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Açores de vento em popa

Por a 18 de Julho de 2017


O destino tem recebido as mais diversas distinções no que ao Turismo diz respeito e os resultados estão à vista. Apesar do recente mediatismo, os Açores são ainda a segunda região de Portugal que menos recebe dormidas de turistas. Qual o caminho do destino e respectivos desafios para um crescimento sustentável?

Nos quatro primeiros meses de 2017, a Região Autónoma dos Açores cresceu 17,6% no número de dormidas, um total de 401,5 mil dormidas, das quais 213,5 mil foram realizadas pelo mercado interno. No que diz respeito aos proveitos totais, em Abril de 2017, os Açores destacaram-se pelo crescimento de 38,5%, num total de 6,8 milhões de euros, ainda longe dos 91,3 milhões de euros da Área Metropolitana de Lisboa ou dos 21,2 milhões da região Centro, por exemplo, segundo dados do INE referentes ao primeiro quadrimestre de 2017.
Apesar do Turismo no arquipélago estar a dar passos largos no crescimento de dormidas de turistas, bem como nos proveitos, há ainda um longo caminho a percorrer.
Para a secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, “o Turismo dos Açores vive actualmente um dos melhores momentos da sua história, assumindo uma identidade turística muito mais fortalecida e atingindo níveis de crescimento muito superiores aos registados no passado”. No entanto, alerta, “agora mais do que nunca, há necessidade de acautelar e assegurar a manutenção dos níveis de sustentabilidade que elevam a nossa atractividade e valorizam a nossa imagem como Destino Turístico de Natureza”. É com este propósito que a Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo aposta numa estratégia que assentará no PEMTA – Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores, “enquanto ferramenta de trabalho fundamental para a abordagem que será feita ao sector, nos próximos anos, ao nível do marketing e comunicação”.
Marta Guerreiro explica que os seus principais objectivos são “alavancar a notoriedade dos Açores junto dos consumidores finais; posicionar a Região como um destino exclusivo de natureza exuberante; promover a cooperação permanente entre os intervenientes públicos e privados na sua execução; melhorar a competitividade do destino e aumentar os fluxos turísticos, tendo de forma subjacente a salvaguarda da sustentabilidade económica, ambiental e sociocultural do território”. “Mais do que um balanço, preferimos olhar sempre para o futuro”, ressalva.
Atrair turistas para o destino é prioritário, mas não será a qualquer custo. Marta Guerreiro deixa bem claro que “não somos, nem pretendemos ser, um destino de massas”, mas identifica que “temos ainda ampla margem para crescimento através dos mercados potenciais”. “Cada vez mais, se verifica um aumento generalizado da procura turística por destinos seguros, com beleza mística, capazes de proporcionar tranquilidade e experiências únicas, com grande preocupação pelas questões de sustentabilidade económica, cultural, social, mas sobretudo ambiental. Estas são também algumas das razões que levaram ao crescimento turístico de um destino como os Açores, que enquadra amplamente este fenómeno da procura turística mundial”, refere.
A secretária Regional acrescenta ainda que “em 2016, afirmámos que 2017 seria um ano preponderante para a manutenção do crescimento da actividade na Região, sendo esse o nosso foco de actuação. Acreditando nisso, até porque os resultados estão à vista, continuamos empenhados a transmitir à sociedade açoriana as externalidades positivas proporcionadas pelo desenvolvimento do sector do Turismo, enquanto motor de desenvolvimento económico, social e cultural dos Açores”.
Para já, a Associação de Turismo dos Açores, o Turismo de Portugal e a ANA estão a trabalhar em conjunto para a negociação de rotas futuras para o arquipélago, “trabalho este que, atendendo à antecedência com a qual as companhias planeiam as suas rotas, constitui um investimento a médio prazo”, recorda a responsável. “Em termos gerais, regista-se uma evolução positiva no Turismo dos Açores, transversal a todas as ilhas, o que significa que os turistas estão a chegar às nove ilhas do arquipélago, quer seja através do aumento do fluxo dos voos externos, quer seja por via dos reencaminhamentos inter-ilhas”. Neste sentido, complementa, “temos também vindo a reforçar a conciliação da utilização dos transportes aéreos e marítimos, em pacote, de forma a facilitar a movimentação dos turistas na região. Rentabilizar as infraestruturas portuárias e as actividades turísticas conexas e complementares, relacionadas com o Turismo náutico e de cruzeiros são também uma prioridade”.

Lacunas
O Turismo nos Açores tem de facto verificado crescimentos significativos, um resultado que advém, segundo José Romão Braz, CEO do Azoris Hotels & Leisure, “do trabalho feito e desenvolvido por todos na Região, permitindo-nos finalmente trabalhar o Turismo com outra dinâmica”. No entanto, este crescimento também traz novos desafios como a sustentabilidade do destino, aponta o CEO da Azoris Hotels & Leisure. “Parece-nos que há que ter cuidado com os apoios a conceder às novas unidades, pois deverão ir no sentido de respeitar a natureza e o correcto enquadramento paisagístico. Temos que prestar especial atenção à preservação da natureza, dos espaços e da cultura, bem como à contínua satisfação e fidelização daqueles que nos visitam. Sem a gestão destes pontos, será difícil mantermos o cenário positivo que se vive actualmente no Turismo, pelo que, é fundamental trabalharmos todos no melhor sentido”, indica. Para o responsável há que optimizar a ligação ao triângulo Faial/Pico/São Jorge e entre as nove ilhas, “permitindo ao turista visitar e conhecer a beleza natural, cultura e gastronomia características de cada ilha”.
Já Francisco Moser, Managing Director da DHM – Discovery Hotel Management, considera que deviam ser tomadas medidas de “combate à sazonalidade, fomentando os fluxos turísticos nas épocas baixas”, sem que pôr em causa “a fundamental sustentabilidade” do destino. “Deviam igualmente ser feitos esforços de captação de mercados de alto valor”, remata.
O presidente das Casas Açorianas, Gilberto Vieira, considera que, de facto, é indiscutível que “após duas décadas de trabalho intenso na divulgação do destino Açores, com todas as suas atractivas características diferenciadoras, complementada com um novo modelo de transporte aéreo que foi sendo trabalhado com objectivos bem claros, os Açores surgiram, quase repentinamente, como um destino de eleição, que toda a gente procura”. Porém, esse êxito “repentino”, descreve, “encontrou-nos com lacunas, nomeadamente ao nível da qualidade de serviço em alguns sectores já instalados, mas também ao nível de novos estabelecimentos e serviços que eram praticamente inexistentes entre nós e que se lançaram no negócio proporcionado pelo “boom” de procura que se verificou, nos últimos anos”. Além das melhorias que podem ser efectuadas nestas áreas, o responsável das Casas Açorianas indica que “a preocupação começa a ser já a sustentabilidade desta oferta, desde os espaços de fruição à garantia da manutenção da nossa identidade cultural, simples ou, noutros casos, mais erudita, com raízes históricas de vivências e práticas, que tanto apreciam os que nos visitam”. E alerta: “A adulteração destas características pode ser fatal para a credibilidade do destino Açores.”
Do lado do Governo Regional, considera-se que “qualquer que seja a estratégia a adoptar no sector do Turismo a mesma, tem, obrigatoriamente, por passar por um trabalho de proximidade, ouvindo os parceiros, de forma a que as políticas a desenvolver sejam o mais concertadas entre todos os agentes e valorizando a importância de um trabalho em conjunto. É este trabalho conjunto que nos permite olhar para qualquer lacuna, não como um problema, mas sim com um novo desafio para todos os envolvidos neste sector de actividade”.
Assim, Marta Guerreiro recorda que qualquer estratégia “deve ser fruto de um leque de acções de continuidade e que permitam a sustentabilidade da Região, enquanto um todo”. Neste âmbito, a prioridade do Governo Regional dos Açores será manter “a proteção e preservação do património natural e cultural dos Açores, criando condições para que a qualidade de vida das nossas comunidades e a natureza pura e intacta perdurem. É sem dúvida um destino “verde” e despoluído que queremos que continue a ser reconhecido a nível internacional e por todos quantos nos visitam”.

Futuro
Quanto ao futuro do destino e, consequentemente, do Turismo nos Açores, a governante realça que “não podemos deixar de mencionar a criação desta Secretaria que tem como principal foco uma gestão integrada destas três áreas – energia, ambiente e turismo -, que cremos fundamentais para o desenvolvimento dos Açores”.
“A nossa aposta tem passado, e continua a passar, por aumentar a notoriedade internacional dos Açores como um destino de Natureza de Excelência, procurando reforçar, perante os mercados externos, o nosso posicionamento em prol desta imagem e pondo em destaque as nossas características de sustentabilidade, ambientais e paisagísticas, sem esquecer as componentes culturais e sociais”, refere.
Marta Guerreiro defende que, além de se a proteger e preservar o património natural e cultural do destino, é também prioritário criar “condições para que a qualidade de vida das nossas comunidades não seja comprometida no presente e no futuro. É nesta linha de pensamento que pretendemos também cuidar dos nossos visitantes, antecipando e proporcionando tudo o que necessitam, para que a experiência dos Açores seja memorável e desperte a vontade de voltar. Assim, trabalharemos para que o futuro do Turismo nos Açores continue a ser vivenciado como um destino natural, de rara beleza, sem influências externas em si, sem vocação para massas dirigido a nichos muito específicos de visitantes que queiram ter experiências irrepetíveis – numa mensagem e posicionamentos muito claros em termos de sustentabilidade”.

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