“Taxa turística de Aveiro é mais uma pedra no sapato para 2013”

Por a 11 de Dezembro de 2012 as 14:57

A taxa turística em Aveiro que foi suspensa em Agosto vai, afinal, avançar e entrar em vigor em Janeiro de 2013. A notícia, avançada pela agência Lusa, foi confirmada à Publituris por fonte do gabinete de comunicação da autarquia.

A medida, que prevê o pagamento de até um euro por cada dormida, foi bastante contestada este ano por diversas entidades e associações do sector. Foi por isso mesmo que, em Agosto, a autarquia suspendeu a medida e criou um grupo de trabalho para estudar a implementação da mesma.

A taxa abarca hotéis, parques de campismo e caravanismo, alojamento local e casas de campo, turismo de habitação e agroturismo, sendo que os valores a pagar variam entre os 0,35 euros por quarto e por dormida, até um euro. O valor será cobrado pelos estabelecimentos e deve ser incluído na factura referente à estadia a apresentar ao cliente.

Também estão previstas isenções. Segundo explicou à Publituris fonte do gabinete de comunicação da Câmara, para os turistas que fiquem mais de quatro noites num determinado alojamento a taxa cobrada não irá além das três noites. Já para os turistas que visitam Aveiro mais frequentemente, a taxa a pagar não vai ultrapassar as 30 noites.

 

“É mais uma pedra no sapato para 2013”

Em declarações à Publituris, o presidente da Turismo Centro de Portugal (TCP), Pedro Machado, mostrou-se surpreendido com a notícia. “Sempre fomos contra o avanço dessa taxa, porque significa perda de competitividade para o destino”, afirmou.

O responsável salientou que “Aveiro vive, essencialmente, do mercado interno, que não tem tido um caminho fácil nem terá em 2013”, pelo que “a medida significa mais uma pedra no sapato para o próximo ano”.

Por outro lado, Pedro Machado salientou que o primeiro mercado externo da região é o espanhol, “que está em retracção e assim deverá continuar”. Também neste caso, defende, a nova taxa turística só vem deteriorar a situação.

 

WTTC alerta para a criação de taxas 

Em Coimbra, no congresso da APAVT, na semana passada, o presidente e CEO do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), David Scowsill, alertou para o perigo que significa a criação de taxas semelhantes. “Portugal está a passar por um período económico difícil, mas o Governo deve evitar taxar os turistas como forma de conseguir mais facilmente fundos. A longo prazo, isto será contraproducente, porque vai ferir a competitividade do turismo”, defendeu.

Pedro Machado apoia tais palavras. “Se um guru mundial como David Scowsill explica isto e ninguém entende, em Portugal, estamos no mau caminho”, concluiu.

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