Geração dos 30 ameaça mudar o mercado

17 de Janeiro de 2008 por Joana Barros

Um estudo sobre comportamentos mostra que os novos trintões estão a mudar. Já não arriscam tanto e isso reflecte-se nas viagens que fazem.Resta saber se o mercado está a acompanhar as novas tendências

A geração James Dean morreu. Entre os jovens de 30 anos já não faz sentido o mote de “viver cada dia como se fosse o último”. Agora, a saúde assume uma importância cada vez maior até porque é preciso tê-la em abundância para poder usufruir de tudo o que a vida tem para nos dar. E o que é que isto tem a ver com Turismo? Tudo. Até porque os novos consumidores transportam estes desejos, ânsias e exigências para as férias.

As conclusões são do mais recente estudo de comportamentos que reuniu duas empresas: a Área de Planeamento de Estudos de Mercado (APEME) e as Produções Fictícias (PF). Mas antes de partirmos à descoberta do estudo vamos saber quem foram os inquiridos. A amostra foi composta por cem indivíduos de ambos os sexos com idades entre os 21 e os 53 anos. A maioria reside na área da grande Lisboa, e é “conhecedora do mundo, com capacidade para viver e captar o novo”, segundo o estudo a que o Publituris teve acesso.
Como resultado, a APEME e as PF chegaram à conclusão que os trintões do século XXI optam por fins-de-semana prolongados em cidades europeias, recorrendo a leilões para comprar as passagens aéreas de um dia para o outro. Tudo é marcado/estudado através da internet e actualmente o conceito de “turismo aventura” tem de ser mais controlado, permitindo assim um nível de segurança mais elevado.

Razões da mudança

Segundo Carlos Liz, director geral da APEME, esta mudança de comportamento deve-se a um cozinhar de vários factores: “A grande razão tem a ver com as mudanças da sociedade. Estamos a sair de uma sociedade moderna para uma sociedade pós-moderna”. Mais concretamente, “os portugueses estão com ânsia de conhecimento”.

A juntar a estas alterações está a oferta, que também fez o seu papel. E é aqui que entra o modelo de negócio das low cost. “A relação preço/ qualidade mudou, uma coisa mais barata não tem necessariamente que ser má. Transformaram as low cost num acto de gestão inteligente”, explica Carlos Liz. “Tudo isto junto leva a uma vontade de sair”.

É tudo? Não. A internet e os Erasmus também têm quota parte de culpa, uma vez que a primeira antecipa aquilo que vamos ver durante a viagem e o crescimento da segunda faz com que por imitação mais pessoas acabem por viajar. “Os pais também querem ver aquilo que os filhos viram”.

Na altura de viajar, os jovens têm uma preocupação base: a saúde. “Há tanto para viver que para isso é importante ter saúde”, explica Carlos Liz. “As pessoas querem que o viajar não seja um corte absoluto com os seus hábitos, mas sim uma continuidade”.

Experimentar mas com cuidado

Daí que o estudo conclua que os jovens querem experimentar ao mesmo tempo que querem controlar as variáveis. “Esta é sem dúvida uma tendência da geração dos 30″, reforça o responsável. “As pessoas não aceitam interrupções muito bruscas dos seus hábitos durante muito tempo e as viagens passam a ser uma experiência integrada, complementar ao resto da vida”.

A rematar, Carlos Liz aproveita para lançar um apelo aos players do sector: “É importante que o turismo perceba que estas necessidades de integridade, qualidade de vida e exigência tem de estar presentes em toda a fileira da experiência: desde a origem até ao fim”.
Na opinião do director geral da APEME, “as empresas estão pouco atentas a isso”.

TAP acompanha a tendência

As conclusões deste estudo foram bem recebidas no seio da TAP. “É notório que aumentou também em Portugal o número de viagens de curta duração para destinos relativamente próximos, o que é sempre uma boa notícia para uma companhia de aviação”, destaca António Monteiro, porta-voz, que realça a este propósito que “a aquisição da PGA também teve por objectivo o reforço do posicionamento da TAP nesse tipo de destinos”.

Para o mesmo responsável, o aumento das viagens em fins-de-semana prolongados não foi provocado exclusivamente pelo boom das companhias de baixo custo. “É inegável que algumas low cost contribuíram para o crescimento desse fenómeno, mas é altamente redutor atribuir-lhes um papel único no reforço desse tipo de tráfego”. Daí que António Monteiro opte por destacar o papel da internet. “As alterações de comportamentos sociais, em especial com o reforço da internet, fizeram aumentar imenso o número dos que querem constituir o seu próprio pacote de viagem, o que provocou uma redução significativa do modelo charter, sem flexibilidade”. “O crescimento da TAP no mercado europeu em 2007 (15% até Novembro) revela bem que a companhia também sabe corresponder às expectativas daqueles que são identificados no estudo referido”, destaca o porta-voz.

Ainda a este propósito, António Monteiro lembra a fragilidade destes modelos de negócio que podem aparecer e desaparecer num ápice: “É verdade que algumas low cost ajudaram a criar tráfego, mas é bom não esquecer que uma característica maioritária é poderem sair dos mercados com a mesma facilidade que entraram, algumas delas, aliás, já sucumbiram”

     

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