Novos ventos de mudança no turismo: e a seguir?

Por a 18 de Junho de 2015 as 16:51

Sem TítuloO Secretário de Estado do Turismo (Adolfo Mesquita Nunes) proferiu uma aula na Universidade Lusófona, onde teve oportunidade de apresentar uma síntese da sua actuação. Da sua intervenção, irei sobretudo destacar os pontos que ficam para o futuro.

O governante apresentou duas premissas que o definem: o conceito de “indivíduo” e a passagem duma estratégia de promoção assente na oferta para outra centrada na procura. Este conceito significa que para se ter sucesso, os empresários terão de conhecer as motivações e expectativas dos seus clientes, terão de adaptar a sua oferta às novas tendências da procura e, desta forma, contribuir para o sucesso da construção da experiência turística. Esta exigência acrescida nos empresários permitirá alcançar um melhor ajustamento entre a oferta e a procura conferindo um maior dinamismo ao mercado, enquanto o Estado se reserva um papel mais de regulador e fiscalizador. Este é o novo palco onde se está inserido: um mercado global, fortemente competitivo, disruptivo e atomizado e onde a concorrência assumirá o garante de sucesso.

Naturalmente que esta mudança de filosofia não é nem rápida nem fácil. No entanto, o mundo onde nos movemos é substancialmente distinto. Os “indivíduos” dispõem de um conhecimento muito mais profundo do mercado onde se movem fruto da Internet. Hoje em dia, esta é uma ferramenta recorrentemente utilizada como forma de pesquisa de informação, como meio de reserva e como meio de partilha das suas experiências após a visita. Esta situação veio mudar significativamente a estratégia de promoção e de fidelização de um destino. Actualmente já é possível conhecer e acompanhar o trajecto de uma pessoa ao longo da sua visita.

E esta mudança não pode ser negligenciada pelos empresários no sentido de procurarem garantir uma melhor qualidade, inovação e diferenciação dos serviços prestados. Os empresários desempenharão um papel determinante na concretização das componentes fundamentais da estratégia dado que são eles que estão em contacto directo e permanente com os turistas. E aqui surge um desafio ainda mais amplo: ter capacidade para utilizar as redes digitais como forma de antecipar as exigências dos turistas, adaptar a oferta a novos padrões de qualidade e de valor acrescentado. Por outras palavras, a utilização eficiente e consistente dessa informação poderá ser muito útil para os empresários caso eles consigam a mesma através da adopção de novas estratégias promocionais e de fidelização.

Desta forma, neste momento de transição governamental, fica desde já um desafio para o próximo governo: prosseguir o reforço de uma estratégia de apoio que permita a criação de um sistema alargado e assertivo de promoção a par da criação de medidas que detectem antecipadamente as inovações, respeitem os sinais dados pelos turistas e respondam ao aparecimento de novos desafios e de novos destinos turísticos. Caso contrário, teremos andado a perder tempo, e esse já não há mais!

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