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A arte de bem receber na Madeira

4 de Novembro de 2009 às 05:55:41 por Fátima Valente

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A história da hotelaria madeirense começa no pós 25 de Abril, altura em que a ilha abriu ao Turismo. Cerca de 35 anos depois, a Madeira conta com cerca de 30 mil camas (31.407 para ser mais preciso: 29338 na Madeira e 2069 no Porto Santo, segundo dados da Secretaria Regional de Turismo e Transportes). A oferta cresceu sobretudo nas décadas de 80 e 90 e foi muito impulsionada, em termos de comercialização e financiamento, pelo time-sharing, sitema ao abrigo do qual funcionará cerca de 20% das camas disponíveis na RAM. O sistema foi tentado na Madeira por quase todos os grupos, desde o Porto Bay ao Tivoli, Savoy e Regency, mas quem mais cartas deu (e continua a dar) neste modelo é o Grupo Pestana, que se mantém entre os quatro maiores da Europa no time-sharing.

Nos últimos anos, a oferta hoteleira da Madeira foi reforçada com as novas aberturas (Pestana, Porto Bay, Meliá e de empresários independentes como o The Vine), mas hoje, os principais grupos madeirenses preferem diversificar investimentos noutras paragens do que continuar a investir na região autónoma. É o caso do grupo Pestana, cuja estratégia de expansão assenta na Europa e América Latina e do Porto Bay, que entrou no Continente pelo Algarve, quer entrar em Lisboa, e tem vindo a aumentar o portfolio no Brasil. Facto é que hoje contam-se pelos dedos os novos grandes hotéis na Madeira, e quase tudo o que está em projecto tem associada uma vertente imobiliária (ver caixa). A maior parte são resorts integrados ou turismos rurais, segmento onde a própria directora regional de turismo, Raquel Borges França, assinala um crescimento. Ainda assim, é nas categorias superiores que Raquel Borges França posiciona a maior parte da oferta, assim como os investimentos futuros. “Cerca de 70% da nossa oferta assenta nos quatro e cinco estrelas e é nestes segmentos que continuamos a apostar, não obstante a entrada das companhias aéreas low cost. Aliás, de acordo com estudos recentes, quem viaja em low cost poupa na viagem mas está mais disponível para consumir no destino”, ressalva Raquel Borges França. A directora regional de turismo da Madeira observa ainda o crescimento do mercado nacional (+25% no acumulado de Janeiro a Setembro) para fazer face à retracção dos mercados internacionais, onde surge o britânico à cabeça, em função da desvalorização da libra. Mas alguns hoteleiros não estão assim tão convictos da salvação da Madeira pelo mercado nacional. “Além da desvalorização da libra, que fez com que tivessemos muito menos ingleses, a Madeira perdeu ainda competitividade para outros destinos que apresentam preços em dólares, como a Turquia e o Egipto”, comenta José Theotónio. Além disso, o responsável do grupo Pestana na Madeira salienta as diferenças de comportamento dos mercados, argumentando que o turista português se enquadra muito mais numa lógica de hotel de três estrelas, segmento que corresponde à menor fatia de alojamento da RAM.

Questionada sobre esta tendência, Raquel Borges França admite que o mercado nacional “fica menos noites em média, o que torna mais complicada a operação de um hotel (é preciso limpar o quarto mais vezes, incluindo a muda das roupas de cama e casa-de-banho)”, mas salienta que a aposta no mercado nacional é para manter. “Temos de compensar a baixa dos mercados britânico e alemão com o mercado nacional e de leste e é isso que estamos a fazer, apresentando uma Madeira diferente do que as pessoas pensam que já conhecem dos telejornais, por exemplo”, conclui.

Fraca penetração das marcas

A hotelaria madeirense caracteriza-se ainda pela fraca expressão das marcas internacionais. Neste caso há a referir o histórico Reid’s (da Orient Express) e o novo Meliá (com um ano de operação). Mas logo no início do boom hoteleiro, nos idos anos 70, foram várias as cadeias internacionais que se interessaram e assentaram arraiais na ilha de Jardim, casos da Starwood, com a marca Sheraton, e da Hilton. Mais tarde chegou a Crowne Plaza (Grupo IHG), unidade actualmente transformada em CS Madeira. A Starwood ainda esteve associada ao Colombo’s Resort, para onde estava prevista a marca Luxury Colection, mas com os problemas financeiros do projecto (ver caixa), preferiu procurar novo parceiro, nomeadamente na Madeira, onde já se fala num Sheraton para o hotel do complexo turístico-imobiliário do Madeira Palácio (grupo Fibeira).

Não obstante, a falta de marca não significa falta de qualidade. Pelo contrário, Ricardo Gonçalves, consultor da Deloitte sublinha ao Publituris que a Madeira, “apesar da crise, e de praticar preços médios baixos, continua a ter o maior índice de satisfação de clientes, em comparação com as ilhas espanholas, e a ser uma fonte de boas práticas para a hotelaria nacional”. É que a Madeira tem dos “melhores níveis de serviço e tem uma das culturas de turismo mais desenvolvida a nível nacional”, concretiza. Atendendo ao contexto actual, e aos preços médios baixos praticados [o que se reflecte depois na hora de fazer remodelações e contribuiu para um parque hoteleiro obsoleto nalguns casos], a pergunta que se impõe é: Continua a haver espaço para crescer? A equação é clara: “Ao aumentar a oferta, está-se a criar pressão sobre os preços”. “No curto e médio prazo, o adequado é conter a oferta, mas isso é uma decisão política”, ressalva o consultor.

Porto Santo

O Porto Santo foi uma das últimas apostas no que respeita ao investimento hoteleiro. Sílvio Santos (promotor do Colombo’s Resort) foi o empresário que tudo arriscou e tudo perdeu com a crise [as obras pararam desde o final do ano passado por dificuldades financeiras da promotora SIRAM], e o grupo Pestana, graças à estrutura que tem mas também às contrapartidas do jogo, foi o último investidor a hastear bandeira no areal de nove quilómetros. O primeiro ano correu melhor ao grupo Pestana do que o primeiro, graças à operação da Atlantic Holidays, em parceria com a entretanto falida XL, e aos charters de Itália. Este ano já não foi assim tão bom, houve menos charters e consequentemente menos turistas, apesar do maior número de portugueses em Agosto. “O Porto Santo é um destino sazonal; já o sabíamos. Mas há grandes destinos no mundo que são sazonais”, sublinha José Theotónio, responsável do Grupo Pestana para a Madeira, apontando que “não é possível sobreviver, durante 365 dias por ano, apenas com o mercado regional”. Assim, à semelhança de outras unidades que também fecham portas na época baixa, o Pestana Porto Santo vai encerrar de Novembro a Março do próximo ano.

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Porto Santo Colombo’s pronto no Verão?

Apesar de não haver novidades do Colombo’s Resort desde o início de Julho [quando foi desbloqueado, graças ao protocolo assinado entre os governos da República e da Região Autónoma da Madeira, Câmara do Porto Santo, banca (Banif e BCP), e construtora Casais], de acordo com os novos prazos, o resort deverá ficar concluído até ao Verão de 2010. O Governo Regional da Madeira participa com um milhão de euros; a Câmara Municipal do Porto Santo entra com cinco milhões, o Estado Português com 10 milhões, o BCP e Banif com 10 milhões e, por último, a construtora Casais – Engenharia e Construção, S. A., assume uma participação de 15 milhões de euros.

Entretanto, a Starwood é dada com afastada definitivamente do projecto que congrega 1372 camas.

 Empreendimentos turísticos Aberturas em 2010

1. Conjunto Turístico “Quinta do Lorde” localizado na Ponta de São Lourenço – Caniçal – 754 camas; Previsão: FEVEREIRO 2010
2. Hotel de 5 estrelas “Madeira Palácio” localizado à estrada Monumental – Funchal – 500 camas;
3. Conjunto Turístico “Colombo’s Resort” localizado ao Campo de Baixo – Porto Santo – 1372 camas;
4. Actualmente estão em construção, ou aprovadas, 611 camas (371 na Ilha da Madeira e 240 na Ilha do Porto Santo).

Obs: Devido a atrasos nas obras, os empreendimentos referenciados no 2. e 3. poderão não iniciar a sua actividade no próximo ano.
Fonte: Secretaria Regional de Turismo e Transportes da Madeira

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Palavras Chave: Agenda

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