
A previsão da IATA, que estimava um total de perdas durante este ano no sector da aviação na ordem dos nove mil milhões de dólares, foi revista e agravada em mais dois mil milhões de dólares.
Os três dos principais culpados da revisão negativa da IATA são a subida do preço dos combustíveis, o declínio do tráfego de passageiros, e a queda de 80 mil milhões de dólares nas receitas, correspondente a uma quebra de 15% em relação a 2008, para um total de 455 mil milhões de dólares. Na revisão feita, a IATA prevê que o tráfego de passageiros caia, em 2009, 4%, e o transporte de mercadorias 14%, valores substancialmente melhores, quando comparados com as quedas previstas em Junho de 8% e 17%, respectivamente. O problema é que a queda do yield foi revista para valores mais gravosos para a indústria, passando o yield de passageiros estimado em Junho de 7% para 12%, enquanto que no transporte de carga o agravamento é de 11% para 15%.
Relativamente ao preço dos combustíveis, estes devem subir, tendo em conta os sintomas de recuperação no panorama financeiro global. A IATA estima que as companhias gastarão este ano um total de 115 mil milhões de dólares com combustíveis. De acordo com as previsões da associação, a Europa será a região do globo mais penalizada este ano, registando os maiores prejuízos – cerca de 3,8 mil milhões de dólares – mais do dobro do que a IATA já tinha previsto. A derrocada no mercado europeu foi vista pela entidade como resultado da queda dos mercados de longo curso, e pelos atrasos na simplificação dos regulamentos de slot, que atrasaram a redução atempada da capacidade.
A IATA prevê que o próximo ano traga mais prejuízos, na ordem dos 3,8 mil milhões de dólares. Estima-se que a desaceleração da tendência negativa seja empurrada pela esperada revitalização do tráfego de passageiros (+3,2%), da carga (+5%), mas ainda com uma tímida recuperação do yield na casa dos 1,1%. Segundo Giovanni Bisignani, director da IATA, “esta crise, que combinando 2008/09 representou 27,8 mil milhões de dólares de prejuízo, tem um impacto maior que o 11 de Setembro”. O dirigente vaticina que “as companhias vão demorar anos para recuperar a quebra de 15% registada nas vendas”.







