou oito meses, as pessoas preferem trabalhar cinco ou sete dias num mês num sítio e depois mais dez noutro, e acabamos por ter alturas de época alta de maior necessidade, em que pedimos pessoal para um restaurante e as pessoas se calhar nunca entraram num restaurante ou pedimos pessoas para os quartos e não têm a mínima ideia do que é um quarto. Isso cria um constrangimento brutal nos serviços hoteleiros que estamos a prestar e acaba por contrariar aquilo que é a retoma que temos no Turismo. Temos efectivamente uma retoma, estamos a facturar mais e temos melhores turistas, mas depois não estamos a acompanhar com serviço e isso pode castigar-nos no futuro, principalmente quando destinos concorrentes que ‘fecharam’ recuperarem, porque têm mão de obra muito barata e abundante. Os recursos humanos penso que são o principal desafio que temos pela frente, porque, depois, a distribuição está muito bem organizada, hoje é muito fácil abastecer os hotéis. A hotelaria também tem uma componente de mão de obra muito intensa, é uma indústria de mão de obra intensiva, portanto não há nada que substitua. Porque a hotelaria já paga preços bastante altos em relação a outras actividades, a questão é que as pessoas têm de estar em permanente formação, vão evoluindo e depois é a procura que é muito grande e depois acabam por competir e já se fazem jogos de recursos humanos. ¶

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *