» Textos: Raquel Relvas Neto

» Fotos: Frame It

» Data: 22 de Novembro de 2015 as 9:51

 
Distribuição

“As pessoas não se devem eternizar nos cargos”

A 26 de Outubro, a ELOCT, que detém a marca Go4Travel, elegeu um novo conselho de administração liderado por Vítor Filipe, director-geral da TQ Travel, por um mandato de três anos. Ao Publituris, o responsável explicou que a sociedade de agências de viagens precisava de ‘sangue novo’.

 

O novo conselho de administração foi eleito a 26 de Outubro, cerca de 10 meses depois do anterior. Porque se deveu estas novas eleições dos órgãos sociais da Eloct – Agência de Viagens e Turismo?
Alguns accionistas acharam por bem a eleição de uma nova administração, por considerarem que a anterior não estava, provavelmente, a cumprir os objectivos que deviam ser realizados. E assim, juntou-se um grupo de accionistas que quis mudar o rumo que a sociedade estava a seguir. Era uma administração que também já estava há alguns anos…
O anterior conselho de administração estava desde o início desta nova sociedade (2008). Sempre tive a percepção que as pessoas não se devem eternizar nos cargos, e o que estava a acontecer, dadas também as próprias características da sociedade, é que a anterior administração estava a esclerosar. Não gostava que as pessoas levassem isto como uma crítica, até porque fizeram um excelente trabalho durante vários anos, agora, a partir de uma certa altura deviam ter colocado ‘sangue novo’ na própria administração. De qualquer forma também tem que ver com a demissão de uma pessoa da anterior administração, encetou-se ali algumas divergências no seio da administração. As coisas foram transparecendo para os outros accionistas e decidiu-se dar um novo rumo à sociedade.Mas não quero deixar de enaltecer o trabalho que realizaram ao longo de vários anos, de muita coisa que fizeram bem. Se calhar os administradores não deveriam, ou parte deles, de terem sido reconduzidos no início deste ano.Neste sentido, esta actual administração vai fazer uma revisão do pacto social e uma das propostas que vai ser feita, que terá de ser aprovada em assembleia-geral, é que os conselhos de administração – que são eleitos por três anos -, no fim do mandato pelo menos dois elementos terão que sair obrigatoriamente, para haver renovação e para não se voltar a cair no mesmo erro.Outra das propostas que temos para a revisão do pacto social é a possibilidade de serem eleitos para os órgãos sociais apenas os accionistas, o que não estava contemplado. Na anterior administração, havia um elemento que não era acionista. A assembleia-geral também era dirigida por um não accionista, são coisas que não fazem sentido.

Além da revisão do pacto social, que outros objectivos tem este novo conselho de administração?
Consideramos que uma sociedade deste tipo – constituída por 37 empresas, ou seja, 37 agências de viagens que são accionistas da Go4Travel -, o grande objectivo é criar mais-valias para os accionistas. Isso já foi feito, no outro concelho de administração. Nós vamos tentar melhorar, senão não nos teríamos proposto para dar uma nova dinâmica a esta sociedade.Um dos problemas que existiu na anterior administração é que se criaram muitas rotinas, se calhar poder-se-ia ter avançado mais, ter mais parceiros, até porque a sociedade é muito vasta. É uma sociedade em que os seus accionistas facturam, no global, cerca de 315 milhões de euros, que já são números impressionantes. Poderíamos ter feito mais parcerias e isso é um dos objectivos. Estamos a fazer o levantamento dos nossos parceiros e vamos convidar mais para terem contratação connosco.Outro dos objectivos é também fazer crescer a Go4Travel. A anterior administração também fez isso, mas se calhar não foi tão ambiciosa como nós pretendemos ser. Salientamos até dois dos accionistas que entraram recentemente, duas empresas prestigiadas e credenciadas – Cosmos e TopMic. O que pretendemos também será, dentro das características dessas empresas, trazer mais novos accionistas, porque queremos crescer mais.Tivemos recentemente a aquisição da Geostar pela Springwater, o que vem criar um grande grupo de agências de viagens e nós não queremos ficar parados. Até onde for possível, embora com características diferentes, vamos querer acompanhar e estar na primeira linha do mercado de agências de viagens e turismo.Actualmente, a Go4Travel situa-se em que posição a nível de grupo de agências de viagens?
Até aqui, era o primeiro grupo, com esta aquisição passou para segundo. Falo só de agências de viagens.

1305_pg26_1 Vítor Filipe enaltece o trabalho realizado até aqui pela anterior administração, mas refere que a actual pretende ser mais “ambiciosa”.

Como é que a Go4Travel encara, exactamente, a aquisição da Geostar pela Springwater Turismo?
Para o sector até é uma aposta muito interessante, não sabemos o que é que vai acontecer. As notícias que saem é que provavelmente vão ser mantidas as duas marcas, pelo que se vai sabendo. De qualquer forma, temos que estar atentos àquilo que a concorrência faz e queremos também nos posicionar sempre na linha da frente do sector.Mas a nível de contratação e competitividade com os vossos parceiros isso vai influenciar?
Penso que não terá uma influência muito grande. Não queremos perder influência, por isso é que estamos realmente a pensar em alargar a nossa sociedade a mais players.Como está a correr o negócio da Go4Travel até esta altura, comparativamente com o ano passado?
Há um ligeiro decréscimo em relação ao ano passado, até porque esse decréscimo verifica-se praticamente em todas as empresas do sector. Toda a gente sabe que 2015 está a ser um ano complicado. Um dos factores que tem contribuído para isso é o mercado angolano. As agências de viagens portuguesas estavam muito expostas a Angola, até porque muitas das empresas nossas clientes trabalhavam com Angola e continuam a trabalhar. Com a crise que se verificou, devido à baixa do preço do petróleo, houve uma retracção enorme em Angola, houve muitas empresas que deixaram de mandar os seus colaboradores para lá e isso reflecte-se. Com esta crise há uma quebra muito grande, principalmente na compra de transporte aéreo. A excepção que se está a verificar este ano nas agências de viagens, e falo em termos de outgoing, são só, precisamente, nos consolidadores. As únicas empresas de viagens que crescem são os consolidadores. Também é um fenómeno bastante interessante.A nível de BSP a Go4Travel também está a apresentar um ligeiro decréscimo?
Sim, tem um ligeiro decréscimo, mas como a Springwater, a Abreu, a Travelstore, a Escalatur. As agências de topo estão todas com decréscimo, é um mal geral. Temos de estar atentos e prepararmos para outros desafios e tentar conquistar outros mercados.

O conceito da Go4Travel não é um conceito similar aos restantes grupos de agências de viagens existentes no mercado. Como funciona a sociedade?
Isto já nasceu há uma série de anos. Quem foi pioneiro neste género de organizações foi a ELOVIA, da qual fui um dos fundadores. Basicamente, o grande objectivo é fazer contratação para todos os accionistas. No fim de contas, a Go4Travel é uma prestadora de serviços aos seus accionistas. E temos outros projectos noutras áreas que poderão ser uma mais-valia para estes.

Tais como?
Ainda estamos em fase de desenvolvimento, estamos a estudar. Até porque esta administração está em exercício praticamente há uma semana [na altura da realização da entrevista], vamos ter agora a segunda reunião de administração. Já elencámos uma série de pontos nos quais vamos trabalhar e em breve trecho daremos notícias do que pretendemos fazer.

Por onde passa o futuro da Go4Travel e das agências do grupo?
Nos últimos anos, dentro da própria Go4Travel notou-se, e os accionistas sentiram isso, que havia uma administração que decidia, mas havia pouca comunicação com as bases. O que vamos fazer é, inclusivamente, mais reuniões gerais. Vamos fazer, pelo menos, reuniões bimestrais para análise de mercado e de números da própria sociedade com os nossos accionistas; e iremos fazer reuniões quadrimestrais em que vamos convidar entidades externas para conversarem connosco, como consultores, companhias aéreas, GDS, operadores turísticos, uma série de players que nos poderá realmente ajudar a desenvolver as nossas empresas e a criar mais-valias para os accionistas que é o grande objectivo.

Esta actual administração tem um posicionamento distinto em relação à anterior, queremos  dar maior visibilidade no mercado à nossa organização e aos nossos accionistas. (…) A nova administração vai tentar unir os accionistas, de forma a que se revejam no trabalho que vamos fazer.

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Logicamente que a Go4Travel também pensa que dentro
de dois anos poderá
ter um papel fundamental nos novos rumos que a APAVT possa vir a tomar.”


APAVT
Numa entrevista que deu ao Publituris, no ano passado, enquanto director-geral da TQ Travel, referiu que o presidente da APAVT deveria ser mais duro com alguns players do mercado. Ao que se referia em concreto?
Na altura em que fiz essas declarações, teve a ver com alguns acordos que foram assinados pela APAVT. A APAVT assinou acordos com a TAP que é o nosso principal fornecedor, que se calhar não deveria ter assinado.

Logicamente que quem tem a faca e o queijo na mão é quem tem o negócio, que é a TAP. Nós somos distribuidores do negócio da TAP. Logicamente que a TAP podia impor às agências de viagens esses acordos, nomeadamente na redução dos prazos de BSP que passou de quinze dias para uma semana, nomeadamente da parca comissão que já era dada às agências de viagens e a APAVT assinou esse acordo. Pessoalmente não estou de acordo e disse isso ao presidente da APAVT.

ELOCT em números:

– 37 accionistas

– 81 balcões

– Volume de negócios estimado de 315 milhões de euros

A Go4Travel pretende ter um papel diferente do que teve até agora na associação?
A Go4Travel vai ter um posicionamento mais interventivo no mercado e vamos com certeza, se calhar, até junto da própria APAVT fazer valer algumas das nossas ideias. Até porque os administradores actuais da Go4Travel – só há uma pessoa que transitou da anterior administração, que é a Maria de Lurdes Diniz da Wide Travel, os restantes são tudo, chamemos assim, “sangue novo” -, todos temos ideias para aquilo que deve ser o mercado das agências de viagens. Com certeza que, dentro da importância que poderemos ter eventualmente no mercado, também queremos exercer alguma influência.A Go4Travel também tem, provavelmente, o maior número de direito de votos nas eleições da APAVT?
Provavelmente. Em princípio teremos 37 votos. Todos são filiados na APAVT, ao contrário de outras organizações, não direi similares, porque penso que a nossa é sui generis, mas há outras organizações diferentes com muitos participantes que não são filiados na APAVT. Na Go4Travel queremos e conseguimos que todos os nossos accionistas sejam filiados na associação.Consideram que a APAVT ainda vos representa?
Sim, representa.A maior parte das críticas que existem no mercado das agências é que não se vêem representadas na APAVT…
Não gosto muito de criticar a APAVT, porque fiz o meu trabalho, estive lá vários anos e sei que não é fácil ser presidente da APAVT. O Pedro Costa Ferreira está no seu segundo mandato e penso que até é o último, porque os estatutos não permitem a sua reeleição. Logicamente que a Go4Travel também pensa que dentro de dois anos poderá ter um papel fundamental nos novos rumos que a APAVT possa vir a tomar. E vamos tentar que as agências de viagens se revejam mais na APAVT do que se revêem hoje em dia.

Não quero que tomem tudo como críticas. O Pedro Costa Ferreira tem feito um bom trabalho em algumas áreas, agora, logicamente também está sujeito a críticas como eu estava quando fui presidente da APAVT. Penso que a associação, dentro de dois anos, vai ter que, com ‘novo sangue’, tomar um rumo diferente e tentar captar mais agências de viagens para suas associadas. Algo que penso que poderia também já ter sido desenvolvido. Recordo, quando fui presidente da APAVT, tínhamos uma representação muito forte junto das agências de viagens. Houve muitas saídas por várias razões, muitas empresas que desapareceram, muitas das empresas médias foram adquiridas por grandes organizações. Hoje o negócio está muito mais polarizado. Direi que há grandes agências de viagens para a dimensão do nosso País, mas há muitas pequenas agências de viagens, que se calhar são essas que têm que se sentir mais representadas junto da APAVT. Quem for para a APAVT, e até esta própria direcção que tem mais dois anos, seria interessante fazer uma campanha para captarem novos associados. As pessoas têm que estar unidas, porque se não tiverem não chegam a lado nenhum.

Considera que falta um pouco de transparência ao sector da distribuição?
Sou um dos agentes de viagens mais antigos do País e as coisas mudaram muito ao longo dos anos. O negócio que era há dez anos mudou muito. Até porque com a crise económica, a área de lazer, por exemplo, alterou-se completamente. Há 15/20 anos existia uma série de operadores turísticos de grande dimensão muito fortes, muitos deles pertenciam às grandes agências de viagens e as coisas alteraram-se muito. A área do lazer até com as novas tecnologias, com os novos canais de distribuição, foi perdendo muita força e em Portugal o poder económico baixou muito. Se calhar é uma das funções da própria associação é chamar os seus associados, conversar com eles, discutir o sector.

Até em relação ao congresso da APAVT, a direcção que veio depois da minha acabou com isto: havia um fórum dedicado só a agentes de viagens em que não podia entrar mais ninguém. Há certos problemas que devemos discutir no nosso seio, em privado, e tentar apontar para novos rumos de forma a melhorar os nossos resultados. Isso se calhar não tem sido feito como devia ser feito.

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Conselho de Administração:

Vítor Filipe (presidente)
João Matias
Maria de Lurdes Diniz
José Bizarro
Augusto Morais

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