Carlos Coelho: “Não há sítios bons e baratos”

Por a 14 de Janeiro de 2014 as 15:16

Valorizar as nossas características endógenas é meio caminho para a definição da marca Portugal. Carlos Coelho, presidente da agência Ivity Brand Corp, que falava, esta terça-feira, no Breakfast & Business, promovido pelo Fórum Turismo 2.1, com o tema “Portugal – Promoção Turística Nacional: Tendências, Branding e Estratégias”, explicou que “aquilo que diferencia um país é aquilo que temos e não aquilo que temos de criar para oferecer a quem nos visita”.

“O desenvolvimento do país passa pela modernização e persistência, passa por pegarmos nas características endógenas”, defendeu, referindo que estas não precisam tanto de investimento, mas sim de “aproveitamento”.

“Para definir uma marca é preciso estar sempre a fazer chichi, a marcar território”, lembrando que o território está em mutação constante, “deixou de ser uma fronteira apenas física para ser uma ligação a um servidor”.

Carlos Coelho relembra ainda que os portugueses têm de começar a valorizar mais o seu país e serem os primeiros a elogiá-lo: “O mundo olha para nós como uma coisa de grande qualidade e nós não acreditamos. Porque é que Portugal não acredita que tem coisas extraordinárias?”

Uma das questões levantadas pelo responsável foi os preços praticados no sector: “Se Lisboa é a cidade mais bonita do mundo, por que é que tem preços baixos?”. Carlos Coelho alertou que “não há sítios bons e baratos”.

“Temos de subir os preços”, adverte, realçando que a desculpa dada muitas vezes de que “Portugal não tem escala”, não se justifica, exactamente porque “as coisas mais pequenas são as mais valiosas”. “Enquanto não tivermos a coragem de nos valorizarmos a nós próprios, os outros não nos vão valorizar, porque não têm interesse em aumentar os preços.”

O responsável salientou que o turismo “é a indústria que tem como obrigação tirar valor daquilo que o país tem e acrescentar valor”. O presidente da Ivity termina realçando que “fazer uma marca é contar uma história muito sedutora e continuar no dia seguinte”, que leva o seu tempo: ““é como uma relação amorosa”, primeiro há que chamar a atenção, criar desejo, cortejar, seduzir e amar, “fazer-se isto com muito dinheiro e muito depressa é prostituição”.

Também presente na iniciativa, Gavin Eccles, consultor e professor na AESE – Escola de Direcção e Negócio, enalteceu a importância que se deve dar às parcerias no sector, sem esquecer o ‘trade’ em si, relembrando que nos nossos principais mercados emissores, como o alemão e o britânico, as agências de viagem ainda são o principal meio escolhido para reservas as férias dos turistas.

 

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