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Lisboa acolhe primeira marca mundial de arrendamento de curta duração

Por a 31 de Maio de 2017


Alexandre Mansour, Charles Wanecq e William Tonnard são franceses e fundaram há três anos o Grupo Optylon, que actua no mercado do arrendamento de curta duração em Portugal.

grupo optylon
Com uma bagagem profissional no sector bancário e financeiro, Alexandre Mansour, Charles Wanecq e William Tonnard chegaram a Portugal e montaram um negócio à boleia das mudanças na lei do arrendamento urbano de 2012. “Portugal foi o primeiro país a liberalizar o mercado imobiliário e o alojamento local”, começa por afirmar Alexandre Mansour, managing partner do Grupo Optylon. “Vimos que Portugal tinha um grande potencial, o Turismo estava a crescer. Mas os centros históricos não estavam muito bem tratados devido a contratos fixados por décadas, o que não dava aos proprietários a possibilidade de fazerem obras nos seus prédios, porque não tinham dinheiro. A liberalização dos contratos de arrendamento foi um incentivo à compra de edifícios para renovação e um impulso para o arrendamento de curta duração”, defende. Foi então que ele e os sócios decidiram investir no mercado português. “Queríamos entender melhor o mercado antes de investirmos em algo. Por isso, construímos a Optylon Tech, que diariamente analisa dados reais do mercado de arrendamento de curta duração. Através de algoritmos específicos de análise do mercado de arrendamento de curta duração, conseguimos saber quais os preços e as taxas de ocupação e, com base nessa informação, tomar a decisão de quais os melhores locais para investir”.
Já depois da fundação da Optylon Tech, o grupo criou a Lovelystay, uma empresa de gestão de apartamentos para arrendamento de curta duração. Apoiada pela tecnologia da Optylon Tech, a Lovelystay consegue praticar “os melhores preços para cada apartamento em cada altura do ano conseguindo assim performances acima dos concorrentes”. Paralelamente, a Optylon, através da Optylon Capital, efectuou alguns investimentos imobiliários, tendo já comprado edifícios em Alfama e na Baixa de Lisboa. Alexandre Mansour explica que a estratégia é comprar activos que precisem de ser renovados e vendê-los a investidores. Os primeiros imóveis foram vendidos em poucas semanas e a Optylon decidiu incrementar este negócio com o apoio de fundos internacionais. Exemplo disso é a joint-venture com Hakan Kodal, CEO e fundador da Krea, um fundo imobiliário turco com 20 anos de experiência neste mercado. “Fizemos uma joint-venture para desenvolver alguns projectos em conjunto em Lisboa, especialmente para o centro histórico da cidade. Outros projectos estão a ser desenvolvidos apenas pelo nosso fundo imobiliário, a Optylon Capital, e os outros com outros investidores”, explica Alexandre Mansour.

Prima Collection: a primeira marca mundial de arrendamento de curta duração
A juntar a todos os projectos, o grupo está a desenvolver a “primeira marca mundial para o arrendamento de curta duração”. A Prima Collection, como irá chamar-se, tem como objectivo proporcionar o conforto de uma casa com os serviços de um hotel de referência mundial. O projecto vai ter início em Lisboa, mas no futuro, a Optylon “espera levar a marca a outras localizações em Portugal e no estrangeiro”. “Hoje em dia, não existe uma marca de arrendamento de curta duração. Enquanto que, sabemos se formos a um hotel Hilton em qualquer parte do mundo, que serviços vamos encontrar, não existem marcas/cadeias no mercado do alojamento local disponíveis para reservar no Airbnb. Pensamos que esta é uma evolução natural da indústria do arrendamento de curta duração e esperamos ser verdadeiramente a primeira marca em todo o mundo a servir esse propósito”, refere Alexandre Mansour.

Lovelystay
Actualmente, a Lovelystay tem 100 apartamentos online. “Tivemos mais anteriormente, mas fizemos uma reestruturação no final de 2016 e focámo-nos nos apartamentos e localizações que fazem mais sentido para nós”. Por outro lado, refere, “não fizemos até aqui nenhum esforço de vendas, o crescimento foi orgânico e através do passa-a-palavra. O nosso objectivo nestes dois últimos anos foi estabilizar a nossa tecnologia. A solução oferecida pela Optylon inclui a gestão das reservas on-line e a respectiva comunicação, fotografias profissionais dos apartamentos, processo de check-in & out, serviços de limpeza e manutenção geral, e resolução de aspectos legais. “Agora estamos a construir uma equipa de vendas e esperamos adicionar à Lovelystay pelo menos 15 a 20 apartamentos por mês, começando já este mês. Também estamos neste momento a trabalhar no licenciamento da nossa tecnologia em mercados internacionais. Estamos prestes a fechar um acordo para nossa primeira licença em Espanha, cujo lançamento está previsto para dia 15 de Junho. Também temos planos para os Alpes suíços e franceses no próximo Inverno.

As principais vantagens da gestão da Lovelystay
“Graças ao nosso algoritmo, sabemos as taxas de ocupação, preços e rentabilidades. Sempre que um cliente vem ter connosco, somos capazes de lhe fornecer informação importante sobre este negócio”, começa por dizer Alexandre Mansour, quando questionado sobre as vantagens de trabalhar com a Lovelystay. Em segundo lugar, refere, a rentabilidade que a Lovelystay pode oferecer aos proprietários: “O arrendamento de curta duração vai certamente fornecer maior rentabilidade que o de longa duração. O problema é que os clientes não querem fazer check-in e check-out, não querem ter de fazer reparações nos apartamentos, lidar com os hóspedes, etc. Nós tratamos de todas estas questões por eles. Resumidamente, podem desfrutar dos benefícios do longo arrendamento, mas com a rentabilidade do arrendamento de curta duração”.
O responsável realça também as questões relacionadas com a gestão diária dos apartamentos. “Compreendemos os constrangimentos e os desafios, mas também compreendemos a tecnologia das diferentes plataformas. Apesar da Airbnb ser líder apenas tem 40% do mercado. Os clientes se tiverem mais do que um apartamento, têm de ter logins diferentes para cada um dos apartamentos e para cada uma das plataformas de venda. Com a nossa tecnologia está tudo sincronizado automaticamente”.
Por último, o responsável afirma que a grande vantagem está também na transparência que a tecnologia da Optylon permite. “Os clientes querem transparência, querem saber o que se passa com os seus apartamentos. Ao fornecermos-lhes um login, eles podem aceder a Lovelystay e consultar os indicadores dos seus apartamentos”.
Quanto ao perfil de clientes, Alexandre Mansour refere que são os investidores “com visto gold” ou então “portugueses que já têm um rendimento com arrendamentos, mas sentem que o arrendamento de longa duração não lhes fornece o tipo de rendimento que procuram”. “Também temos reformados do Reino Unido e de França”, adianta.
Em 2016, a operação relacionada com o arrendamento de curta duração facturou 1,5 milhões de euros e alcançou um lucro de 300 mil euros.

O alojamento local nas cidades
Alexandre Mansour não estranha que o alojamento local venha a ter mais regras, porque “é preciso proteger as cidades e a legislação tem de ser vigiada de forma a garantir que é posta em prática e é cumprida”. Contudo, lembra, “esta é uma nova economia que está a crescer” e à qual Portugal não deve virar costas. Para o responsável, o alojamento local foi a dada altura uma forma de dar resposta ao boom turístico que o país sofreu por causa do desvio de turistas do Norte de África para Portugal.
Falando em concreto de Lisboa, Alexandre Mansour reconhece que o arrendamento de curta duração está, sobretudo, concentrado num “triângulo dourado” que começa na Avenida da Liberdade, e estende-se entre Alfama e o Cais Sodré. No entanto, o responsável considera que começaram a surgir outros pontos de interesse para o arrendamento de curta duração, como é o caso de Belém, Alcântara ou Santos. “Mais de 90% dos turistas elegem a Baixa como o ponto turístico principal, seguido de Belém”, lembra. Alexandre Mansour acredita que daqui a dois, três anos vão olhar também para estas localizações para a sua estadia.

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