Portugal está na moda. E agora?

Por a 30 de Março de 2017 as 13:58

Decididamente Portugal está na moda, todos os indicadores o dizem. Muitos factores endógenos e exógenos contribuíram para isso, mas prefiro realçar os que estão relacionados com todo o ecossistema da nossa indústria e a forma como nos últimos anos uma estratégia mais coordenada de promoção do destino, em que existe um maior alinhamento de todos os “stakeholders”, contribuíram para este resultado.
O Turismo no sentido lato tem finalmente uma visão holística, de vasos comunicantes, seja de lazer ou de negócios, e a minha convicção é que essa imagem está cada vez mais a passar de forma consistente para os mercados alvo.
Num País que alia extraordinárias condições naturais às qualidades diferenciadoras das suas pessoas, e a riqueza patrimonial com enorme potencial, ainda pouco explorado, do “storytelling”, desenvolvemos nos últimos anos uma indústria de apoio aos eventos com excelentes condições. Os espaços, as agências, o aumento da quantidade e qualidade da oferta hoteleira, o aumento das ligações aéreas e a manutenção do Aeroporto da Portela, traduzem-se num aumento significativo do número de eventos e numa melhoria na posição nos rankings e prémios internacionais conquistados.

Estamos definitivamente na era digital e da experiência, pelo que estes factores vieram mudar de forma disruptiva a concepção dos negócios e a forma como nos relacionamos com as pessoas. A força do marketing e da comunicação digital com a massificação das redes sociais conquistou o poder de tornar imediato qualquer acontecimento e de o poder multiplicar muitas vezes de forma incontrolável.
É, assim, cada vez mais importante a percepção que os outros têm de nós como um todo pois neste caso o todo e o contributo que cada um pode dar é o mais importante. Nesta realidade, um destino forte, terá sempre que apostar no que os organizadores mais privilegiam que é a capacidade de gerar “engagment” com a sua audiência e o que essas memórias positivas podem beneficiar a prazo a sua marca ou organização. Será sempre benéfica para todos os players do mercado uma estratégia de mutualismo em detrimento de uma competição castradora do potencial global de diferenciação.
O alinhamento entre todas as entidades é assim condição decisiva para continuar a progredir. Um bom exemplo deste alinhamento que gosto sempre de relembrar é o recente Web Summit em que foi possível estabelecer uma plataforma com todos os intervenientes tanto institucionais (Turismo de Portugal, Turismo de Lisboa, AICEP, Câmara de Lisboa, autoridades de segurança) como privados (promotor, MEO Arena, FIL). Conseguiu-se, assim, ter uma visão única sobre o evento considerando todas as questões inerentes à realização do mesmo. Assim se trouxe para o País, por um período de três anos, um evento com mais de 50 mil participantes e com forte impacto em todo o nosso ecossistema empresarial e de empreendedorismo que se prolonga muito para além dos dias da realização do mesmo. Defendo que este é o modelo de actuação que deveria ser possível transpor de forma permanente para o segmento de angariação de eventos de forma a maximizar o retorno na captação e na realização dos mesmos.

O primeiro passo foi dado com a criação de uma estrutura do Turismo de Portugal responsável pela angariação internacional de eventos, mas penso que factores como a maior interligação e cooperação entre Regiões de Turismo e a criação de um modelo com uma figura semelhante a “Gestor de projecto” com “empowerment” sobre todos os outros intervenientes seria decisivo para melhorar a imagem global e a percepção dos mercados alvo sobre o destino. Penso que Lisboa, pela sua dimensão, justificaria plenamente um modelo como este que poderia ser complementado por um Conselho Consultivo que promovesse a aproximação, de forma permanente, dos outros “stakeholders” privados junto da entidade do Turismo.
O desafio nos próximos anos, além da captação, será o da retenção que só será possível maximizar se a experiência de quem nos visita ou escolhe como destino para realizar os seus eventos for positiva, desde o momento em que aterra até ao final da sua estadia. Neste percurso são inúmeras as variáveis indirectas e interlocutores, pelo que minimizar riscos é necessário.
Se pensarmos em toda a logística inerente à realização de um evento como por exemplo, vistos, licenciamentos, transportes e mobilidade, segurança, concluímos que um modelo que centralize competências por parte do Estado, seria um factor de enorme diferenciação na competitividade global existente neste mercado.
Também os privados têm uma palavra a dizer, pois quanto mais competitiva e competente for a oferta local de restauração, hotelaria e alojamento local, indústria de entretenimento, qualidade e diferenciação da oferta de espaços, e quantos mais vasos comunicantes se estabelecerem com o Turismo de lazer, maior será o poder de captação e retenção sobre quem nos visita.
Existe ainda um longo caminho a percorrer e nós no MEO Arena queremos sempre melhorar, mas não devemos desmerecer o que já foi conquistado pelo que estaremos sempre disponíveis para a prossecução deste caminho positivo. Nesse sentido tomamos a iniciativa de pelo segundo ano reunir a 21 de Março a indústria de MI nacional no [email protected] com a participação dos mais variados intervenientes e com o contributo de um reconhecido orador internacional. Cá vos esperamos para podermos continuar a conversar sobre esta indústria que nos apaixona a todos!

*Por Jorge Vinha da Silva, Administrador executivo Arena Atlântico.

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