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Entrevista: “Sem relações público-privadas, nada é possível”

Por a 4 de Julho de 2016


WTTC MaribelMaribel Rodriguez, country manager do World Travel & Tourism Council foi uma das oradoras convidadas para o Vê Portugal – 3º Fórum de Turismo Interno, promovido pelo Turismo do Centro de Portugal, em Coimbra. Ao Publituris, a responsável enalteceu o crescimento que o Turismo está a registar e do que ainda vai registar. Destacou ainda a importância das parcerias público-privadas na indústria para que todos caminhem na mesma direcção em benefício do sector.

 

O que Portugal pode fazer para se tornar ainda mais competitivo?

Saber qual é o futuro, perceber quais são os crescimentos que o Turismo vai ter nos próximos anos e trabalhar com os mercados que vão continuar a crescer para adaptar a sua infra-estrutura, o seu know how para os próximos viajantes. Se os viajantes do futuro serão da Ásia, Malásia, Indonésia, tentar perceber o que eles precisam. Isto por um lado, pelo outro, tentar manter os mercados maduros que são frequentes em Portugal e continuar a trabalhar com eles. Como? Mantendo as infra-estruturas, a qualidade, o serviço e uma qualidade de formação humana para poder fornecer um bom serviço a todos os viajantes que já estão habituados e para os que hão-devir.

Acha que Portugal está no bom caminho?

Está num muito bom caminho, de facto já vimos os números deste ano e no próximo ano vão aumentar 3,6%, depois vão a continuar a crescer nos próximos 20 anos. Portugal está, em termos absolutos no que o Turismo aporta ao PIB, no número 33 a nível mundial, o que é uma posição espectacular. Obviamente, a nível de destino é muito maduro, conhece bem o produto e há que continuar a trabalhar, sem esquecer o que já existe e manter sempre a qualidade elevada.

Em Lisboa, alguns residentes consideram que a capital está cheia de turistas e que tal afecta a autenticidade do destino. Como vê esta questão? Como não perder esta autenticidade?

O Turismo é o motor da economia, uma força incrível que aporta valor ao País, portanto, temos que trabalhar e continuar a fazer todos um esforço conjunto público-privado para que o turista e a autenticidade não se misturem. É complicado, mas é uma maneira conjunta de trabalhar, que tem de ser feita de forma equilibrada, como uma balança, criando políticas justas, de crescimento, de investimento adequadas e sustentáveis. É uma questão de conversas público-privadas.

Desse ponto de vista, qual é que acha que deve ser o papel do Governo no funcionamento do Turismo? Acha que deve ser activo?

Acho que é uma atitude positiva, que tentemos todos trabalhar na mesma direcção. As entidades privadas vão continuar a investir e empreender, as empresas internacionais vão continuar a vir a Portugal para trabalhar, é muito melhor ter relações próximas com as duas partes do que nenhum tipo de colaboração. Finalmente, a parte técnica que tem o Governo, as instituições, que têm o ‘know how’ do serviço, da cultura, de como é o Turismo em geral e a parte privada é a que faz os investimentos. É muito importante trabalhar em conjunto, é fundamental. Vejo que quanto mais trabalhamos em conjunto, melhor é. De facto, nós, como organismo privado, representantes das empresas mais importantes do mundo no Turismo, já temos feito 82 visitas a primeiros-ministros e Chefes de Estado para explicar que é importante que trabalhem com as empresas privadas, sendo importante para o Turismo no País. No momento em que o Governo percebe a importância do Turismo, é quando as coisas começam a correr bem. Se o Governo não perceber, então é mais difícil, porque depois as políticas seriam diferentes da realidade.

 

“Somos a favor de taxas que sejam para o bem do Turismo, não para prejudicá-lo”

 

Estamos lá para explicar-lhes quais são as situações que podem dificultar as empresas a investirem, situações de taxas que podem incomodar ou fazer com que hajam um decréscimo. Temos muitos estudos feitos nesse sentido. Por exemplo, nos Estados Unidos falámos com a administração Obama, há alguns anos, pois tinham muitas dificuldades para dar vistos a países como a China, Brasil, etc, era muito complicado ir aos Estados Unidos. Portanto, falámos  internamente com a administração Obama para que criassem o e-Visa, que assim tornava-se mais fácil ir para o país. Este tipo de políticas são as que nós trabalhamos, explicamos como uma taxa pode afectar o Turismo. Somos a favor de taxas que sejam para o bem do Turismo, não para prejudicá-lo.

Em Portugal, existe já a taxa turística na cidade de Lisboa, havendo outras que estão a pensar seguir o mesmo caminho. Como é que a WTTC vê estas taxas?

Acho que se alguém vai implementar uma taxa, têm de haver estudos prévios que vão analisar a procura, que digam qual vai ser o resultado e qual o ingresso. Por vezes pode ser que as receitas não compensem, não suportem o decréscimo do resultado. Antes de implementar uma taxa é muito importante fazer uma análise prévia para garantir que é para o bem do crescimento do Turismo.  Ali, temos alguns estudos já feitos, onde demonstramos quais são os impactos das taxas.

Relativamente a esta insegurança que se vive na Europa e no norte de África, e que, de certa forma, tem desviado o fluxo de turistas para países como Portugal e Espanha. A WTTC lançou um relatório que indica que o Turismo é a ‘driver’ para a paz. De que forma é que Espanha e Portugal podem fidelizar este fluxo de turistas?

O importante é trabalhar as políticas de segurança internacionais, perceber que tipo de turista se tem e trabalhar nele. Infelizmente, o terrorismo é muito complicado, mas também sabemos que o Turismo é muito resiliente. Existe um problema e imediatamente depois o Turismo recupera-se. Na WTTC, quando há um problema em algum país, um ataque, os nossos presidentes e responsáveis vão imediatamente ao lugar e trabalham conjuntamente com o público-privado para tentar fazer mais facilitar a situação. Queremos que haja sempre uma colaboração. E, obviamente, o Turismo vai alterar-se por estes motivos e por isso é que se estão a tentar implementar estratégias globais.

 

 

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