Luxo & Turismo: a Avenida da Liberdade

Por a 3 de Dezembro de 2014 as 10:47

O estudo de um caso específico de destino turístico (Avenida da Liberdade, em Lisboa) dotado de uma recente reconfiguração da oferta e procura de luxo insere-se na investigação mais vasta das tendências internacionais do turismo de luxo: sua evolução, tendências mais recentes, geografia dos mercados estratégicos e respectiva aplicação a Portugal. O nosso contributo, desenvolvido nos últimos dois anos e aqui sintetizado, deteve-se no modo como os agentes económicos e políticos se posicionam face ao evidente crescimento desse segmento de procura naquela Avenida.

O conhecimento dos aspectos mais relevantes da percepção dos hoteleiros acerca do valor dos fluxos de procura de luxo é fundamental para gerenciar marcas, direccionar os esforços de investimento e comunicação, bem como desenvolver estratégias de mercado eficazes. No mesmo sentido, as questões de estratégia turística regional também têm em atenção esses fluxos, agora que a ERT-RL e a Associação Turismo de Lisboa elaboram o plano estratégico para a Região de Lisboa (2015-2019).

Este segmento da procura turística revela-se de interesse para a cidade, para a região e para as unidades hoteleiras próximas, face ao volume de receitas que gera, mas também à expectativa de crescimento. A proximidade à Avenida da Liberdade pode ter um duplo benefício, tanto para a hotelaria, como para o eixo urbano, pois por um lado é uma vantagem competitiva para as unidades hoteleiras, por outro, há consumo na Avenida por parte dos hóspedes.

Quanto a aspectos a considerar em termos inovatórios e de investimento, tanto no espaço urbano, como na hotelaria, há a clara percepção da necessidade de reforçar e potenciar o eixo Avenida, Marquês de Pombal e Fontes Pereira de Melo como distrito de negócios (Lisbon business district), com a instalação de um novo centro de congressos no Pavilhão Carlos Lopes (Parque Eduardo VII), e ainda continuar o processo de reabilitação urbana na Avenida da Liberdade e envolvente e de instalação de mais oferta hoteleira, comercial e de restauração de luxo. Em simultâneo, nos hotéis existentes, alguns investimentos visam apetrechar a actual oferta de mais motivos de interesse para essa procura, tanto na construção de mais alojamento e equipamentos (spas, fitness, bares e piscinas exteriores), como na promoção da rede de oferta cultural e gastronómica externa distribuída pela cidade.

Estes são factores de reforço da atractividade e da distinção, mas estas dependem de uma periódica reinvenção, que já não passam necessariamente pela ostentação. Talvez estejamos numa fase de aposta numa surpreendente simplicidade, esta já considerada, hoje em dia, um luxo.

A concluir direi que, como consequência deste estudo, seria interessante fazer esta mesma análise noutras cidades, aprofundando a forma como diferentes países lidam com elementos desta cultura e práticas associadas, integrando as questões relacionadas com o consumo de luxo e suas externalidades socioeconómicas e urbanas.

 

 

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