
Miguel Júdice – CEO do Grupo Lágrimas Hotels & Emotions
Muito se tem falado ultimamente sobre redes sociais.
Primeiro que tudo há que dizer que há redes e redes, ou seja, as redes são como qualquer outro produto/serviço no mercado, seguem uma estratégia de marketing, têm um posicionamento e uma proposta de valor para quem as utiliza, e por isso, acabam por se diferenciar umas das outras em termos de público “consumidor”, apesar de na base visarem o mesmo fim, a socialização. Por exemplo, o Hi5 é completamente diferente do Facebook, e ambos são distintos do LinkedIn ou do Twitter.
Sou dos que acreditam que a existência da internet e das redes sociais fomenta a interacção e o contacto entre as pessoas, mesmo o contacto físico (o que pode parecer incongruente). No meu caso, posso dizer que tenho reatado contacto com amigos que não via há muito tempo, desde amigos do colégio a ex-colegas de trabalho. Esse prazer de reencontrar pessoas de quem gosto não teria sido possível sem as redes sociais, por isso bem-hajam. As redes são uma grande ajuda a vários níveis, nomeadamente por me permitirem manter o contacto com amigos e família (portugueses e estrangeiros) que tenho por esse mundo fora. São também uma excelente forma de manter actualizados os nossos contactos profissionais, porque as pessoas mudam de emprego, de escritório, de país e é muito difícil “keep track” de todas essas movimentações sem recurso a softwares e redes virtuais.
A nova geração de portugueses viaja mais que as que as precederam, passa frequentemente por experiências de ensino e/ou trabalho no exterior, trabalha cada vez mais em rede, contactando com pessoas de outros países. Essa tendência é uma das razões para a popularização das redes sociais virtuais. Em Portugal temos um caso interessante que é o The Star Tracker, que nasceu como forma de ligar portugueses a viver e trabalhar em Portugal e no estrangeiro. Esta iniciativa desmultiplicou-se depois em sub-grupos de interesses vários (desporto, política, cultura, gastronomia, viagens, etc) que usam essa plataforma electrónica como base para as suas actividades, muitas delas que resultam em encontros, tertúlias, e outras iniciativas que tornam reais as redes virtuais.
Não penso que a participação em redes deste tipo traga obrigatoriamente malefícios, apesar de, como em tudo, há quem faça uma utilização indevida das mesmas. Acho sim que elas são uma inevitabilidade, um “fact of life” da nossa sociedade moderna. O crescimento das redes vai ser exponencial. Dizem-nos certos estudos que até 2012 haverá 800 milhões de pessoas ligadas dessa maneira. Isso coloca a questão do aproveitamento das mesmas, da sua utilização como canais adicionais de promoção das marcas, neste caso dos produtos turísticos. Considero essa uma estratégia perfeitamente legítima. Não nos podemos esquecer que um dos P do marketing mix é o “Placement” ou “Place”, definido como a forma (canal ou local) de um produto chegar ao consumidor. Ora, é nesta dimensão que as redes encaixam como uma luva, ficando imediatamente justificada a sua utilização como elemento de promoção. Na verdade, o paradigma de que o local de consumo/venda/produção de algo tem de ser físico acabou. Vivemos na era digital e como tal temos de nos adaptar a uma nova realidade onde fenómenos como as redes sociais são cada vez mais uma regra e não uma excepção.







