Vasco Calixtto | Cruzeiros com partida e chegada a Lisboa – E o “Funchal”? – E cruzeiros à Madeira e aos Açores…

Por a 5 de Janeiro de 2017 as 12:39
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Opinião de Vasco Calixto, colaborador do Publituris.

Um grande navio de cruzeiros nas águas do Tejo é nos últimos anos uma imagem frequente na Lisboa marítima, que cativa os recém-chegados por terra, mar e ar. Um belo estuário e uma histórica cidade de sete colinas que nele se espelha, formam um conjunto admirável, deveras fascinante. Os turistas estrangeiros vêm a Lisboa uma e mais vezes e nós, portugueses, orgulhamo-nos da nossa capital. Mas o turista português que optar por viajar por via marítima, vê-se actualmente impedido de usufruir da comodidade de embarcar e desembarcar em Lisboa. Por isso, as agências de viagens só anunciam cruzeiros a partir de além fronteiras.

Com navios de maior ou menor lotação, não se compreende que, na generalidade, não haja cruzeiros com partida e chegada a Lisboa. Salvo melhor busca de informação, haverá anualmente apenas uma ou duas viagens com início e termo no estuário do Tejo. E sempre com o mesmo destino e as mesmas escalas. Para outras paragens, só com o complemento da via aérea.

Há uma década, e mais recuadamente, a panorâmica era outra, bem mais propícia a levar o turista português a viajar por via marítima, sem ter que trocar portos por aeroportos. Houve viagens de ida e volta até à Grécia e até Cabo Verde, além, claro está, de idas e vindas às Canárias e a Marrocos. Mas um grande empresário, e grande amigo de Portugal, faleceu, não teve continuadores com a sua dimensão e a sua empresa veio a falecer logo após, o mesmo sucedendo com uma meteórica empresa que entretanto surgira. E o nosso tão apreciado como malfadado “Funchal” onde e como está? E os seus companheiros de rotas, igualmente do agrado dos seus passageiros habituais? Tudo ao abandono, por certo.

Poder-se-á dizer que as grandes companhias de navegação não estão interessadas em escolher Lisboa para ponto de partida e de chegada de uma viagem, por com tal não lucrarem. E em Portugal, se um empresário estrangeiro fez, anos a fio, não haverá um governante ou um privado que olhe para o mar e ressuscite a nossa marinha mercante? Ouvem-se falar em milhões mas navegam por outras vias. Enquanto a Espanha mantém ligações regulares com as Canárias, a Madeira e os Açores continuam acessíveis unicamente por via aérea, nem ligações regulares nem cruzeiros Lisboa-Funchal-Ponta Delgada-Lisboa. Um país de navegantes deixou ingloriamente de navegar.

Um comentário

  1. Fernando Santos

    5 de Janeiro de 2017 at 14:13

    O Mundo Mudou e muda todos os dias…

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