Reino Unido vai sair da União Europeia (ACTUALIZADA)

Por a 24 de Junho de 2016 as 8:40

O Reino Unido, um dos maiores mercados emissores para Portugal, votou a favor para sair da União Europeia.  Segue-se, agora, uma análise a toda a legislação e acordos bilaterais existentes. O principal aeroporto de Londres já emitiu um comunicado, onde manifesta o seu foco no serviço aos passageiros.

De acordo com o comunicado emitido pelo Aeroporto de Heathrow, um dos espaços mundiais que mais passageiros recebe anualmente, a infra-estrutura mantém o seu foco “no serviço ao passageiro e no seu orgulho em ser a porta de entrada do Reino Unido”. Heathrow informa, ainda, que “todos os passageiros que passem pelo aeroporto encontrarão uma operação a decorrer normalmente, sem alterações na segurança e emigração”.

De acordo com uma análise divulgada na quinta-feira pela STR, o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia na hotelaria britânica será negativo  no prazo mais imediato. Já a longo prazo, embora as perspectivas apontem para um impacto económico negativo, a indústria poderá ter uma performance positiva pois a desvalorização da libra tornará o Reino Unido um destino mais acessível.

Recorde-se que um estudo da Global Counsel colocou Portugal como o 4.º País mais exposto à saída do Reino Unido da União Europeia.

Por sua vez, a IATA estima que o número de passageiros britânicos poderá cair entre 3 a 5% até 2020, devido à desvalorização da libra e às mudanças esperadas na actividade económica do país. “Um dos grandes assuntos a discutir é a regulação aérea”, frisa a associação.
REACÇÕES

Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve

“Estou expactante e espero que não tenha o impacto negativo que, de certo modo, se prevê”, diz o responsável ao Publituris, acrescentando que, a “queda da libra” está a preocupar a região: “Esta manhã ouvi alguns residentes e há uma preocupação com esta descida da libra, obviamente que o Reino Unido, representando 70% das dormidas, terá sempre um impacto negativo se a libra não estabilizar”

“Esperemos que o impacto seja menos negativo do que o que se prevê”, reitera.

Vítor Neto, Empresário e presidente do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve

“Além das consequências gerais que a saída  de um país da União Europeia tem, no caso específico de Portugal, evidentemente que pode ter consequências nas nossas relações económicas, as exportações podem ser mais difíceis porque pode haver uma quebra da Libra”, começa por dizer ao Publituris Vítor Neto sobre o ‘sim’ ao Brexit.

Segundo o antigo secretário de Estado do Turismo, “no caso concreto do Turismo, o Reino Unido é o nosso principal cliente estrangeiro e se a libra desvalorizar e o poder de compra dos ingleses sofrer uma quebra, isso pode ter consequências na saída dos ingleses para o estrangeiro”. Porém, Vítor Neto considera que é preciso ser-se “racional”, “pró-activo” e manter o “optimismo”, afirmando que a relação histórica com o Reino Unido é “muito profunda” e que é preciso considerar esta situação como “passageira”, pois, “na eventualidade de haver dificuldades estas serão recuperadas” a médio prazo. “Não é um mercado volátil, pode sofrer algumas oscilações, mas tem um peso substancialmente grande que não devemos descurar.”

Eliseu Correia, director-geral da EC Travel

Para Eliseu Correia, “sendo o Reino Unido o principal mercado emissor para Portugal, esta saída e a consequente desvalorização  da Libra é, obviamente  no imediato, um rude golpe para o nosso Turismo”. Primeiro, refere o responsável, “porque o poder de compra baixa o que torna a decisão de ir ou não de férias mais “pensada” mas, pior que isso, ao decidir ir de férias o factor preço volta a ser o principal argumento e aí perdemos largamente e beneficia (ironia do destino) os destinos mais afectados pela insegurança e os seus efeitos colaterais, como a Turquia e Egipto”

No entanto, o director-geral da EC Travel considera que “haverá, de certeza, um impacto nesta época que agora decorre, mas será menor porque  já se vendeu praticamente o que havia a vender e será muito maior para 2017”.

“Mas a verdade é que, em consciência, ninguém sabe exactamente o que vai acontecer, porque se houver mais “exits” (e hoje de manhã já quatro países apelaram a um  referendo) até se pode dar o caso do fim de uma União Europeia e, por consequência, da moeda única”, conclui Eliseu Correia.

Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT

Ressalvando que as consequências do Brexit ainda não são conhecidas e que, como tal, é preciso ser cauteloso, o presidente da APAVT, ao Publituris, afirmou tratar-se de “um dia triste para a Europa, para o relacionamento entre os povos e quando algo é mau para o relacionamento entre os povos, é mau para o Turismo”.

“Não espero que esta decisão e as acções concretas que se seguem beneficiem nem o Turismo em geral, nem em Portugal”, considera Costa Ferreira. Relativamente ao nosso País, “sendo o Reino Unido o principal mercado emissor em termos de receitas e desde já com esta desvalorização da libra, não podemos esperar nada de bom. Não podendo esperar nada de bom, porém, não é óbvio que aconteça algo de muito mau. A minha sensibilidade é que os números de Portugal não serão afectados desde já. Não acredito que haja alterações significativas porque a libra desvalorizou, até porque é um primeiro momento e espera-se um ajuste”.

“Este ano não esperamos alterações significativas no relacionamento com o Reino Unido, até porque esperávamos o melhor ano turístico da nossa história e continuo a pensar o mesmo. Agora, sendo tudo isto assim e com reservas, com certeza que não é uma boa notícia e, a haver alterações, serão negativas”, conclui.

Carolyn McCall, CEO da easyJet

“Continuamos confiantes na força do modelo de negócio da easyJet e na nossa capacidade de manter a nossa estratégia de sucesso e o retorno. Escrevemos hoje [sexta-feira] ao Governo do Reino Unido e Comissão Europeia solicitando que considerem como prioritária a manutenção do Reino Unido no mercado de aviação único da União Europeia, tendo em conta a sua importância para a economia e consumidores.”

AHETA

Revelando que o Reino Unido é responsável por 1,8 milhões de passageiros desembarcados em Faro (54%), dos quais 1,1 milhões ficam em meios classificados e 700 mil em segundas residências, a AHETA afirma: “A economia do turismo do Algarve é, pois, demasiado dependente do Reino Unido, com eventuais convulsões económicas e sociais naquele país a reflectirem-se negativamente e de forma muito profunda nos resultados turísticos e empresariais da região em particular e do nosso País em geral.”

“Por tudo o que fica exposto, a AHETA, enquanto legítima representante dos empresários hoteleiros e turísticos do Algarve, não esconde a sua preocupação face à instabilidade financeira criada na sequência do BREXIT e, sobretudo, das implicações que a mesma pode vir a ter nos resultados turísticos da região nos tempos mais próximos.”

Algfuturo

“Para Portugal,as consequências têm três grandes dimensões: a Comunidade Portuguesa; as trocas comerciais; e o impacto da desvalorização da libra, que o FMI estima ser elevado.  No caso do Algarve, há o caso de muitos algarvios que emigraram nos últimos anos e que estão na incerteza.”

“Mas para o Algarve, o problema maior é o Turismo, em que conforme inquérito já feito hoje pela Algfuturo, a situação não é de alarme, mas há preocupação pela turbulência na economia britânica com desvalorização da libra, e seus efeitos na pressão sobre o preço do alojamento, diminuição das viagens turísticas e redução dos gastos na região dos que vêm. O problema é real ,tendo em conta que as dormidas dos inglese representam cerca de 50% dos estrangeiros. No conjunto das outras regiões, ronda apenas cerca de 15 %. Na Gala de Comemoração do 1º Aniversário, a Algfuturo já tinha alertado para esta hipótese, e neste contexto e num quadro ainda mais alargado, são indispensáveis um vasto conjunto de medidas previstas no PRESALG 2017/2026- Programa de Reformas para a Sustentabilidade do Algarve, elaborado pela Algfuturo.”

Jorge Ponce de Leão, administrador delegado da ANA – Aeroportos de Portugal

“Acho que é muito cedo para comentar as consequências. É evidente que se se verificar uma redução do poder de compra dos cidadãos britânicos por força da desvalorização da libra, é normal que o grau de consumo no Algarve se reduza. Mas, nesta altura do ano está tudo vendido. No próximo ano precisamos de saber em que condições é que o Reino Unido vai Negociar a sua saída, estamos muito longe de perceber quais são as consequências”, afirmou o responsável.

Sobre os contratos com as companhias aéreas, nomeadamente a easyJet, cujo peso em Portugal, nomeadamente em Lisboa, é muito grande, Ponce de Leão desvalorizou a situação, afirmando que poderá haver “uma ou outra rota mais condicionada”. “Mas temos outros mercados em expansão, vão iniciar-se as ligações directas ao Extremo Oriente, estamos a procurar desenvolver o mercado russo. O potencial de crescimento continua a ser enorme.”

Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores

O Presidente do Governo dos Açores afirmou hoje que o resultado do referendo no Reino Unido constitui um “sinal de alarme” para uma União Europeia que tem de perceber que existe para servir os povos europeus.

“A União Europeia que tem de perceber que existe para servir os povos europeus e que não existe para ser servida pelos povos europeus”, frisou Vasco Cordeiro, salientando que, muitas vezes, é necessário “ultrapassar alguma falta de consciência daquilo que realmente interessa aos povos europeus”, sendo, claramente, fundamental que se reconduza a “União Europeia a um espaço de crescimento económico, de emprego e de solidariedade”.

“Este é um sinal de alarme, não no sentido de alarmismo, mas no sentido de diversos intervenientes e de diversos protagonistas reflectirem sobre aquilo que significa” este resultado no Reino Unido, acrescentou. “Julgo que, nesta situação, não se pode cair nem no oito nem no oitenta. O oito, no sentido de dizer que este assunto tem a ver apenas com o Reino Unido e que a União Europeia deve continuar, plácida e serena, a fazer o seu caminho, nem no oitenta, por considerar que, agora, tudo está em causa”, alertou.

António Costa, Primeiro-Ministro 

António Costa, Primeiro-Ministro português, afirmou que esta sexta-feira “é um dia triste para Europa”, referindo-se à saída do Reino Unido da União Europeia. O responsável, que falava aos jornalistas no Porto, relembrou que “temos com o Reino Unido a mais antiga aliança do mundo e que prosseguirá muito para além daquilo que será a saída do Reino Unido da União Europeia”.

Portugal fará tudo para assegurar “todos os direitos da comunidade portuguesa no Reino Unido”, assim “todos os direitos dos cidadãos britânicos que vivem, visitam ou investem em Portugal”, destacou ainda o governante.

António Costa salientou ainda que este acontecimento “deve ser uma oportunidade para os 27 países da União Europeia reflectirem sobre o que significam estes resultados e a necessidade que temos de responder aos anseios dos cidadãos da Europa”.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa, afirma, em comunicado divulgado na página da Presidência da República,  que tem a “convicção de que os interesses de Portugal, bem como os dos portugueses a viver e a trabalhar no Reino Unido, continuarão a ser prosseguidos não obstante esta decisão”.

O Presidente da República português destaca ainda: “Seguirei em todo o caso com grande atenção o evoluir da situação e posso assegurar que Portugal não deixará de apoiar os nossos compatriotas e luso-descendentes no Reino Unido, país ao qual nos ligam sete séculos de história de uma aliança sem par.”

Raúl Martins, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP)

Raúl Martins, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), considera que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) não terá qualquer impacto no turismo português. O responsável, que falava em declarações à agência Lusa, defende que “em termos de turismo em Portugal não haverá nenhuma consequência”, salientando que com o denominado ‘Brexit’, apenas se passa “de uma situação informal para uma formal”.

“Os ingleses que são a favor da saída já não viajavam porque são tão britânicos que não saem” da Grã-Bretanha, disse ainda o responsável.

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