Empresários do sector atenuam efeitos do Brexit mas alertam para recuperação de destinos concorrentes

Por a 7 de Novembro de 2017 as 22:35

A WTM Londres termina esta quarta-feira no Reino Unido, onde estão cerca de 80 empresas portuguesas e sete regiões nacionais a promoverem-se junto daquele que é o principal mercado emissor internacional de Portugal, que até Agosto deste ano cresceu 13,6% em receitas turísticas.
Uma das principais conclusões que os empresários portugueses retiram do seu contacto com os players britânicos  naquela que é uma das maiores feiras internacionais de turismo é que, mesmo com o Brexit, os turistas britânicos vão continuar a viajar para Portugal. Contudo, alertam, o crescimento não será o mesmo que nestes últimos anos.
Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador dos Hotéis Vila Galé, considerou ao Publituris, à margem da WTM Londres, que o mercado britânico continua a ser o principal mercado internacional das unidades da cadeia hoteleira em Portugal, mas “não cresceu contrariamente ao que aconteceu com outros mercados, como a Alemanha, França, o próprio Brasil e os EUA”, mesmo assim “continua a ser o primeiro, mas está mais ou menos estável”.
“As perspectivas que temos são de continuar assim, não se prevê grande crescimento no mercado inglês, há alguma estabilização, nalgumas zonas houve alguma diminuição”, indica, como é o caso do Algarve. “Com esta situação da desvalorização da libra admito que possa ter havido alguma perda de poder de compra, portanto, os britânicos não têm crescido tanto mas os números também são mais elevados”, explica.
João Luís Moita da CITUR considera que se se verificar uma maior flutuação entre a libra e o euro que se pode vir a “influenciar negativamente  as vendas para o nosso país. Se a libra desvaloriza e, se por outro lado, os preços para Portugal também sobem, e têm apetências para continuar a subir, os ingleses perdem algum poder de compra. Aí pode ter algum efeito penalizador”. Também Mário Assis Ferreira, dos NAU hotels & Resorts, julga que “o argumento Brexit está a ser usado muitas vezes para justificar por parte de operadores turísticos uma tentativa de resistir à subida de preços, porque os efeitos efectivos do Brexit ainda não são totalmente perceptíveis na economia. O que se antevê neste momento são possíveis efeitos, mas os efeitos ainda não estão aí, com a excepção da desvalorização da libra é o único efeito real”.
Para Manuel Guedes de Sousa, director de vendas e marketing do Palácio do Estoril Hotel,  “o Brexit não se sentiu nada, talvez um bocado no mercado de lazer, mas nos mercados de MICE, que ainda era o que tínhamos um pouco mais de medo, antes pelo contrário, as coisas funcionam normalmente. Felizmente para nós não há muitas alternativas de destinos e Portugal continua a beneficiar disso, portanto tem sido um ano óptimo em todos os segmentos, do lazer, do MICE, do golfe que é um mercado também importante”.

Regresso de destinos concorrentes 

Na WTM Londres sentiu-se o regresso em peso de concorrentes directos de Portugal no que ao Turismo diz respeito, como é o caso da Grécia, Turquia e Egipto.
Mário Assis Ferreira, NAU Hotels & Resorts,  explicou ao Publituris que está “tão receoso pelo efeito do Brexit” como está “com o regresso de destinos que nos últimos anos estiveram um pouco afastados da contratação. Esse sim, parece-me que vai ter efeitos em 2018”.
É exactamente  esta questão da desvalorização da libra que António Trindade, CEO dos PortoBay Hotels & Resorts, aponta que será uma oportunidade para outros destinos concorrentes. “Não é uma grande alteração que se irá produzir com o Brexit a menos que, por um lado a libra desvalorize e concomitantemente outros destinos possam eventualmente desvalorizar para acompanhar a tendência da libra”, assinalou, referindo que  “para o próximo Verão, o que  o mercado está a dizer é que há um boom de reservas para a Grécia enorme. (…) Gera aqui uma nossa necessidade de olhar para o Leste do Mediterrâneo”.
Também Frederico Costa, administrador das Pousadas de Portugal, alertou para o facto dos ciclos se repetirem: “Penso que provavelmente estamos a aproximar-nos, se é que já não chegámos ao pico do crescimento. Se assim o é, para o ano, havemos de crescer mas já não de crescer aos dois dígitos como nós crescemos.” O responsável refere que existem alguns sinais aos quais se devem estar atentos, como é o caso da recuperação da Grécia, da Turquia, entre outras situações que impactam a procura para Portugal, como a questão da Monarch: “Alguma coisa vai mudar e vai influenciar os resultados da procura para  Portugal”. No entanto, aponta ainda que “não há também nenhum sinal forte o suficiente para se dizer que vamos entrar em crise no mercado britânico, não vamos”. Frederico Costa julga que o mercado britânico vai estar “mais sensível ao preço do que foi no passado, porque vai haver mais escolha. A leitura que faço é uma desaceleração do crescimento. Se antes crescíamos a dois dígitos, agora vamos crescer a um dígito. 
Por sua vez, Manuel Guedes de Sousa acredita, que apesar da recuperação de destinos concorrentes ao nosso País, Portugal conseguiu “conseguiu fixar bem os clientes que conseguiu ganhar” nestes últimos anos.

Um comentário

  1. João Martins Vieira

    8 de Novembro de 2017 at 9:33

    A resiliência da nossa oferta de serviços turísticos permite-nos adaptar a variações conjunturais e estruturais da procura. A solução é simples: reduzir os custos fixos, adaptar os custos variáveis, reduzir o custo médio do capital (próprio e alheio),procurar novo “optimal mix”, renegociar prazos de pagamento, apoiar a exploração em mercados cativos e reduzir impostos e taxas sobre o verdadeiro imobiliário turístico.

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