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Reino Unido vai sair da União Europeia (ACTUALIZADA)

Um dos maiores mercados emissores para Portugal votou a favor do Brexit. A incerteza política e económica é uma ameaça e o Turismo em Portugal poderá ressentir-se. Leia as reacções das entidades e profissionais portugueses a esta nova realidade (Actualização).

Patricia Afonso
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Reino Unido vai sair da União Europeia (ACTUALIZADA)

Um dos maiores mercados emissores para Portugal votou a favor do Brexit. A incerteza política e económica é uma ameaça e o Turismo em Portugal poderá ressentir-se. Leia as reacções das entidades e profissionais portugueses a esta nova realidade (Actualização).

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O Reino Unido, um dos maiores mercados emissores para Portugal, votou a favor para sair da União Europeia.  Segue-se, agora, uma análise a toda a legislação e acordos bilaterais existentes. O principal aeroporto de Londres já emitiu um comunicado, onde manifesta o seu foco no serviço aos passageiros.

De acordo com o comunicado emitido pelo Aeroporto de Heathrow, um dos espaços mundiais que mais passageiros recebe anualmente, a infra-estrutura mantém o seu foco “no serviço ao passageiro e no seu orgulho em ser a porta de entrada do Reino Unido”. Heathrow informa, ainda, que “todos os passageiros que passem pelo aeroporto encontrarão uma operação a decorrer normalmente, sem alterações na segurança e emigração”.

De acordo com uma análise divulgada na quinta-feira pela STR, o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia na hotelaria britânica será negativo  no prazo mais imediato. Já a longo prazo, embora as perspectivas apontem para um impacto económico negativo, a indústria poderá ter uma performance positiva pois a desvalorização da libra tornará o Reino Unido um destino mais acessível.

Recorde-se que um estudo da Global Counsel colocou Portugal como o 4.º País mais exposto à saída do Reino Unido da União Europeia.

Por sua vez, a IATA estima que o número de passageiros britânicos poderá cair entre 3 a 5% até 2020, devido à desvalorização da libra e às mudanças esperadas na actividade económica do país. “Um dos grandes assuntos a discutir é a regulação aérea”, frisa a associação.
REACÇÕES

Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve

“Estou expactante e espero que não tenha o impacto negativo que, de certo modo, se prevê”, diz o responsável ao Publituris, acrescentando que, a “queda da libra” está a preocupar a região: “Esta manhã ouvi alguns residentes e há uma preocupação com esta descida da libra, obviamente que o Reino Unido, representando 70% das dormidas, terá sempre um impacto negativo se a libra não estabilizar”

“Esperemos que o impacto seja menos negativo do que o que se prevê”, reitera.

Vítor Neto, Empresário e presidente do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve

“Além das consequências gerais que a saída  de um país da União Europeia tem, no caso específico de Portugal, evidentemente que pode ter consequências nas nossas relações económicas, as exportações podem ser mais difíceis porque pode haver uma quebra da Libra”, começa por dizer ao Publituris Vítor Neto sobre o ‘sim’ ao Brexit.

Segundo o antigo secretário de Estado do Turismo, “no caso concreto do Turismo, o Reino Unido é o nosso principal cliente estrangeiro e se a libra desvalorizar e o poder de compra dos ingleses sofrer uma quebra, isso pode ter consequências na saída dos ingleses para o estrangeiro”. Porém, Vítor Neto considera que é preciso ser-se “racional”, “pró-activo” e manter o “optimismo”, afirmando que a relação histórica com o Reino Unido é “muito profunda” e que é preciso considerar esta situação como “passageira”, pois, “na eventualidade de haver dificuldades estas serão recuperadas” a médio prazo. “Não é um mercado volátil, pode sofrer algumas oscilações, mas tem um peso substancialmente grande que não devemos descurar.”

Eliseu Correia, director-geral da EC Travel

Para Eliseu Correia, “sendo o Reino Unido o principal mercado emissor para Portugal, esta saída e a consequente desvalorização  da Libra é, obviamente  no imediato, um rude golpe para o nosso Turismo”. Primeiro, refere o responsável, “porque o poder de compra baixa o que torna a decisão de ir ou não de férias mais “pensada” mas, pior que isso, ao decidir ir de férias o factor preço volta a ser o principal argumento e aí perdemos largamente e beneficia (ironia do destino) os destinos mais afectados pela insegurança e os seus efeitos colaterais, como a Turquia e Egipto”

No entanto, o director-geral da EC Travel considera que “haverá, de certeza, um impacto nesta época que agora decorre, mas será menor porque  já se vendeu praticamente o que havia a vender e será muito maior para 2017”.

“Mas a verdade é que, em consciência, ninguém sabe exactamente o que vai acontecer, porque se houver mais “exits” (e hoje de manhã já quatro países apelaram a um  referendo) até se pode dar o caso do fim de uma União Europeia e, por consequência, da moeda única”, conclui Eliseu Correia.

Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT

Ressalvando que as consequências do Brexit ainda não são conhecidas e que, como tal, é preciso ser cauteloso, o presidente da APAVT, ao Publituris, afirmou tratar-se de “um dia triste para a Europa, para o relacionamento entre os povos e quando algo é mau para o relacionamento entre os povos, é mau para o Turismo”.

“Não espero que esta decisão e as acções concretas que se seguem beneficiem nem o Turismo em geral, nem em Portugal”, considera Costa Ferreira. Relativamente ao nosso País, “sendo o Reino Unido o principal mercado emissor em termos de receitas e desde já com esta desvalorização da libra, não podemos esperar nada de bom. Não podendo esperar nada de bom, porém, não é óbvio que aconteça algo de muito mau. A minha sensibilidade é que os números de Portugal não serão afectados desde já. Não acredito que haja alterações significativas porque a libra desvalorizou, até porque é um primeiro momento e espera-se um ajuste”.

“Este ano não esperamos alterações significativas no relacionamento com o Reino Unido, até porque esperávamos o melhor ano turístico da nossa história e continuo a pensar o mesmo. Agora, sendo tudo isto assim e com reservas, com certeza que não é uma boa notícia e, a haver alterações, serão negativas”, conclui.

Carolyn McCall, CEO da easyJet

“Continuamos confiantes na força do modelo de negócio da easyJet e na nossa capacidade de manter a nossa estratégia de sucesso e o retorno. Escrevemos hoje [sexta-feira] ao Governo do Reino Unido e Comissão Europeia solicitando que considerem como prioritária a manutenção do Reino Unido no mercado de aviação único da União Europeia, tendo em conta a sua importância para a economia e consumidores.”

AHETA

Revelando que o Reino Unido é responsável por 1,8 milhões de passageiros desembarcados em Faro (54%), dos quais 1,1 milhões ficam em meios classificados e 700 mil em segundas residências, a AHETA afirma: “A economia do turismo do Algarve é, pois, demasiado dependente do Reino Unido, com eventuais convulsões económicas e sociais naquele país a reflectirem-se negativamente e de forma muito profunda nos resultados turísticos e empresariais da região em particular e do nosso País em geral.”

“Por tudo o que fica exposto, a AHETA, enquanto legítima representante dos empresários hoteleiros e turísticos do Algarve, não esconde a sua preocupação face à instabilidade financeira criada na sequência do BREXIT e, sobretudo, das implicações que a mesma pode vir a ter nos resultados turísticos da região nos tempos mais próximos.”

Algfuturo

“Para Portugal,as consequências têm três grandes dimensões: a Comunidade Portuguesa; as trocas comerciais; e o impacto da desvalorização da libra, que o FMI estima ser elevado.  No caso do Algarve, há o caso de muitos algarvios que emigraram nos últimos anos e que estão na incerteza.”

“Mas para o Algarve, o problema maior é o Turismo, em que conforme inquérito já feito hoje pela Algfuturo, a situação não é de alarme, mas há preocupação pela turbulência na economia britânica com desvalorização da libra, e seus efeitos na pressão sobre o preço do alojamento, diminuição das viagens turísticas e redução dos gastos na região dos que vêm. O problema é real ,tendo em conta que as dormidas dos inglese representam cerca de 50% dos estrangeiros. No conjunto das outras regiões, ronda apenas cerca de 15 %. Na Gala de Comemoração do 1º Aniversário, a Algfuturo já tinha alertado para esta hipótese, e neste contexto e num quadro ainda mais alargado, são indispensáveis um vasto conjunto de medidas previstas no PRESALG 2017/2026- Programa de Reformas para a Sustentabilidade do Algarve, elaborado pela Algfuturo.”

Jorge Ponce de Leão, administrador delegado da ANA – Aeroportos de Portugal

“Acho que é muito cedo para comentar as consequências. É evidente que se se verificar uma redução do poder de compra dos cidadãos britânicos por força da desvalorização da libra, é normal que o grau de consumo no Algarve se reduza. Mas, nesta altura do ano está tudo vendido. No próximo ano precisamos de saber em que condições é que o Reino Unido vai Negociar a sua saída, estamos muito longe de perceber quais são as consequências”, afirmou o responsável.

Sobre os contratos com as companhias aéreas, nomeadamente a easyJet, cujo peso em Portugal, nomeadamente em Lisboa, é muito grande, Ponce de Leão desvalorizou a situação, afirmando que poderá haver “uma ou outra rota mais condicionada”. “Mas temos outros mercados em expansão, vão iniciar-se as ligações directas ao Extremo Oriente, estamos a procurar desenvolver o mercado russo. O potencial de crescimento continua a ser enorme.”

Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores

O Presidente do Governo dos Açores afirmou hoje que o resultado do referendo no Reino Unido constitui um “sinal de alarme” para uma União Europeia que tem de perceber que existe para servir os povos europeus.

“A União Europeia que tem de perceber que existe para servir os povos europeus e que não existe para ser servida pelos povos europeus”, frisou Vasco Cordeiro, salientando que, muitas vezes, é necessário “ultrapassar alguma falta de consciência daquilo que realmente interessa aos povos europeus”, sendo, claramente, fundamental que se reconduza a “União Europeia a um espaço de crescimento económico, de emprego e de solidariedade”.

“Este é um sinal de alarme, não no sentido de alarmismo, mas no sentido de diversos intervenientes e de diversos protagonistas reflectirem sobre aquilo que significa” este resultado no Reino Unido, acrescentou. “Julgo que, nesta situação, não se pode cair nem no oito nem no oitenta. O oito, no sentido de dizer que este assunto tem a ver apenas com o Reino Unido e que a União Europeia deve continuar, plácida e serena, a fazer o seu caminho, nem no oitenta, por considerar que, agora, tudo está em causa”, alertou.

António Costa, Primeiro-Ministro 

António Costa, Primeiro-Ministro português, afirmou que esta sexta-feira “é um dia triste para Europa”, referindo-se à saída do Reino Unido da União Europeia. O responsável, que falava aos jornalistas no Porto, relembrou que “temos com o Reino Unido a mais antiga aliança do mundo e que prosseguirá muito para além daquilo que será a saída do Reino Unido da União Europeia”.

Portugal fará tudo para assegurar “todos os direitos da comunidade portuguesa no Reino Unido”, assim “todos os direitos dos cidadãos britânicos que vivem, visitam ou investem em Portugal”, destacou ainda o governante.

António Costa salientou ainda que este acontecimento “deve ser uma oportunidade para os 27 países da União Europeia reflectirem sobre o que significam estes resultados e a necessidade que temos de responder aos anseios dos cidadãos da Europa”.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa, afirma, em comunicado divulgado na página da Presidência da República,  que tem a “convicção de que os interesses de Portugal, bem como os dos portugueses a viver e a trabalhar no Reino Unido, continuarão a ser prosseguidos não obstante esta decisão”.

O Presidente da República português destaca ainda: “Seguirei em todo o caso com grande atenção o evoluir da situação e posso assegurar que Portugal não deixará de apoiar os nossos compatriotas e luso-descendentes no Reino Unido, país ao qual nos ligam sete séculos de história de uma aliança sem par.”

Raúl Martins, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP)

Raúl Martins, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), considera que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) não terá qualquer impacto no turismo português. O responsável, que falava em declarações à agência Lusa, defende que “em termos de turismo em Portugal não haverá nenhuma consequência”, salientando que com o denominado ‘Brexit’, apenas se passa “de uma situação informal para uma formal”.

“Os ingleses que são a favor da saída já não viajavam porque são tão britânicos que não saem” da Grã-Bretanha, disse ainda o responsável.

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31% dos portugueses admitem recorrer a suportes online para agendar e pagar as férias

Aumento o uso dos sites e plataformas de comércio online por parte dos portugueses para comprar viagens, planear férias e reservar alojamentos, revela uma análise da Marktest.

O universo de portugueses que assume a intenção de comprar viagens ou reservar alojamentos para férias e fins-de-semanas em sites de e-commerce atingiu pela primeira vez os 31% no início deste ano, segundo dadas avançados pela Marktest.

O “Barómetro e-Commerce” assinala que “os sites e plataformas de comércio online são cada vez mais usados pelos portugueses para comprar viagens, planear férias e reservar alojamentos”.

A análise aos dados deste estudo da Marktest permite perceber também que a tendência de crescimento na preparação online das férias é ainda mais evidente entre os portugueses já habituados a comprar através de suportes digitais: entre a primeira vaga de 2021 do Barómetro e a primeira vaga de 2022, o universo de compradores que admite comprar férias online aumentou 7,7 pontos percentuais, para 50,8%.

No que respeita às plataformas relacionadas com férias a que os portugueses tinham recorrido nos 30 dias anteriores ao inquérito, a aplicação Booking liderava de forma destacada e registava um crescimento de 177 mil para 586 mil compradores entre a primeira vaga de 2021 e a primeira vaga de 2022 do Barómetro e-Commerce.

A alguma distância destes valores, com menos de 25 mil compradores em Portugal na primeira vaga de 2022, surgiam as plataformas digitais Airbnb, Odisseias, FlyTap e eDreams.

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Chegadas internacionais de turistas ficaram a 57% do período pré-pandemia no acumulado até julho

Apesar da recuperação de quase 60% dos níveis pré-pandemia até julho, a OMT está preocupada com o impacto da guerra e da inflação, que podem atrasar para 2024 ou mais a recuperação total do setor para níveis de 2019.

Nos primeiros sete meses de 2022, as chegadas internacionais de turistas praticamente triplicaram face a igual período do ano passado, num crescimento que chegou aos 172% e que, em comparação com igual período de 2019, o que, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), significa que o “setor recuperou quase 60% dos níveis pré-pandemia”.

Segundo o último Barómetro Mundial de Turismo, divulgado esta segunda-feira, 26 de setembro, pela OMT, esta recuperação “reflete a forte procura reprimida por viagens internacionais, bem como a flexibilização ou levantamento das restrições de viagem até ao momento”, uma vez que, a 19 de setembro, já existiam 86 países sem restrições relacionadas com a COVID-19.

“O turismo continua a recuperar de forma constante, mas continuam a existir vários desafios, desde geopolíticos a económicos. O setor está a trazer de volta esperança e oportunidades para as pessoas em todo o mundo. Agora também é a hora de repensar o turismo, para onde ele está indo e como isso impacta as pessoas e o planeta”, afirma Zurab Pololikashvili, secretário-geral da OMT.

Nos primeiros sete meses de 2022, a OMT estima que tenham sido mais de 474 milhões os turistas que realizaram viagens internacionais, número que compara com os 175 milhões contabilizados em igual período do ano passado, quando a COVID-19 e as restrições relacionadas com a doença eram ainda um entrave às viagens.

Apenas nos meses de junho e julho, foram contabilizadas 207 milhões de chegadas internacionais, número que, indica a OMT, representa mais do dobro do ano passado e 44% de todas as chegadas apuradas nos acumulado desde o início do ano.

“A Europa recebeu 309 milhões dessas chegadas, representando 65% do total”, destaca a OMT, sublinhando que a Europa e o Médio Oriente registaram a recuperação mais rápida no período em análise, com as chegadas a atingirem os 74% e 76% dos níveis de 2019, respetivamente.

No que diz respeito à Europa, a OMT refere ainda que, entre janeiro e julho, o território europeu recebeu três vezes mais chegadas internacionais do que tinha acontecido no ano passado, num crescimento de 190%, o que se justifica pelo facto dos resultados terem sido “impulsionados pela forte procura intra-regional e pelas viagens dos Estados Unidos”.

A OMT diz que a Europa viveu um “verão movimentado”, ficando apenas 21% e 16% abaixo de junho e julho de 2019, respetivamente, tendo as chegadas subido para 85% dos níveis de 2019 em julho.

“O levantamento das restrições de viagem num grande número de destinos também alimentou esses resultados”, acrescenta a OMT, revelando que 44 países na Europa já não tinham restrições relacionadas com a COVID-19, a 19 de setembro de 2022.

Já o Médio Oriente viu as chegadas internacionais aumentarem quase quatro vezes em relação ao ano anterior em janeiro-julho de 2022, num crescimento de 287%, tendo mesmo superado os níveis pré-pandemia em julho em 3%, o que se deveu aos resultados da Arábia Saudita, onde este indicador subiu 121% devido à peregrinação do Hajj.

No continente americano, as chegadas aumentaram 103% e no africano houve uma subida de 171% entre janeiro e julho, ficando a 65% e 60% dos níveis de 2019, respectivamente.

Já na Ásia-Pacífico houve um aumento de 165%, com as chegadas a subirem mais do dobro face aos primeiros sete meses de 2019, ainda que tenham permanecido 86% abaixo dos níveis de 2019, “pois algumas fronteiras permaneceram fechadas para viagens não essenciais”, segundo a OMT.

A OMT destaca que a recuperação do turismo também pode ser vista através do aumento dos gastos dos vários mercados, que tem vindo a subir, com destaque para a França, onde este indicador subiu para -12% em janeiro-julho de 2022 em comparação com 2019, enquanto os gastos da Alemanha subiram para -14%. Os gastos com turismo internacional ficaram em -23% na Itália e -26% nos Estados Unidos.

Tal como os gastos, também o tráfego aéreo internacional de passageiros está a subir e, entre janeiro e julho, aumentou 234%, ficando 45% abaixo dos níveis de 2019, o que traduz uma recuperação de cerca de 70% dos níveis de tráfego pré-pandemia em julho, indica a OMT, citando a IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Guerra e inflação geram incerteza na recuperação

Apesar da recuperação dos vários indicadores, a OMT está preocupada com as ameaças à recuperação, a exemplo da escassez de funcionários que levou ao caos nos aeroportos, mas também da guerra na Ucrânia, que, segundo a organização, “representa um grande risco de queda”.

Além disso, “a combinação de taxas de juros crescentes em todas as principais economias, aumento dos preços de energia e alimentos e as perspectivas crescentes de uma recessão global, conforme indicado pelo Banco Mundial, são grandes ameaças à recuperação do turismo internacional até o final de 2022 e 2023”, refere a OMT.

A OMT diz mesmo que o seu último Índice de Confiança já reflete uma “perspectiva mais cautelosa” e que também as reservas mostram que existe preocupação com o futuro, uma vez que estão a mostrar “sinais de crescimento mais lento”.

“As perspectivas para o restante do ano são cautelosamente otimistas”, aponta a organização, revelando que existe um abrandamento dos níveis de confiança, uma vez que 47% dos indivíduos que compõem o Painel de Especialistas da OMT manifesta perspectivas positivas para o período entre setembro e dezembro de 2022, enquanto 24% não espera mudanças específicas e 28% considera que poderia ser pior.

Os especialistas da OMT mostram-se ainda confiantes em 2023, pois 65% acreditam num melhor desempenho do turismo do que em 2022, ainda que a incerteza económica tenha revertido as perspectivas de regresso aos níveis pré-pandemia no curto prazo.

“Cerca de 61% dos especialistas agora veem um potencial retorno das chegadas internacionais aos níveis de 2019 em 2024 ou mais tarde, enquanto aqueles que indicam um retorno aos níveis pré-pandemia em 2023 diminuíram (27%) em comparação com a pesquisa de maio (48%)”, indica a OMT.

A conjuntura económica continua a ser o principal motivo da incerteza, uma vez que a subida da inflação, assim como dos preços da energia têm levado ao aumento dos preços dos transportes e alojamento, “ao mesmo tempo que pressionam o poder de compra e a poupança dos consumidores”.

 

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

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Setúbal integra projeto europeu ‘Smart Tourism Destination’

Setúbal é um dos 48 destinos selecionados para o projeto “Smart Tourism Destination 2022/2023”. Além do destino Setúbal, a Associação Zasnet – Reserva da Biosfera da Meseta Ibérica, e o Turismo dos Açores estão entre os representantes portugueses.

Setúbal é um dos 48 destinos turísticos europeus selecionados para o projeto “Smart Tourism Destination 2022/2023”, cuja primeira reunião se realizou recentemente na sede de Comissão Europeia, em Bruxelas, Bélgica.

O município de Setúbal, a Associação Zasnet – Reserva da Biosfera da Meseta Ibérica, e o Turismo dos Açores são os três únicos representantes portugueses neste programa que procura apoiar e facilitar o acesso a produtos, serviços de turismo e hospitalidade através da inovação tecnológica.

O “Smart Tourism Destination”, promovido pela Comissão Europeia, traduz-se na “implementação de soluções digitais inovadoras para tornar o turismo sustentável e acessível, aproveitando o património cultural e a criatividade para melhorar a experiência turística dos utilizadores”.

No encontro realizado na Comissão Europeia, com representações dos 48 destinos, de 21 países, selecionados para este programa europeu, o diretor do Departamento de Comunicação e Turismo da Câmara Municipal de Setúbal, Sérgio Mateus, realçou que a integração da cidade neste projeto “é um salto qualitativo e de reconhecimento do trabalho efetuado pelo município na área do turismo, em parcerias estreitas com os vários agentes”.

O dirigente adiantou ainda que a participação de Setúbal neste projeto europeu “permite que o turismo local entre numa fase de amadurecimento e redefinição na esfera estratégica, com o objetivo de atrair um turismo de qualidade, não massificado, e com uma oferta variada e qualificada enquanto destino”.

Sérgio Mateus, ao afirmar que “as 48 cidades que integram o programa europeu têm realidades dispares”, evidenciou o objetivo comum de aumento da qualidade em detrimento da quantidade. “Destinos como Barcelona, Ibiza, Fuerteventura, Dublin ou Malta estão a procurar, através do ‘Smart Tourism Destination’, reduzir a massificação do turismo, a qual levanta sérios problemas de convivência com as populações locais.”

O programa Smart Tourism Destination 2022/2023 vai promover, durante os próximos meses, um vasto conjunto de desafios e objetivos que os participantes terão de alcançar com o objetivo de fomentar um turismo inteligente, responsável e sustentável na União Europeia. Em Setúbal o projeto será desenvolvido em parceria com agentes públicos e privados da região, nomeadamente com a Associação da Baía de Setúbal.

O desenvolvimento de uma melhor compreensão dos impactes do turismo nos destinos, nas economias e comunidades, é outra das metas desta ação, a qual é pautada pelo envolvimento de um grande número de partes interessadas, incluindo formuladores de políticas, setores privados e públicos, profissionais e académicos.

O grupo de selecionados para o Smart Tourism Destination 2022/2023 é caracterizado pela heterogeneidade, com diferentes realidades e maturidades das cidades enquanto destinos turísticos, estando presentes destinos como Barcelona, Benidorm, Ibiza, Gran Canaria e Fuerteventura, todos em Espanha, Bruxelas, na Bélgica, Ljubliana, na Eslovénia, Gotemburgo, na Suécia, Riga, na Letónia, Cracóvia, na Polónia, Dublin, na Irlanda, Helsínquia, na Finlândia, e Capri e Génova, na Itália.

O desenvolvimento do trabalho neste programa europeu é realizado em agrupamentos, com coordenação assegurada por experts nomeados pela Comissão Europeia, sendo que a cidade de Setúbal integra o grupo com os destinos de Portugal e Espanha selecionados para esta edição.

No caso do grupo de Setúbal, a coordenação está a cargo da professora catedrática Estrella Diaz Sánchez, reconhecida investigadora da Universidade de Castilla-La Mancha que lidera um projeto Horizon 2020 intitulado “Smart Tourism Challenges”, cuja carreira tem sido focada no desenvolvimento de diferentes linhas de pesquisa como comportamento do consumidor, marketing turístico e novas tecnologias.

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Regresso dos turistas estrangeiros proporciona melhor performance dos negócios

A faturação dos negócios por cartões estrangeiros aumentou 82,5% entre 1 de julho e 15 de setembro, quando comparado com o mesmo período de 2021.

Victor Jorge

O regresso dos turistas estrangeiros a Portugal foi responsável por proporcionar uma melhor performance dos negócios portugueses, tendo a faturação dos negócios por cartões estrangeiros aumentado 82,5% no período entre 1 de julho e 15 de setembro, quando comparado com o mesmo intervalo de 2021, revelam os dados mais recentes do REDUNIQ Insights, relatório da REDUNIQ.

Segundo o relatório que analisa a evolução dos pagamentos por cartão efetuados no país, a faturação dos negócios em Portugal aumentou 32,2% este Verão face ao mesmo período do ano passado. Depois de um primeiro semestre em que o turismo impulsionou uma subida de 45% da faturação com cartões nacionais e estrangeiros, em comparação com o período homólogo, a recente época de férias mantém a mesma tendência de recuperação, com a faturação por via de cartões nacionais a aumentar 19,6%.

Franceses lideram nos gastos
De entre o grupo de estrangeiros, destaque para os franceses que, apesar de terem diminuído 7 pontos percentuais (p.p.) de peso no total da faturação estrangeira, continuam a representar a maior fatia do consumo estrangeiro em Portugal (18% do total). Atrás surgem o Reino Unido (com 14% do total da faturação estrangeira), a Irlanda (com 11%), os Estados Unidos da América (com 10%), e Espanha (com 9%).

A REDUNIQ refere que os números apresentados “acompanham as estimativas recentemente divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Banco de Portugal, que revelam, só no mês de julho, um aumento de 205,2% no número de hóspedes não residentes em Portugal face ao a julho de 2021”, um cenário que contribuiu para que julho de 2022 se tornasse o melhor mês de sempre, em número de hóspedes e de dormidas em Portugal.

Já quando analisado o valor médio de compra, os dados da REDUNIQ demonstram que são os irlandeses aqueles que gastam mais nas férias em Portugal, numa média de 112€ por transação. Os Estados Unidos são o segundo país com o valor de compra médio mais elevado, cerca de 71€. Reino Unido, França e Espanha apresentam um perfil de compra semelhante nestes meses, com um valor de compra média de 48€, 46€ e 40€, respetivamente.

Hotelaria é a única no negativo
Já quando analisada a performance dos diferentes setores de atividade, e considerando a faturação total dos negócios (via cartões nacionais + internacionais), o REDUNIQ Insights demonstra um aumento generalizado da faturação nos negócios tipicamente associados ao turismo. Enquanto o rent-a-car cresceu 85% face ao período homólogo, a hotelaria e a restauração aumentaram a sua faturação em 71% e 50%, respetivamente. Tal como registado nos resultados globais dos negócios em Portugal, também o elevado aumento da faturação das atividades turísticas está associado ao regresso dos turistas estrangeiros a Portugal, tendo estes contribuído para aumentar em 117% a faturação da hotelaria, em 110% a faturação do rent-a-car, e 98% a faturação da restauração.

Em contrapartida, o consumo nacional em hotelaria registou um decréscimo de 6% face ao período homólogo, um resultado que, segundo Tiago Oom, diretor Comercial da UNICRE e porta-voz oficial do REDUNIQ Insights, “se poderá justificar com uma contenção dos gastos das famílias portuguesas face ao crescimento da inflação”.

Lisboa e Açores faturam mais
Numa análise geográfica, os distritos mais turísticos, nomeadamente Lisboa, Açores, Faro, Madeira e Porto, apresentam todos valores de faturação superiores ao mesmo período do ano passado, com crescimentos de 43%, 36%, 36%, 32% e 28%, respetivamente. Especificamente quanto ao consumo estrangeiro, o destaque vai para Lisboa e Açores, que apresentam uma variação mais significativa, registando um aumento de faturação de 125% e 103%, respetivamente.

Tiago Oom salienta que “os resultados obtidos pelos negócios durante os meses de Verão são o reflexo de um conjunto de fatores impulsionadores do aumento da faturação. Desde logo, o facto de este ter sido o primeiro Verão sem a aplicação de restrições à circulação de cidadãos entre países derivado do controlo da pandemia de Covid-19, o que originou uma maior confiança dos consumidores (nacionais e estrangeiros) a regressar aos principais pontos turísticos do país”.

De resto, o diretor Comercial da UNICRE refere que, em paralelo, Portugal “está neste momento a colher os frutos de uma forte aposta, a nível de investimento e de promoção, no turismo, sobretudo para atrair o turismo externo”.

Por fim, Tiago Oom frisa que o próprio cenário inflacionista tem “promovido o aumento generalizado de produtos e serviços ligados ao setor turístico, o que acaba por também contribuir para o crescimento da faturação destes negócios”.

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Turismo do Centro “repensa turismo” com criatividade e sustentabilidade  

Inserido nas comemorações do Dia Mundial do Turismo (27 de setembro), o Turismo do Centro vai assinalar a data durante uma semana com diversas iniciativas. Destaque para o lançamento do Guia “Cidades Criativas do Centro de Portugal”, a que se junta a co-criação do “Manifesto para o Turismo Sustentável do Centro de Portugal”.

Publituris

O Turismo Centro de Portugal (TCP) vai assinalar o Dia Mundial do Turismo, que se comemora a 27 de setembro, com uma série de iniciativas na região, focando-se na criatividade e na sustentabilidade.

Seguindo o mote da Organização Mundial do Turismo (OMT) – “Repensar o Turismo” – o TCP pretende “colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar e reunir todos, desde governos e empresas até comunidades locais, em torno de uma visão partilhada para um setor mais sustentável, inclusivo e resiliente”.

Para Pedro Machado, presidente do TCP, “repensar o Turismo é pôr a criatividade ao serviço das populações. É fundamental que todos os agentes da atividade turística, em conjunto, assumam que o Turismo de nada serve se não contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações e tornem assim esta atividade ainda mais aliciante e geradora de desenvolvimento”.

As principais iniciativas a realizar nos próximos dias têm como alvo a promoção dos cinco destinos da região Centro de Portugal que integram a “Rede das Cidades Criativas da UNESCO” – uma rede exclusiva, que distingue as melhores práticas criativas e que reconhece a importância da criatividade para tornar as nossas vidas mais completas.

As cinco cidades criativas do Centro de Portugal são Caldas da Rainha (Cidade Criativa do Artesanato e Artes Populares), Óbidos (Cidade Criativa da Literatura), Covilhã (Cidade Criativa do Design) e Idanha-a-Nova e Leiria (ambas cidades criativas da Música), dos distritos de Leiria e Castelo Branco.

Paralelamente, vai ser lançado, na semana em que se comemora o Dia Mundial do Turismo, o Guia “Cidades Criativas do Centro de Portugal”, a que se junta a co-criação do “Manifesto para o Turismo Sustentável do Centro de Portugal”. Prestes a ser apresentado, este manifesto assume-se como uma declaração formal que transmite as intenções, a visão e as ações que o TCP quer ver aplicadas no território. O manifesto resulta do Projeto do Centro Sustentável, que pretende afirmar o Centro de Portugal como um território sustentável, valorizando a sua autenticidade e a sua diversidade.

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Marina de Vilamoura eleita Melhor Marina Internacional

Esta é a sexta vez que a Marina de Vilamoura recebe o prémio atribuído pela The Yatch Harbour Association.

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A Marina de Vilamoura acaba de ser galardoada com o prémio de Melhor Marina Internacional, atribuída pela The Yatch Harbour Association, distinção que recebe pela sexta vez (2015, 2016, 2017, 2019, 2021 e 2022).

Para Isolete Correia, administradora de Vilamoura World, que recebeu o prémio durante a realização do Southampton International Boat Show 2022, “o esforço e empenho que dedicamos nas constantes melhorias das infraestruturas e serviços prestados, através da oferta de elevados padrões de qualidade, está espelhado nesta distinção que demonstra a satisfação dos nossos clientes de todo o mundo”.

A administradora da Vilamoura World considera ainda que, “podermos levar Portugal além-fronteiras e sermos distinguidos, novamente, a nível internacional é para nós um motivo de enorme orgulho e a certeza de que o caminho a seguir é este”.

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“O turismo tem dois ingredientes que são comuns à sustentabilidade: pessoas e território”

O “Planetiers World Gathering” reunirá, em outubro, ‘changemakers’, ‘stakeholders’ – privados e públicos -, que estão a impulsionar a inovação sustentável. Sérgio Ribeiro, co-fundador da iniciativa, referiu ao Publituris que para o turista atual a sustentabilidade é “chave”.

Victor Jorge

Durante a apresentação do “Planetiers World Gathering”, evento que decorrerá em Lisboa, de 24 a 26 de outubro, e que juntará changemakers, stakeholders – privados e públicos -, que estão a impulsionar a inovação sustentável, Sérgio Ribeiro, co-fundador da iniciativa, referiu ao Publituris que, atualmente, “todo o mundo ainda tem um grande percurso a percorrer no que diz respeito à sustentabilidade”.

“Hoje fundamentalmente, e no turismo também, já se fala em regeneração, já que os objetivos globais que temos de atingir estão difíceis de atingir”, admitiu Sérgio Ribeiro, salientando que a pergunta que se coloca hoje é, “como é que as atividades podem regenerar os territórios e os locais?”. A resposta que o co-fundador da iniciativa dá é simples: “o turismo tem dois ingredientes que são comuns à sustentabilidade: pessoas e território”

Assim, defende que o papel do turismo é ”fundamental não só na experiência que se dá a quem vem de fora, mas como a experiência de quem cá está pode fazer esta diferença”. Ou seja, “como cuidar do território, das florestas, dos oceanos, da natureza onde estamos a viver e que, no fundo, proporciona qualidade de vida. No fundo, a sustentabilidade é isto”, refere, adiantando ainda que é essencial “preservar a qualidade de vida nos dias de hoje, mas principalmente mantê-la para os dias futuros”.

Sérgio Ribeiro recorda, também que a sustentabilidade “não é só ambiental, mas também social, económica e financeira” e que “tudo está interligado”, admitindo que “é este equilíbrio que faz a diferença”. Por isso, e com base no modelo sueco, “não há decisão nenhuma que não tome todas estas variáveis em consideração”, frisando que mesmo a vertente económica “não pode tomar decisões sem ter em conta as vertentes sociais e ambientais”.

Relativamente às consequências da pandemia, o co-fundador da “Planetiers World Gathering” admite que veio criar “extremos”. Ou seja, tanto criou grupos de pessoas muito dedicadas a deixar um legado positivo, seja nas suas organizações seja na sua vida pessoal” como, por outro lado, diz existirem entidades que estão a “ceder muito à necessidade de acelerar e abrir a torneira económica”, o que, considera, ser “uma falsa perspetiva”.

Assim, antecipa que, “se abrirmos rapidamente a torneira económica para sistemas anteriores, vai criar problemas mais à frente muito mais difíceis de recuperar”, destacando problemas como a falta de água e as alterações climáticas e que “não são bons para nenhum setor”.

No que diz respeito ao setor do turismo, Sérgio Ribeiro salienta a liderança que “temos tido. Temos visto que a liderança no turismo em Portugal e mesmo a nível governamental tem sido muito pragmática e séria naquilo que é a estratégia de sustentabilidade e está provado no mundo inteiro que uma organização sem a liderança focada na sustentabilidade não funciona”.

 

Os turistas estão, cada vez mais, à procura de uma experiência que, acima de tudo, esteja ligada a um contacto muito mais próximo com a natureza e, consequentemente, cuide da natureza. Este sim, é um dos efeitos da pandemia”

 

Além disso, faz referência à “rapidez” com que se tem de difundir junto dos stakeholders, neste caso do turismo, o que é, na realidade, a sustentabilidade, o que é a regeneração e a forma como podem adaptar o negócio a esta nova realidade que vai continuar.

Já quanto à crise económica que se avizinha e como esta poderá influenciar ou contrariar as políticas de sustentabilidade, Sérgio Ribeiro refere que tudo depende da “capacidade de visão que a liderança das organizações públicas e privadas – governos e empresas – produzem em conjunto e perceber que têm de se ser sistémicos na ação e dos stakeholders”. Contudo, garante que vai haver um “buraco à frente” e que poderá ser “muito maior do que atualmente estamos a ver”. Por isso, diz, “é preciso que a visão lá esteja”.

Por fim, do lado do turista, Sérgio Ribeiro destaca que, cada vez mais, a sustentabilidade é “chave”. “Estatisticamente está comprovado que os turistas estão, cada vez mais, à procura de uma experiência que, acima de tudo, esteja ligada a um contacto muito mais próximo com a natureza e, consequentemente, cuide da natureza. Este sim, é um dos efeitos da pandemia.”

“As pessoas querem um local onde possuam o verde, porque já relacionam isto com a saúde e bem-estar, e depois experiências genuínas com os locais, envolvendo as pessoas, as comunidades”, frisa o co-fundador da “Planetiers World Gathering”, concluindo que “passou-se do global para o local, passou-se a dar menos importância ao comercial e mais ao autêntico. E aí, não há nada mais autêntico do que a natureza”.

Já Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, salientou a estratégia que o instituto definiu em 2016 para os próximos 10 anos, admitindo que “fomos dos primeiros países a perguntar o que deveríamos ser no futuro. E a resposta foi clara: sustentáveis”.

Considerando que a aposta passa por ser “um dos destinos mais sustentáveis do mundo”, Luís Araújo frisou, no entanto, que “sustentabilidade sem pessoas não existe”.

“Queremos crescer, ter receitas, mas tudo de forma sustentável. Depois da pandemia percebemos que temos de alterar algo para ter um resultado diferente e melhor”, concluindo que “não conseguimos alcançar os nossos objetivos sem inovação”.

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Um potencial enoturístico às portas de Lisboa (c/ vídeo)

O Publituris levou 20 agentes de viagem a conhecer o vasto território enoturístico existente às portas de Lisboa. Em entrevista, o vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Rui Costa, destaca o potencial que o vinho poderá trazer para produtores, agentes do turismo e turistas.

Victor Jorge

Integrado na “Alma do Vinho”, iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Alenquer, juntamente com a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVR Lisboa), o Publituris levou 20 agentes de viagem a conhecer as valências do enoturismo do concelho.

A pouco mais de 50 quilómetros da capital, Rui Costa, vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer, destaca a importância do enoturismo para o desenvolvimento da região e o potencial que o vinho poderá trazer para produtores, agentes do turismo e turistas.

Durante um dia inteiro, os agentes de viagens convidados pelo Publiuturis tiveram a oportunidade de conhecer as ofertas de alguns dos agentes do enoturismo da região e perceber as valências disponibilizadas para turistas de todo o mundo.

De referir que o Turismo de Portugal, no âmbito da ET 2027, tem, desde 2019, em curso o programa de Ação para o Enoturismo em Portugal sob o lema “Make Portugal a Must See and Sustainable Wine Tourism Destination”. Apesar da conjuntura adversa com a pandemia em 2020 e 2021 e o conflito na Ucrânia em 2022, a execução do programa segue a bom ritmo, juntando parceiros públicos – nacionais e regionais – e privados da área dos Vinhos e do Turismo, dividindo-se em quatro grandes eixos de intervenção: Territórios, Oferta, Agentes e Promoção (Place, Product, People e Promotion).

Entre as várias ações concretizadas ou em curso do programa, e até setembro 2022, destacam-se (i) o apoio financeiro a 64 projetos responsáveis por um investimento superior a 91 milhões de euros e um incentivo de 45 milhões de euros; (ii) a 69 ações de formação envolvendo 2119 participantes; (iii) a criação da marca umbrela de promoção do país PortugueseWineTourism e ao abrigo desta a plataforma portuguesewinetourism e as campanhas de comunicação digital Wine pairs with Portugal e #Time to be/Time to Taste.

Recorde-se que esta quarta e quinta-feira, 21 e 22 de setembro, a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, participa, na 6.ª Conferência Global sobre Enoturismo da Organização Mundial de Turismo (OMT), cuja edição está a decorrer em Alba, Piemonte, Itália. Esta 6.ª edição da Conferência dedica-se, essencialmente, ao tema da Inovação, da Sustentabilidade e das oportunidades do digital no desenvolvimento da cadeia de valor do setor.

A propósito da sua participação na 6.ª Conferência de Enoturismo da OMT, Rita Marques afirmou “a grande importância para o Turismo em Portugal de poder participar ao mais alto nível em fóruns desta natureza, permitindo assim ao nosso país posicionar-se como líder a nível global neste importante setor de atividade económica, e nessa medida, influenciar o desenvolvimento futuro do turismo no mundo e em Portugal”.

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Portugal e Espanha unem-se para promover vinhos ibéricos

A campanha “Feel The European Quality With Wines From Spain and Portugal” foi lançada terça-feira, 20 de setembro, e é dirigida aos profissionais do vinho, líderes de opinião e turistas europeus que visitem Portugal e Espanha.

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Portugal e Espanha uniram-se para promover a tradição vinícola ibérica de forma conjunta, num programa que junta a ViniPortugal e a sua congénere espanhola OIVE, no âmbito do qual foi já lançada a campanha europeia “Feel The European Quality With Wines From Spain and Portugal” que, entre outros objetivos, pretende também estimular o turismo.

“Esta é uma das muitas ações previstas no programa conjunto das entidades, que terá a duração de três anos e que procura mostrar a qualidade e a tradição vitivinícola dos dois países”, indica a ViniPortugal em comunicado, dando conta que o evento de lançamento da nova campanha decorreu na terça-feira, 20 de setembro, e contou com a presença de Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, assim como da diretora-geral da OIVE, Susana García Dolla.

A decorrer em Portugal e Espanha até 2024, esta campanha representa um investimento de mais de dois milhões de euros, sendo dirigida aos profissionais do vinho (importadores e sommeliers), aos meios de comunicação, aos líderes de opinião e aos turistas europeus que visitarem qualquer um dos dois países ao longo dos três anos.

“Esta é uma campanha promocional europeia que também pretende abranger os turistas que visitam Portugal e Espanha, com o objetivo de lhes fornecer informações sobre os vinhos de qualidade disponíveis nos dois países. Por outras palavras, queremos sensibilizar os turistas internacionais sobre vinhos portugueses e espanhóis, sua história, cultura, harmonizações… e assim encorajá-los a consumir de forma responsável”.

No comunicado divulgado, a ViniPortugal explica que, mais do que a tradição vinícola, Portugal e Espanha partilham também a paixão pelo vinho, ingrediente que, segundo a campanha agora lançada, é aquele que “faz destacar os vinhos ibéricos”.

O setor vinícola ibérico desempenha ainda “um papel fundamental na sustentabilidade económica, social e ambiental de muitas aldeias em Espanha e Portugal, gerando milhares de empregos diretos e indiretos que vão muito para além das vinhas e adegas, prevenindo e combatendo o despovoamento rural”, acrescenta a ViniPortugal, defendendo que o impacto positivo deste setor “não se limita apenas aos países produtores, mas contribui também para impulsionar a economia europeia através de atividades como o transporte, logística, marketing e vendas”.

Recorde-se que Espanha é, atualmente, o primeiro país no mundo em área de vinha, que corresponde a 950 mil hectares, sendo também um dos países com a maior variedade e qualidade de vinhos do mundo, enquanto Portugal é o décimo maior produtor de vinho do mundo e o país da União Europeia com a maior diversidade de castas por quilómetro quadrado.

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Ribeira do Porto é um dos tesouros cinematográficos da Europa

A Ribeira do Porto é o único lugar português na lista divulgada pela Academia Europeia de Cinema, juntando-se a locais em França, Polónia, Espanha, Reino Unido ou Letónia.

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A Ribeira do Porto foi esta terça-feira, 20 de setembro, eleita como um dos tesouros da cultura cinematográfica europeia pela Academia Europeia de Cinema, que reconhece que esta zona histórica portuense tem um valor histórico “que deve ser mantido e protegido”, avança a Lusa, que cita a organização desta distinção.

A criação da lista de “Tesouros da Cultura Cinematográfica Europeia” é uma iniciativa da Academia Europeia de Cinema com o objetivo de elencar locais e espaços que são simbólicos para o cinema europeu, “lugares de valor histórico que devem ser mantidos e protegidos não só agora como para as gerações futuras”, lê-se na nota de imprensa.

A Ribeira do Porto é um dos 22 tesouros cinematográficos da Europa, com a Academia Europeia de Cinema a lembrar que esta zona histórica foi já cenário de três filmes do realizador português Manoel de Oliveira, concretamente “Douro, Faina Fluvial” (1931), “Aniki Bobó” (1942) e “O Porto da Minha Infância” (2001).

A Ribeira do Porto é o único lugar português na lista divulgada pela Academia Europeia de Cinema, juntando-se a locais em França, Polónia, Espanha, Reino Unido ou Letónia.

Para a academia é preciso preservar, por exemplo, o Studio Babelsberg (Alemanha), onde Fritz Lang fez “Metropolis” (1927) e Wes Anderson filmou “Grand Budapest Hotel” (2014), a Fontana di Trevi, em Roma, cenário de “A doce vida” (1961), de Federico Fellini, ou uma praia em França, onde Agnès Varda fez “As praias de Agnès” (2008).

“Em vez de nos limitarmos a organizar os prémios europeus de cinema, a Academia Europeia de Cinema vai abranger a história e as pessoas que fizeram o que é hoje o cinema europeu”, afirmou o diretor da academia, Matthijs Wouter Knol, em comunicado.

O objetivo da academia é anualmente acrescentar novos locais a esta lista de “tesouros cinematográficos” e trabalhar este património junto de novos públicos.

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