Há histórias que dão vontade de rir se não fossem tão tristes. A entrevista que Fernando Melo, administrador da Groundforce, deu esta semana ao Publituris é uma delas. Dá mesmo vontade de rir. Não pelo seu conteúdo, esclareça-se, mas devido ao cenário encontrado na empresa pelo nosso entrevistado.

Vamos lá resumir as coisas. Temos uma empresa semi-pública com um prejuízo de 38 milhões de euros, que emprega mais de 2.700 funcionários, que conta com um aumento médio salarial de 7%, e em que 73% dos seus custos é com pessoal. Nesta mesma empresa os funcionários chegam às 6h30 e meia hora depois vão tomar o pequeno-almoço; já para não referir que o insulto e a desresponsabilização, segundo mais uma vez o nosso entrevistado, é uma linguagem interna tão comum como dizer Bom Dia.
E paradigma dos paradigmas, em Faro a Groundforce faz o milagre de facturar 8 milhões e ter um prejuízo de…9! E depois, a cereja no topo do bolo, um sindicato que defende este status quo… a bem dos trabalhadores. Esquecia-me de um pormenor: a massa salarial desta mencionada empresa é, em termos unitários, 40% acima do seu concorrente Portway.
Vou lançar uma pergunta a si, caro leitor: Gostaria de trabalhar numa empresa onde chega ás 10h e ás 10h30 vai à rua tomar o pequeno-almoço e onde é remunerado 40% acima do valor pago pelo seu concorrente directo? A resposta parece-me óbvia. Sim, sim e mais sim!
A pergunta que é realmente pertinente é quem é o responsável por esta verdadeira borrada (para não lhe chamar outro nome) ao nível da administração da Groundforce. Se esta fosse uma empresa privada há muito que estava fechada, sem dó nem piedade.
Goste-se ou não, Fernando Melo tem a coragem e o desassombro de colocar o dedo nas feridas, falar sem paninhos moles, sem procurar agradar. As empresas fazem-se com as pessoas e quando elas não querem ou não compreendem que os tempos que vivemos já não são do início dos anos 90, mas sim do início de uma nova Era Mundial… estão condenadas a afundar-se.
E a propósito dos cenários que descreve na entrevista lembrei-me de uma piada que se contava e que tem por cenário os tempos quentes a seguir ao 25 de Abril: A comissão de trabalhadores de uma determinada empresa reuniu-se, em plenário, com os funcionários em convulsão. No êxtase berrava um sindicalista para a multidão: Camaradas, queremos passar a descansar durante os cinco dias da semana e só trabalhar ao fim de semana! Perante a afirmação, ouviu-se da assistência: Ó camarada, então e os feriados? Não, não foi na Groundforce, mas…







