Presidente do Turismo do Centro diz que não faz sentido autonomizar Serra da Estrela

Por a 6 de Janeiro de 2016 as 18:11
Centro de Portugal

O presidente da Turismo Centro de Portugal manifestou-se contra a criação de uma unidade autónoma de Turismo para a Serra da Estrela e disse que essa pretensão representaria “um passo atrás” na estratégia nacional para o sector.

“Hoje, a experiência que temos e aquilo que é verificável, sobretudo em certames internacionais, é que cada vez menos faz sentido isolarmos sub-regiões dentro daquilo que é a estratégia que Portugal está a seguir”, disse à Lusa Pedro Machado, presidente da Turismo Centro de Portugal, entidade regional que agrupa cem municípios do Centro do País, entre eles os que partilham geograficamente a Serra da Estrela.

Pedro Machado lembra que Portugal concentra hoje a sua estratégia de promoção externa na marca Portugal, nas cinco marcas sub-regionais, nos Açores e na Madeira, e que esta estratégia tem tido sucesso, como demonstra a subida sustentada do número de visitantes estrangeiros.

“Isolarmos uma sub-marca dentro duma marca regional seria darmos um passo atrás. O trabalho em rede, a cooperação, a capacidade de sermos mais competitivos e mais apelativos não se faz pelo isolamento das marcas, faz-se sim pelo trabalho de cooperação”, resume o presidente da Turismo do Centro.

A posição de Pedro Machado surge depois de alguns autarcas terem defendido a criação de uma entidade autónoma para a marca Serra da Estrela. Em Novembro de 2015, o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira (PS), reivindicou a criação de uma entidade de turismo autónoma para a marca.

“Espero que com o novo Governo da República sejam tomadas medidas no sentido da marca Serra da Estrela voltar a ser dinamizada. Nós não podemos continuar a ter a marca Serra da Estrela diluída no Turismo do Centro”, afirmou o autarca.

Mais tarde, esta posição seria secundada pela Assembleia da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE), que aprovou uma recomendação dirigida ao Governo na qual apela à criação de uma unidade autónoma de turismo para a região.

 

Pedro Machado garante que respeita a opinião dos autarcas, mas avisa que a vontade deles “choca com os cânones de turismo nacionais e internacionais” e iria contribuir para o isolamento da Serra da Estrela.

Um comentário

  1. Miguel Pereira

    8 de Janeiro de 2016 at 15:29

    A criação de uma entidade autónoma para a marca Serra da Estrela não implica obrigatoriamente o isolamento de uma uma sub-marca dentro de uma marca regional e o fim da cooperação entre os vários organismos que constituem a região centro.

    Mesmo com os excelentes resultados que o setor do turismo nacional atravessa atualmente, um dos desafios que as organizações gestoras de destinos turísticos, como o Turismo do Centro e a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE), atravessam é o corte de financiamentos disponíveis face à sua missão, objetivos e compromissos.

    Na promoção do Turismo do Futuro cada vez mais as entidades gestoras de destinos turísticos têm a consciência que é necessário uma promoção mais focalizada nos produtos que proporcionam experiências únicas e que fazem parte das características únicas do próprio território. Com isto há cada vez mais a necessidade de se elaborarem Planos de Negócios, Planos de Marketing, Planos de Ação e estudos de mercado pelas comunidades e organismos gestores de destinos que estão inseridos no próprio território de modo a ter o máximo retorno sobre o investimento realizado.

    Todos estes esforços são bem vindos na gestão e marketing de destinos turísticos mas só terão um maior valor acrescentado se tiverem em conta a continuidade e o reforço da cooperação a nível municipal, regional, nacional e internacional.

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