
Há semanas em que alimentar esta crónica semanal é um exercício penoso. Esta não é uma delas e o difícil mesmo é organizar as muitas ideias e comentários. Vamos por pontos:
1 – BTL ou Feira Internacional de Turismo. Obviamente que o Turismo não pode fugir à lógica do mercado. E não é estranho para ninguém que a BTL reflicta o estado da economia nacional. Houve de facto menos expositores. O tempo não ajudou em nada. A organização da BTL foi incansável em criar as condições possíveis para uma boa feira. Só que às vezes não basta querer. Este ano a BTL foi sufocada, uma vez mais pela Fitur, e empurrada para uma data inglória. A juntar a este factor notou-se uma fraca adesão de visitantes profissionais. Poucos visitantes e poucos decisores. Os factores já enumerados poderão explicar esta realidade. Mas mais do que lamentar, é preciso agir. Bernardo Trindade, secretário de Estado do Turismo, sugeriu, no decorrer da Fitur, que a BTL 2011 se realize em Março. Mas tão ou mais importante que a data é o figurino da BTL e a atitude dos empresários nacionais. O País precisa de uma grande feira internacional de turismo. E se precisa disso então todos somos poucos para contribuir para uma BTL melhor. Os expositores tem de ser mais dinâmicos, mais proactivos, mais incisivos e não continuarem no eterno lamento nacional. Por outro lado, cabe à organização da BTL gerar real valor acrescentado a quem aposta na feira em detrimento dos que se limitam a fazer negócios nos corredores.
2 – No segundo dia da BTL decorreu a apresentação pública do estudo sobre o Impacto da Rede de Alta Velocidade no Turismo Nacional. Os números não os comento, faltam-me os conhecimentos técnicos e capacidade de fazer futurologia até 2015. É uma falha minha, reconheço. O extraordinário da sessão foi a afirmação do ministro das obras públicas, António Mendonça, que “Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid”. Aliás, daqui de Madrid onde me encontro já me cruzei com inúmeros madrilenos ávidos por chegar “ás praias de Lisboa em 2h45″. O senhor ministro talvez só viaje em executiva e só assim se explica que desconheça que a TAP, já para não citar uma low cost qualquer, chega a ter voos para a capital espanhola a preços bem inferiores a 100 euros e que para aqui chegar demora 1h10. Que me lembre isso já sucede há bastante tempo e tanto quanto julgo saber Lisboa nunca foi a praia de Madrid. Dá é vontade de rir que se justifique a pertinência do TGV com este tipo de argumentos, escudando-se no interesse turístico. O senhor ministro, decididamente… o Turismo não é a sua Praia.
3 – Ainda na BTL conheci um jornalista norte-americano que me perguntava como é possível Portugal se promover com tantas regiões, num País com as dimensões do nosso. Expliquei-lhe que isto comparado com há dois anos não é nada, antes chegavam quase ás duas dezenas de regiões. Só não tive e não tenho é argumentos para, nesta lógica lhe explicar que o Alentejo foi á BTL promovido por três entidades: Turismo do Alentejo, Alentejo Litoral e Alqueva. Faz sentido? A mim, nenhum. Para o meu camarada norte-americano é marciano!
4 – Finalmente… Fitur. Tire-se o chapéu ao Turismo de Portugal, ao SET, aos delegados… a quem de direito. Mas a presença de Portugal este ano na feira de Madrid é de se lhe tirar o chapéu. Bom gosto, estilo, classe, um Portugal que está na moda. Sem preconceitos. O português triste de xaile foi substituído por dois enormes Santo Antónios cor-de-rosa. Manteve-se o espírito e a identidade. Sim, somos portugueses… mas já fazemos o bigode. Parabéns!








