O turismo em tempos conturbados

Por a 28 de Abril de 2016 as 12:30

eduardo sarmentoA civilização moderna acordou recentemente de forma abrupta e dramática para uma nova realidade dicotómica e contrastante, onde os princípios e os valores têm sido questionados e, em seu nome, se têm perpetrado sistemáticos atentados contra a vida de pessoas inocentes que nada têm a ver com a situação que está na sua génese. Estamos, pois, no centro de uma crise de dimensões inéditas e que neste momento parece dificilmente ultrapassável, dado que nada se pode fazer contra um sistema em que a vida humana (o bem mais precioso de cada um) perde o seu primado. É neste palco que os países e as pessoas têm de operar. Historicamente, as diferenças entre culturas, hábitos, religiões, entre outras, têm estado na génese do desenvolvimento e crescimento turístico além de terem paralelamente constituído um motivo para se aprofundar e cimentar as relações intercivilacionais. Neste contexto, não podemos deixar de repudiar veementemente os traiçoeiros atos que têm sido perpetrados um pouco por todo o lado contra os alicerces da democracia e contra pessoas inocentes em nome de um fundamentalismo irracional e inexplicável. Todos sem exceção têm direito ao seu espaço, opinião e religião e só com esta partilha é que as sociedades poderão almejar continuar a crescer, a evoluir e a diferenciar-se. É aqui que o turismo pode e deve mostrar toda a sua pujança, importância e capacidade de resiliência. O seu desenvolvimento e a sua consolidação devem ser encarados como um exemplo de tolerância e de sucesso, pois são precisamente as diferenças (físicas, culturais, históricas, religiosas ou outras) que constituem a motivação para as deslocações das pessoas e para a partilha de novas aprendizagens. Só com uma atividade turística consolidada, é que as pessoas poderão, naturalmente cada uma com o seu próprio ritmo, almejar continuar a aprender, a crescer a transformar-se e, no fundo, tornarem-se melhores seres humanos que inevitavelmente contribuirão para o desenvolvimento das suas sociedades. Ora, quando em nome de um inimigo invisível se tentam atacar estes ideais e eliminar as diferenças, não só se está a negar os seus próprios princípios como se está a inviabilizar que cada um se manifeste e exista em liberdade, impedindo-se, assim, a evolução do Ser e do próprio mundo. E é precisamente esta situação que é altamente criticável e que desejo que a atividade turística possa ajudar a transformar. Despeço-me com um desejo: que os homens tenham discernimento, que aprendam com os seus erros e mudem os seus comportamentos, sob pena de se comprometer o avanço das sociedades e das nações.

*Por Eduardo Moraes Sarmento, professor da Universidade Lusófona.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *