
A crise económica levou este ano a Europcar Portugal a reduzir a sua frota em 1100 viaturas (-9,2%). A tendência, já iniciada em 2008 com um corte de mil viaturas, levou a um aumento do preço médio de aluguer (RPD) na ordem dos 11,5% no pico do Verão. De acordo com Paulo Moura, director geral da empresa rent-a-car, durante esse período o mercado registou menos seis mil a sete mil viaturas disponíveis para aluguer. O aumento do RPD é assim facilmente explicado, já que a procura suplantou a oferta.
E se a crise económica aconselhou mais cautela às empresas do sector, com os reajustes nas suas frotas, a situação financeira de algumas delas, principalmente as de pequena e média dimensão, trouxe dificuldades na obtenção de crédito para aquisição de fruto. Ainda assim Paulo Moura afirma não ter conhecimento de falências no sector em que opera.
Mas apesar deste cenário negro, há males que no caso da Europcar parecem ter vindo por bem, uma vez que a empresa há muito vinha alertando para os preços anormalmente baixos de aluguer em Portugal, quando comparados com os restantes mercados dos vizinhos europeus.
Perante este cenário Paulo Moura acredita que a Europcar deverá fechar o ano com um aumento do RPD em cerca de 2%, realizando um total de 311 mil alugueres, a que corresponde uma quebra homóloga de 3,5%. Também o número total estimado de dias de aluguer – 2,4 milhões -, a confirmar-se irá traduzir-se numa redução de 3,8%. E a queda só não é maior porque, segundo o director geral da Europcar, a empresa começou a antever o futuro há dois anos, reduzindo consideravelmente os seus custos fixos.
Com um peso de 50/50 nas áreas de lazer e de corporate no volume de negócios, o director geral da Europcar salienta a prestação positiva do primeiro em contraposição com o segmento das empresas. Aqui, afirma, a quebra chegou a ser dramática, rondando os 30%. E não é só na categoria das viaturas de aluguer que as empresas cortam, mas também na duração do mesmo. Apesar de tudo é nas grandes empresas que menos se notam os cortes, “mas existe baixa de preços devido à forte concorrência existente”.
Também o negócio das seguradoras, com a cedência de carros de substituição, tem reduzido bastante. Mas aqui a má notícia para a Europcar acaba por ser uma boa notícia para o País: registaram-se menos acidentes nas estradas. Moura reconhece mesmo que “cada vez que chove o negócio dos rent-a-car aumenta”.
2010, um ano eléctrico
Este ano foi também a altura em que os fabricantes de automóveis aproveitaram para “limpar a casa”, uma vez que devido ao excesso de viaturas usadas no mercado forneceram poucas viaturas novas. A esta facilidade muitos operadores optaram pela modalidade de “re-rental”, ultrapassando assim as dificuldades iniciais de financiamento para aquisição de frota nova. No entanto, Paulo Moura alerta para o facto de em 2010 esta situação já não se verificar, uma vez que os fabricantes já terão conseguido escoar esses carros usados para o mercado da exportação. Como consequência, alerta o mesmo responsável, no próximo ano deverão ser realizados maiores investimentos em frota pela maioria das empresas do sector, o que se irá traduzir num aumento do preço final para o consumidor.
É também em 2010 que a Europcar vai prosseguir com a sua política de renovação da rede de estações, para a qual tem previsto investir um milhão de euros, um valor em linha com o já investido este ano. “Um forte investimento no rejuvenescimento da frota” é outra das apostas da empresa, que tenciona manter a idade média das viaturas entre os 7 e os 14 meses.
Mas a grande novidade e forte aposta da Europcar para Portugal será a chegada dos veículos eléctricos. Paulo Moura estima que serão esperadas entre as 200 e as 300 viaturas, podendo atingir 20% de quota de mercado. ” A Europcar pelas suas características de inovação, pioneirismo e política ambiental não podia deixar de estar presente neste segmento, oferecendo aos seus clientes as mais recentes novidades, contribuindo para a preservação do ambiente”, sublinha.







