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Comissão ou comichão?

15 de Abril de 2009 às 05:05:06 por Ruben Obadia

 ruben obadia

Há exactamente dois anos escrevi neste espaço um editorial (amplamente criticado) sobre o sucesso do Mundo Abreu. Na altura, se bem me recordo, afirmei que tinha orgulho das coisas bem feitas em Portugal como se fossem minhas. Continuo a ter!

O que a Agência Abreu conseguiu no passado fim de semana, mais percentual menos percentual, com mais agências abertas ou sem elas, é um feito e tanto.

Recuso-me a falar aqui de números para depois não virem atacar a rama, esquecendo-se da raiz do sucesso.

Dir-me-ão que a Abreu é a Abreu. Prefiro pensar que boas ideias são boas ideias, bom marketing é bom marketing, bom produto é sempre bom produto e confiança com os clientes… essa então… não tem preço.

E em tempos como os que vivemos aumentar em quase dois dígitos as vendas é realmente espantoso. É também a prova que as viagens são hoje uma necessidade quase que fisiológica. Podemos deixar de fazer muitas coisas e comprar outras tantas, mas não deixaremos de viajar.

Quanto ao facto de Cuba ter sido o destino mais procurado é a constatação que os destinos turísticos vivem efectivamente de ciclos. A cada década a coisa muda.

Tivemos o reinado do Brasil durante uma década, com a República Dominicana sempre em boa forma, e agora temos o regresso de Cuba, sucesso de vendas na década de 90.

Entretanto, se à superfície foi o Mundo Abreu que deu que falar, no ‘subsolo’ o tema quente – e recorrente – é as comissões, na sempre tensa relação entre os operadores e os agentes de viagens. O assunto é recorrente, falando-se dele por metáforas e alegorias sem o verdadeiramente enfrentar. Só que no mês passado algo mudou. Um operador espanhol a operar no mercado nacional prepara-se (?) para dar uma valente mordidela nas comissões pagas aos agentes de viagens. Fala-se em três por cento. Paralelamente, apresenta-se produto no mercado a preços estranhamente ‘imbatíveis’, de forma a que os agentes não tenham alternativa senão vender as suas viagens. O medo parece falar mais alto e os pequenos inevitavelmente têm um negócio a salvar.

Tenho defendido que o actual sistema é realmente insustentável, mas daí a posições de força não negociáveis, quando a operação já decorre, com um cheirinho de ‘dumping’ à mistura, vai um grande caminho.

A ser verdade, estou curioso em saber qual será a posição dos agrupamentos e se essa será realmente respeitada individualmente pelos associados/franchisados/parceiros.

Eu sei que muitos estarão agora em pânico e prestes a ceder.

Aconselho a leitura do fabuloso poema de Manuel Alegre, “Trova do vento que passa”. A última passagem diz tudo: “Mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.”
Boa Páscoa!

Palavras Chave: Editorial

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