» Textos: Raquel Relvas Neto

» Fotos: Raquel Relvas Neto

» Data: 13 de Novembro de 2015 as 15:24

 
Destinos

O calor moçambicano

Cada viagem tem o condão de nos fazer mudar. Transformar. Alargar horizontes. Assim sucede em Moçambique. Fruto da sua beleza natural e hospitalidade.

 

Uma viagem avalia-se pelas experiências que dela podemos retirar. Experiências que ficam gravadas na memória. Na nossa vida. Moçambique, país tão familiar, foi o mais recente palco de uma nova experiência que aqui contamos.
Localizado na zona oriental da África Austral, fazendo fronteira com a África do Sul, Swazilândia, Zimbabwe, Zâmbia, Malawi e Tanzânia, esta antiga colónia portuguesa revela em si vastos traços da herança portuguesa. Moçambique é, de facto, um destino nosso. Não no sentido de propriedade, mas antes por providenciar a sensação de estarmos em casa (mesmo sem nunca lá ter estado anteriormente). África nossa.

Agradável surpresa
Ao aterrar em Maputo, somos brindados por um sol radiante que nos dá as boas-vindas. A agitação da cidade é madrugadora, não fosse pelas elevadas temperaturas que se fazem sentir logo pela manhã, mesmo em pleno Outono moçambicano. Este bulício matinal contrasta com a beleza serena da Baía de Maputo. Esta, juntamente com os rios Incomati e Maputo limita a capital, confina em frente, a 40 Km de Maputo, com a Ilha de Inhaca, considerada Património Biológico da Humanidade. Aqui, pode-se admirar uma paleta de cores de corais, tartarugas marinhas, mamíferos marinhos e uma diversidade de fauna marítima.
Os edifícios coloniais e históricos da capital moçambicana contrastam com os arranha-céus de multinacionais, que estão a ser construídos desmesuradamente por toda a Baía, comprometendo a volumetria local. Maputo é uma mescla de traços culturais, entre o velho e o novo, o pobre e o rico. Pelas suas ruas, vende-se de tudo, menos a alma. Roupa, comida  – típica e internacional -, tudo o que pode fazer falta será encontrado num dos muitos passeios da baixa da cidade.
A negócios ou a lazer, a nossa guia recomenda uma visita à Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, um dos monumentos nacionais relacionados com a presença dos portugueses na antiga colónia. A Sé Catedral, Mercado Central, Jardim Botânico de Tunduru ou a Estação Central de Caminhos-de-Ferro são algumas das atracções merecedoras de uma visita.

1297_Maputo_4

As esplanadas com vista para a Baía de Maputo são lugares muito frequentados tanto pelos habitantes como pelos turistas.

Pode sempre optar por apanhar boleia de uma ‘chapa’ ou ‘my love’ (carrinhas de transporte colectivo da cidade), mas optar pelos táxis característicos da cidade, que são o transporte aconselhado.
Depois de um dia cansativo pelas ruas de Maputo, nada como refrescar-se com uma bebida ao final do dia. Vários hotéis apresentam vistas privilegiadas para a Baía de Maputo como companhia, seja o Hotel Cardoso, Southern Sun ou o emblemático Polana Serena Hotel. Este último, a “Grande Dama” de África, é de visita obrigatória. Se não for pela estadia, pelo menos para vislumbrar e encantar-se com todo o seu ambiente que nos remete para tempos áureos.
Maputo surpreende pelo seu ambiente frenético. Nas suas novas e modernas avenidas, sente-se o cosmopolitismo crescente, fazendo-nos esquecer que nos encontramos numa cidade africana. Pela noite, as opções para uma saída são várias e com bares e discotecas para todos os gostos. Contudo, conhecer os detalhes mais profundos de Maputo, terá de ficar para outra altura. No entanto, o interesse foi despertado.

Info útil

Clima: Tropical húmido
Capital: Maputo
Moeda: Metical (1€= 38.58 MZN)
Língua: Português
Fuso Horário: (UTC +2)
Alturas aconselhadas: Primavera ou Outono, assim como nos meses de Julho e Agosto.

Da frenética capital à simplicidade da selva
Descendo a Sul de Maputo, prosseguimos em busca da fascinante fauna do Kruger National Park, a 120 quilómetros da capital moçambicana. Passando a animada fronteira de Ressano Garcia (e respectivos procedimentos fronteiriços), embarcamos numa breve aventura por terras sul-africanas. O Pestana Kruger Lodge recebe-nos com os seus lugares na primeira fila para o espectáculo indescritível da vida selvagem. Do seu terraço, com os últimos raios de sol, assistimos ao nosso primeiro contacto com os anfitriões da savana. Com um pequeno rio a separar o hotel do parque natural, observamos momentos essenciais do dia-a-dia selvagem. Uma manada de elefantes banha-se no caudal do rio, enquanto uma família de hipopótamos refresca-se antes do cair da noite. É também chegada a altura de partir na primeira aventura – o safari nocturno.
Realizar um safari na savana é algo imprevisível. Seja pelo grau de timidez (ou não) dos Big Five, seja pelas agrestes temperaturas que se fazem sentir. É por uma das seis portas do parque, a de Melalene, que abre pelas seis da manhã e encerra às 18h30, que tem início a nossa exploração durante três horas, tanto no safari diurno como nocturno. A expectativa é elevada à medida que vamos percorrendo as estradas alcatroadas do parque, passando depois para os caminhos de terra batida.
Enquanto não avistamos nenhum leão, rinoceronte, búfalo, elefante e leopardo, as impalas preenchem-nos a vista com a sua energia. Uma manada de elefantes aproxima-se para nos dar as boas-vindas ao seu território.
Estamos em casa alheia, há, por isso, que manter o devido respeito para não perturbar a rotina dos animais. A distância deste grande animal é curta o suficiente para nos sentirmos bem pequenos, mas encantados com toda a sua perfeição. Assiste-se ainda aos momentos mais íntimos da vida familiar animal, em especial ao cuidado e protecção com que tratam as suas crias.

Os elefantes são os menos tímidos no Kruger Park.

 

Os pequenos macacos fazem as delícias das objectivas dos visitantes.

O frio da savana é de cortar à faca. Acredite quando lhe dizem para ir bem agasalhado. Mas este passa quando vislumbramos um dos Big Five. A par disso, as vaidosas girafas aproximam-se para posar para a câmara, nunca descurando as suas refeições. Mas são os macacos que fazem as delícias da nossa objectiva, fazendo questão de aparecer em todo o lado a fazer as mais diversas brincadeiras.
Hienas, javalis, além dos mais diversos tipos de aves completam a lista de animais observados. Quem não quis aparecer, foi o Rei da Selva. Cuja presença exclusiva é cada vez mais rara, dizem os nossos guias, tendo em conta que têm 380 quilómetros de comprimeiro por 60 quilómetros de largura de território selvagem para passear. Enquanto os animais seguem a vida ao seu ritmo, em família, seguimos para o próximo destino.

Pequeno paraíso
Todas as coisas belas demoram um bocado – temporal ou geográfico – para serem alcançadas. Bazaruto não é excepção. A um voo doméstico triangular de distância à partida de Maputo, a bordo de um aparelho da Mozambique Express, e de uma viagem de ‘speedy boat’ durante 37 quilómetros desde Vilanculos, onde fica localizado o aeroporto, este arquipélago é um pequeno segredo resguardado no Índico. O arquipélago de Bazaruto é composto por quatro ilhas – Bazaruto, Benguerra, Magaruque e Santa Carolina, esta última também conhecida por Ilha Paraíso. As praias de areia fina e branca e de águas cristalinas recebem os visitantes com toda a sua beleza. O Anantara Bazaruto é o anfitrião desta estadia que começa ao som do ‘panza’.
O Anantara Bazaruto Island Resort é tudo aquilo que se quer de um resort para se viver momentos inesquecíveis, especialmente a dois. Aqui a palavra de ordem é descanso. Desde o conforto do bungalow com varanda e acesso privativo à praia, ao duche no exterior do bungalow sob a luz da lua e a companhia das estrelas… tudo contribui para uma estadia memorável. A ‘infinity pool’ com vista para uma praia sem fim é o palco ideal para se assistir ao pôr-do-sol que se perde no horizonte misturando-se com as águas azul-turquesa.
A qualidade da gastronomia do hotel, recheada de marisco e peixe apanhado no próprio dia, assim como as saborosas saladas das mais variadas frutas… Nada fica a desejar. A simpatia e a amabilidade dos funcionários, na sua maioria moçambicanos, completa o serviço cinco estrelas. O topo da cereja é o spa do Anantara Bazaruto, no ponto mais alto da área do resort, com vista para o oceano. Assiste-se assim a uma paisagem tranquilizante, perdida nos tons vermelhos do sol que se dissipam no horizonte do Índico.

O Pestana Kruger Lodge Safari tem uma vista exclusiva para o parque nacional e toda a vida selvagem.


As boas-vindas no Anantara Bazaruto são dadas de forma animada.

Uma simplicidade incomparável
Mas Bazaruto é muito mais do que o resort. Conhecer a ilha é o passo seguinte. No Parque Natural de Bazaruto, para o qual se paga uma pequena taxa pela estadia, podem-se realizar passeios a cavalo, observação de aves, e ainda mergulho e snorkling no Two Mile Reef, um dos santuários para a prática destas actividades em Moçambique.
Pode-se ainda conhecer o ambiente em torno da ilha. Com as dunas, que se deslocam ao sabor do vento, como companhia, deparamo-nos um conjunto de abastados crocodilos que partilham poiso com pelicanos, corvos marinhos, entre outras espécies, junto a uma das oito lagoas localizadas no interior da ilha.
À medida que vamos prosseguindo, no meio da vegetação, surgem mulheres envoltas em capulanas coloridas carregando no regaço a sua criança ou a enveredar na cabeça um balde de água ou cesto de lenha. Estas fazem a sua caminhada de encontro à aldeia de pequenos aglomerados de casas feitas a partir de palha, madeira e terra. Aqui, 70% da população sobrevive da pesca, que vende aos resorts da ilha. As mulheres cuidam da família e da lide diária da aldeia. Daqui partem as crianças com as suas mochilas às costas e um largo sorriso no rosto em direcção à escola local e á única realidade que conhecem. Este contacto, esta experiência de conhecermos uma realidade diferente da nossa, desperta-nos um rol de pensamentos que corrupiam na nossa mente e deixa-nos apenas uma certeza: “os sonhos são os mesmos em todos os lugares da Terra”.  ¶

Como ir

A rota de Maputo é operada pela TAP com o A340, com capacidade para 274 pax, ou com o A330, com capacidade para 263 pax. Actualmente, a companhia aérea disponibiliza cinco frequências semanais Lisboa-Maputo.

 

Onde ficar

Maputo
» Girassol Indy Congress Hotel & Spa, unidade de quatro estrelas do grupo português Visabeira Turismo, fica localizado em Sommerschield, na zona nobre da cidade. A sete quilómetros do aeroporto internacional, o resort disponibiliza 55 vilas de tipologia T1, T2, T3 e 72 quartos, um restaurante, piscinas com bares, centro de conferências, health club & spa, cabeleiro, kidsclub, court de ténis e jardins.
» Hotel Cardoso, localizado na Avenida Mártires de Mueda, o hotel oferece vistas panorâmicas para a baía de Maputo. Além dos 130 quartos e suites, a unidade dispõe de um restaurante de pratos internacionais e moçambicanos, café e bar, centro de negócios, piscina e ginásio, entre outras facilidades.
» Polana Serena Hotel, integrado num majestoso edifício colonial, com uma história na hotelaria desde 1922, fica localizado numa das principais avenidas da antiga Lourenço Marques. Apresenta 142 quartos, onde se incluem 19 estudios, 50 quartos standard, 47 quartos deluxe, 16 quartos executivos, nove suites executivas e uma suite presidencial. As quatro salas de conferências, centro de wellness e os três restaurantes complementam a oferta.
» Southern Sun Maputo acaba de completar uma renovação, que inclui a adição de 11 quartos e a remodelação dos 158 quartos já existentes. A unidade disponibiliza uma piscina, terraço ao ar livre com vista para o mar, ginásio, centro de negócios e restaurante com a mais diversificada gastronomia.

Bazaruto
» Anantara Bazaruto Island Resort está completamente integrado na Natureza na ilha de Bazaruto. O resort apresenta 44 vilas com vista praia, mar ou piscina em regime de Tudo Incluído, assim como uma piscina ‘adults only’ e uma piscina familiar, spa, centro de fitness, business centre, sala de reuniões

Kruger Park
» Pestana Kruger Lodge Safari está situado a apenas 150 metros de Melelane Gate e vai ter algumas pequenas obras de remodelações nos seus 74 quartos com varanda. O hotel apresenta três piscinas exteriores, spa, restaurante.

 

A jornalista viajou a convite da Solférias, com o apoio da TAP. 

A Solférias, com o apoio da TAP, convidou o Publituris, juntamente com mais sete agentes de viagens de Norte a Sul de Portugal para visitar Moçambique, no passado mês de Junho. O operador turístico disponibiliza vários  pacotes para este destino localizado na África Austral.

A Solférias, com o apoio da TAP, convidou o Publituris, juntamente com mais sete agentes de viagens de Norte a Sul de Portugal para visitar Moçambique, no passado mês de Junho. O operador turístico disponibiliza vários pacotes para este destino localizado na África Austral.

 

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *