Operadores turísticos criticam saturação do aeroporto de Lisboa

Por a 15 de Outubro de 2017 as 18:21
Aeroporto de Lisboa

Os operadores turísticos portugueses estão fartos das limitações impostas pela “saturação do aeroporto de Lisboa”, acusam a estrutura aeroportuária de ser responsável por grande parte dos atrasos verificados no Verão passado e pedem urgência na criação de uma alternativa ao Aeroporto Humberto Delgado.

“Neste momento, apesar de temos um boom na nossa actividade, no outgoing mas também no incoming, vamos ter que lidar com um aeroporto de Lisboa saturado. A abertura de uma alternativa vai ser muito positiva para a nossa actividade”, afirmou Fernado Bandrés, director de Operações da Soltrópico, durante o primeiro painel da 13.ª Convenção Nacional do Grupo GEA, que decorreu este fim-de-semana, em Viseu.

As dificuldades provocadas pela saturação do aeroporto de Lisboa marcaram grande parte do debate, tema lançado por Nuno Mateus, director-geral da Solférias, que começou por afirmar que a operação turística tem “um problema que se chama aeroporto de Lisboa”.

“Em Lisboa atingimos um limite e, neste momento, não é segredo para ninguém que há muitas operações e muitas companhias aéreas que querem voar para Lisboa e não conseguem, porque não há disponibilidade”, sublinhou Nuno Mateus, considerando que “o elo mais fraco acabam por ser os charters”.

Apesar de admitir que, no caso da Solférias, que reserva os slots com um ano de antecedência, os voos “correram magnificamente”, “à excepção de uma avaria que houve num voo”, Nuno Mateus critica os atrasos que ocorreram este Verão com outros operadores e diz que “nada justifica que um voo que era de manhã passe para a tarde, isso é completamente inaceitável”.

“E qual é a alternativa? Se é o Montijo, que seja o Montijo, mas que se faça alguma coisa, eu subescrevo”, acrescentou o responsável da Solférias, dizendo que os atrasos causam “mal-estar nos clientes e nas agências”.

A necessidade de uma alternativa a Lisboa foi defendida pelos quatro operadores presentes no debate, com Diamantino Pereira, director-geral da Barceló Viajes em Portugal, a queixar-se também de “alguns problemas” e a acusar o aeroporto lisboeta de “manifesta falta de operacionalidade”.

“É um drama ver os aviões na placa e sabemos que estão 50 ou 60 pessoas nas filas de segurança. Isto às vezes acontece e impede o embarque, pelo que o atraso é inevitável e, por vezes, basta 10 ou 15 minutos para se perder o slot”, lamentou o responsável.

Já António Gama, presidente do Conselho de Administração da Nortravel, destacou que “ninguém pode esperar que a pressão do turismo não possa ter uma influência na dificuldade em resolver problemas que vão surgindo pelo excesso de pressão do negócio”.

Além das dificuldades provocadas pelo aeroporto de Lisboa, os responsáveis lamentaram também os problemas a nível operativo, com Fernando Bandrés a destacar “a falta de aparelhos” como outra das principais condicionantes.

 

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