Chips podem ditar a “inoperacionalidade do rent-a-car”

Por a 14 de Junho de 2010 as 17:50

A Associação dos Industriais de Aluguer dos Automóveis Sem Condutor (ARAC)  está preocupada com a entrada em vigor, no próximo dia 1 de Julho, do sistema de chips na matrícula dos automóveis portugueses, através do qual será feita a cobrança nas portagens das SCUTS . Um sistema que “pode ditar a inoperacionalidade do sector”.

Em declarações ao Publituris, o secretário-geral da ARAC, Joaquim Robalo de Almeida, é peremptório ao afirmar tratar-se de uma “situação de grande preocupação, inclusivamente, com a viabilidade do sector.”

Joaquim Robalo de Almeida explica que, de acordo com a legislação, “o responsável pelo pagamento é o titular do direito de propriedade registado” o que significa, no caso do mercado de rent-a-car, que são as próprias empresas de aluguer de carros.

No entanto, “quem conduz os carros não é a empresa proprietária, mas sim os seus clientes, e nós, empresa, não temos o controlo físico daquelas viaturas, não sabemos por onde andam”.

“Em termos de turismo é uma situação complicadíssima”, afirma o responsável da ARAC, sublinhando que “este sistema de chips não existe em país nenhum”.

Joaquim Robalo de Sousa indica que dentro dos organismos públicos “há quem diga para pedir uma caução”. Mas isso é impraticável, diz o responsável. “Pedir uma caução para uma coisa sem determinar o que é?”, questiona, indignado.

“A melhor solução para as rent-a-car, e para todos em geral, seria a instituição de barreiras de portagens, porque o sistema que querem impôr não é encontrado em mais lado nenhum. Existem sistemas tipo Via Verde noutros países, mas está la a barreira”.

Joaquim Robalo de Almeida enfatiza que o mercado de rent-a-car não quer escapar ao pagamento seja do que for, mas é necessário “um sistema expedito, que responsabilize o cliente mas de uma forma directa, sem passar pela rent-a-car”.

“É dificílimo que as rent-a-car se mantenham em actividade com esta carga em cima dos ombros”, reitera, acrescentando que a associação está em conversações com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), mas que, dificilmente, as coisas estarão resolvidas antes da entrada da lei em vigor .

“Já hoje temos imensos problemas com cidadãos que utilizam os nossos carros e passam na Via Verde sem pagar, imagine agora com esta situação, que é a abertura total”, diz o responsável da ARAC.

“Esta situação é a complexidade total, porque está fora do nosso controlo, e creio que o legislador não pensou no sector de rent-a-car quando fez a lei”, salienta Joaquim Robalo de Almeida, que recorda que só este mercado representa 70 mil carros e que, “as empresas e os empresários, a partir do dia 01 de Julho, poderão ficar numa situação muito complicada”.

As consequências deste sistema não se vão notar só neste mercado, mas também no Turismo, afirma Joaquim Robalo de Almeida, pois a situação é constrangedora e estranha ao turista, seja pela eventual solicitação de um caução, seja por se pedir o seu NIB ou cartão de crédito, para depois serem cobradas as passagens pela entidade gestora.

“Não sei se o turista receberá isto com agrado, pois não existe em lado nenhum do mundo”, continua o responsável, que acredita que o conhecimento de uma situação destas nos mercados emissores poderá levar ao afastamento de turistas.

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