
Esta é uma pergunta que colocámos internamente quando começámos a trabalhar nesta edição especial. O ano passado o tema foi a sustentabilidade dos destinos e este ano é subordinado à diversidade cultural, social e religiosa dos mesmos.
Os temas são bonitos, “enchem o olho”, geram sound-bytes, mas continuo com a minha. Para que serve mesmo este Dia?
Serve para muitas autarquias mostrarem o trabalho que têm feito no capítulo do turismo, num sem número de iniciativas políticas que se desdobram de Norte a Sul.
Mas de uma forma prática, o dia vale zero! Valeria muito com acções nas escolas ou directamente nos profissionais do sector, o que não sucede. Mas mais que atacar o Dia, importa reflectir sobre ele. A realidade é que as Viagens se tornaram na Religião do século XXI, os aeroportos viraram templos, os agentes de viagens são cada vez mais vistos como os sacerdotes, orientadores para a paz espiritual que todos procuram. A Mensagem desta nova Religião é clara: Procurai a paz de espírito no local mais exótico que encontrares. E para que a mensagem cole, em vez de imagens de santos, mostra-se fotografias de um mar turquesa e de um Piña Colada.
O mundo está de facto a mudar, a tornar-se mais curto, mais explorado, menos capaz de nos dar a adrenalina que procuramos nos destinos. E aí o clero criou o milagre das experiências. E tudo vai atrás da voz. Já não basta viajar até lá, é preciso sentir o que há lá. São os novos peregrinos deste século, sempre insaciáveis.
Talvez este Dia sirva mesmo para pararmos um pouco esta vertigem e voltarmos à base, ao puro prazer de viajar, de descobrir. Porque no meio desta loucura o Turismo tem sido responsável pela destruição de culturas seculares.
Há certamente um equilíbrio que ainda não conseguimos encontrar. O Turismo tem de ser a indústria da frente na preservação das identidades culturais, sociais e religiosas dos destinos; na sustentabilidade dos mesmos; na preservação dos recursos naturais e não na sua exploração exaustiva.
Acusar-me-ão de ingenuidade, rir-se-ão enquanto pensam “aqui está mais um idealista”. Talvez seja. Mas é para isso mesmo que serve o Dia Mundial do Turismo. Para idealistas como eu…
Nota: Nesta edição especial subordinada ao Dia Mundial do Turismo desafiámos alguns agentes a relatar-nos a sua experiência em destinos onde a diversidade mais os tocou.
Porque o Publituris é uma verdadeira comunidade… Obrigado!







